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Longe Dela (”Away From Her”, Canadá, 2006)

Aldo Alves

Não é fácil passar para o cinema momentos marcantes da vida, mas que ficam distante da realidade de muitos. E a atriz Sarah Polley (”A Vida Secreta das Palavras“) pegou esse desafio logo na sua estréia como diretoria.

Um casal de idosos Gordon Pinsent (da extinta série “Due South“) e Julie Christie (parceira de Polley em “A Vida Secreta das Palavras“) chega num dilema onde a esposa começa a sofrer do Mal de Alzheimer e depois de muito pensar e de ter seus sintomas agravados, ela decide se internar numa clínica sob protesto do marido. Ele é obrigado pelas leