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Carros Usados, Vendedores Pirados (”The Goods: Live Hard, Sell Hard”, EUA, 2009)

Aldo Alves

O título nacional chega a ser ridículo. O original também não ajuda. Mas a galera que produziu as melhores bobagens da comédia como “A Vida é Dura” e “Quase Irmãos” surpreende com muitas risadas.

Jeremy Piven (”Guerra ao Terror“) é Don, que por sinal tem o dom de vender qualquer coisa. Ele e sua equipe se especializaram em tirar da falência concessionárias de carros usados. Em uma das missões, ele vai enfrentar o seu passado e os erros que cometeu.

Esqueça a frase anterior. Besteirol políticamente incorreto e de baixíssimo nível, só que no caso, baixo funciona como um elogio. Esculhambam com todas as minorias possíveis: negros, asiáticos, deficientes e até fazem pouco da pedofilia, numa ótima inversão de papéis. O discurso que faz apologia ao tabaco dentro de um avião no início do filme é de rachar e a queda livre de Will Ferrell (também de “Quase Irmãos” numa ponta hilária) é um dos pontos altos.

Destaque também para a relação entre o patriarca da empresa gay (James Brolin de “Tinha que Ser Você“) e um membro da equipe de Dom (o comediante onipresente David Koechner de “Maré de Azar“) que faz parte de uma das várias subtramas do enredo amalucado. De vez em quando o filme quase pende para o sentimentalismo barato das comédias românticas, só para voltar aos eixos e continuar tirando um sarro das situações .

“Carros Usados, Vendedores Pirados” é o tipo de produção que não se pode medir por aspectos técnicos. Com um roteiro descerebrado, mas cheio de ótimas sacadas, bastava o diretor não pisar na bola. E fez tudo direitinho. Pra quem quer sair do sério, uma ótima pedida.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Jeremy Piven
Ving Rhames
James Brolin
David Koechner
Kathryn Hahn
Jordana Spiro
Ed Helms
Tony Hale
Ken Jeong
Rob Riggle
Alan Thicke
Charles Napier
Jonathan Sadowski
Noureen DeWulff
Wendie Mallick
Will Ferrell
Gina Gershon

Direção:
Neal Brennan

Produção:
TiChris Hemshy
Will Ferrell
Adam McKay
Kevin J. Messick

Fotografia:
Daryn Okada

Trilha Sonora:
Lyle Workman

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Maré de Azar (”Extract”, EUA, 2009)

Aldo Alves

Mike Judge tem um senso de humor estranho. Mas acertou em cheio quando criou a mais famosa dupla de delinqüentes do planeta, Beavis e Butthead. De lá pra cá suas tentativas de entrar no mundo de carne e osso do cinema foram irregulares.

Em sua mais recente empreitada conhecemos Joel (Jason Bateman de “Encontro de Casais“), dono de uma fábrica de molhos que se encontra uma vida tediosa, tem um vizinho chatíssimo e um casamento falido. Tudo se complica quando Cindy (a linda Mila Kunis de “O Livro de Eli“), uma atraente picareta e mercenária entra em sua vida pra dar um golpe e piora ainda mais quando ele contrata um garoto de programa para sondar se sua mulher vai traí-lo.

O filme parece ter uma boa quantidade de tipos engraçados, bons textos e até uma química razoável entre os artistas. Só que ao juntar essas boas qualidades, infelizmente o resultado não é o que se espera. Entre risadas boas, porém esparsas, há um marasmo que permeia a película. Claro demérito aí do próprio Judge que mesmo com todas as boas intenções e uma mão cheia de ótimas de sacadas, não consegue costurar uma narrativa interessante, como já visto principalmente em seu longa de estréia como diretor, “Como Enlouquecer Seu Chefe” de 1999. A inaptidão é tal que conseguiu deixar brilhantes atores cômicos como J.K. Simmons (”Recém Formada“) apagados na multidão.

Destaque para Ben Affleck (”Intrigas de Estado“) como o melhor – e único – amigo de Joel: sempre dopado e engraçadíssimo, talvez tenha sido a melhor construção do ator em anos. Falando nisso, é interessante frisar que numa jogada mal fadada de marketing a capa do DVD apresenta Affleck com um visual completamente diferente do que ele tem em cena. Outro destaque vai para o making of do DVD que consegue ser mais engraçado em certas partes da produção.

É em filmes como “Maré de Azar” que o público sente a importância do diretor que pode dar uma alma a um roteiro mediano ou, como é o caso, enfraquecer um ótimo time de atores e um bom conjunto de piadas. Não é ruim, mas é mais um DVD na paisagem da locadora.

Cotação: ★★½☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Jason Bateman
Mila Kunis
Kristen Wiig
Ben Affleck
J.K. Simmons
Clifton Collins Jr.
Dustin Milligan
David Koechner
Beth Grant
T.J. Miller
Matt Schulze
Gene Simmons
Brent Briscoe
Mike Judge
Gary Cole

Direção:
Mike Judge

Produção:
John Altschuller
Michael Rotenberg

Fotografia:
Tim Suhrstedt

Trilha Sonora:
George S. Clinton

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Par Perfeito (”Killers”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

Acabaram misturando o que houve de pior em “Sr. e Sra. Smith” e “Encontro Explosivo“. Katherine Heigl (”A Verdade Nua e Crua“) usando muito Photoshop no cartaz e uma pesada maquiagem em cena, é Jen, uma improvável nerd que após tomar um fora do noivo, vai para Nice com seus pais tirar umas férias. Lá ela encontra Spencer (Ashton Kutcher de “Idas e Vindas do Amor“) um assassino profissional que se apaixona por ela, larga a vida pregressa e os dois acabam se casando sem que ela saiba de sua ex-profissão. Três anos depois, com uma vida tranqüila, de repente vários assassinos apareçam para matá-lo e com um detalhe: todos eram amigos da vizinhança com colegas de trabalho de Spencer.

O filme tenta fazer graça com a) o fato da atabalhoada Jen descobrir a identidade secreta do marido e b) os assassinos profissionais serem seus vizinhos ou amigos. Como se isso não parecesse óbvio demais, o roteiro desmorona frente a tantos absurdos. Infelizmente expor a maioria dessas crateras narrativas aqui seria colocar spoilers na resenha, mas pode-se adiantar que ao saber quem é o mandante e pior, o motivo, transforma qualquer tentativa da produção ser engraçada um insulto à inteligência do espectador.

E o que dizer do fato de que no meio de tantas explosões, perseguições e tiroteios, não houve um policial sequer, nem um guarda de trânsito para tentar chamar reforços ou conter a situação. Massacrante é ter que agüentar Spencer com diálogos mais batidos do que carro-teste para cinto de segurança, como “Se eu te contasse a verdade, teria que matá-la” ou pior, “Digamos que eu trabalho para blá blá blá e tenho licença para blá“. Por incrível que pareça, o mais engraçado em cena é o veterano Tom Selleck (o eterno Magnum) interpretando o ranzinza pai de Jen.

Seu desfecho então é quase um atestado que nós, espectadores, assinamos como idiotas por ter agüentado até o final. Um atestado, aliás, escrito pelo mesmo Robert Luketic que fez “A Verdade Nua e Crua“. E já que ninguém gosta de ser feito de idiota, é melhor passar longe de “Par Perfeito“.

Cotação: ★½☆☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
RyAshton Kutcher
Katherine Heigl
Tom Selleck
Catherine O’Hara
Katheryn Winnick
Kevin Sussman
Lisa Ann Walter
Casey Wilson
Rob Riggle
Martin Mull

Direção:
Robert Luketic

Produção:
Scott Aversano
Jason Goldberg
Mike Karz
Ashton Kutcher
Chad Marting

Fotografia:
Russell Carpenter

Trilha Sonora:
Rolfe Kent

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Stan Helsing (EUA, 2009)

Aldo Alves

O cinema continua a exibir filmes-paródia ou comédias-besteirol que são desprovidas de graça e nexo como “Super-Heróis – A Liga da Injustiça” ou “Os Espartalhões“. E o que dizer de um exemplar da mesma espécie que sequer passou pelas telonas e foi direto para as prateleiras das locadoras? É o caso de “Stan Helsing“, paródia de filmes de terror cujo título remete obviamente à “Van Helsing“.

Formato por atores novatos, cujo talento é comparável aos de Malhação, conhecemos Stan que trabalha numa locadora e vai com três amigos entregar uma sacola de filmes num condomínio fechado que é assombrado por todos os serial-killers que conhecemos: Jason Vorhees, Michael Myers, Freddy Krueger, Pinhead, Leatherface e até o boneco Chucky. Todos achincalhados, mas de forma sem nenhum humor e com adereços paupérrimos. E tirando as duas gostosas amigas de Stan (sim, valem a pena pra macharada), é triste ver um ator que é sinônimo do bom besteirol, Leslie Nielsen, dos clássicos “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” e “Corra que a Polícia Vem aí“, fazendo um papel indizível e ainda por cima vestido de mulher.

Sem preocupação alguma com continuidade, defeitos especiais, roteiro ou atuações, era de se esperar que “Stan Helsing” seja dirigido por um cara chamado Bo Zenga (sério) através da sua Boz Prouções (adivinha porque do ‘Boz’?). É uma espécie de A Turma do Didi, só que bem pior.

Cotação: ☆☆☆☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Steve Howey
Kenan Thompson
Diora Baird
Desi Lydic
Leslie Nielsen

Direção:
Bo Zenga

Produção:
Bo Zenga
Jere Hausfater
Kirk Shaw
Scott Steindorff

Fotografia:
Robert New

Trilha Sonora:
Liz Gallacher
Ryan Shore

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Aconteceu em Woodstock (”Taking Woodstock”, EUA, 2009)

Aldo Alves

Taí um filme muito bom, mais com muita coisa ruim. Depois dessa sentença muito mal construída (mea culpa) , pode-se dizer que Ang Lee exagerou em suas inovações. Depois da bem sucedida empreitada oriental em “Desejo e Perigo“, ele volta ao centro cultural americano revivendo o festival que marcou uma época, Woodstock. Só que tudo visto do ponto de vista do insuspeito e improvável Jake (Henry Goodman que ainda criança fez uma ponta em “Notting Hill“), filho de um casal dono de um hotel decadente no meio da cidadezinha onde moram e, por sorte, acaba articulando um terreno de um conhecido para o festival, o qual naquele momento ainda teria proporções mínimas. E a produção segue com as desventuras de todos os envolvidos no mega empreendimento de três dias de paz e amor.

Tecnicamente, Lee abraça a tela dividida, em tese, para dar ao espectador uma visão mais geral do que se passa ao redor da ação em três focos diferentes. Isso funciona no início, mas com a repetição além da conta, torna-se enfadonho. Ele também acaba flertando mais uma vez com a homossexualidade já vista em “O Segredo de Brokeback Mountain“. Aliás, um dos problemas é que pra tentar retratar o espírito do festival, o diretor flerta com todo o tipo aspecto envolvendo o trio sexo, drogas e rock’n’roll e acaba alongando o tempo de duração muito mais que seria indicado, contribuindo ainda mais para a morosidade da narrativa. Até um tal grupo de dança encabeçado por Dan Fogler (”Bolas em Pânico“) que não acrescenta em absolutamente nada e toma um tempo monstruoso, mesmo que ainda seja engraçadinho.

As melhores mensagens estão lá: a autodescoberta de Jake, o fato de que ele nunca consegue ver os shows, a difícil relação com os pais e tudo com uma profundidade tocante, porém dispersado pelos incensos e delírios das subtramas desnecessárias. Destaque para a brilhante atuação da veterana Imelda Staunton (”Harry Potter e a Ordem da Fênix“) que brilha como a ortodoxa mãe judia de Jake e que rouba todas as cenas em que participa. E também não é todo dia que vemos Liev Schreiber (”Um Ato de Liberdade“) como um travesti.

“Aconteceu em Woodstock” é cheio de boas intenções, mas se arrasta para um final anti-climax, cujo equilíbrio beira o negativo e com técnicas e temas já abordados a exaustão.

Cotação: ★★½☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Henry Goodman
Imelda Staunton
Demetri Martin
Emile Hirsch
Paul Dano
Kelli Garner
Clark Middleton
Sondra James
Jeffrey Dean Morgan
Eugene Levy
Andy Prosky
Dan Fogler
Gabriel Sunday
Jonathan Groff
Mamie Gummer
Stephen Kunken
Adam Pally
Liev Schreiber

Direção:
Ang Lee

Produção:
James Schamus
Ang Lee

Fotografia:
Eric Gautier

Trilha Sonora:
Danny Elfman

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Comédia, Drama
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A Ressaca (”Hot Tub Time Machine”, EUA, 2010)

Aldo Alves

“A Ressaca” está para comédias sobre viagem no tempo assim como “Se Beber Não Case” está para filmes de despedida de solteiro. Três amigos que se deram muito mal na vida se encontram no hospital depois que um deles aparentemente tenta o suicídio (cena hilária, por sinal). Pra tentar animar o maluco suicida Lou (o sempre comediante Rob Corddry de “Os Aloprados“), seus outros dois amigos – o capado pela esposa Nick (outro ótimo comediante, Craig Robinson de “Pagando Bem que Mal Tem“) e o deprimido recém divorciado Adam (John Cusack de “2012“) – saem num passeio pela cidade onde sempre se divertiam na temporada de inverno quando eram jovens.

Levando o sobrinho de Adam, Jacob (Clark Duke de “SuperBad“), eles entram na cidade que está quase deserta, hospedam-se num quarto de hotel e depois de uma noite de bebedeira, caem numa banheira (ou ofurô) e acordam no outro dia em 1986 quando os três ainda eram jovens e quando Jacob ainda nem existia. Daí eles têm que entender como fazer pra voltar para o presente sem que alterem o passado. Lógico, isso será sinônimo de confusão.

O elenco se sai até que bem, o roteiro é amarrado, pelo menos até o terceiro ato, e percebe-se uma produção requintada, mesmo para um besteirol. Mas o destaque mesmo são as inúmeras referências visuais e musicais aos anos 80. Se na parte musical temos os hits de New Order, David Bowie, Spandau Ballet, Motley Crue (no engraçadíssimo desfecho), entre outros, na visual a história consegue prestar a homenagem suprema ao melhor filme do gênero “De Volta Para o Futuro” por conta do drama de Jacob (se ele não for concebido pelos pais, ele não vai existir) que é a exata paródia de Marty McFly. E ainda contrataram o pai de Marty, George McFly, ou melhor, o ator Crispin Glover pra interpretar o ajudante do hotel que não tem o braço.

Quem aprecia o humor americano vai se deliciar com “Ressaca” que só perde pontos por ainda não potencializar todas as referências oitentistas como deveria ter um final que contradiz todo o espaço continuum do tempo, como dizia em 1985 Doc Brown. Mas como todo bom besteirol, só resta gritar “Great Scott!” e se divertir.

Cotação: ★★★☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
John Cusack
Clark Duke
Craig Robinson
Rob Corddry
Sebastian Stan
Lyndsy Fonseca
Crispin Glover
Charlie McDermott
Lizzy Caplan
Collette Wolfe
Crystal Lowe
Jessica Paré
Kellee Stewart
Julia Maxwell
Chevy Chase

Direção:
Steve Pink

Produção:
John Cusack
Grace Loh
Matt Moore
John Morris

Fotografia:
:Jack N. Green

Trilha Sonora:
Christophe Beck

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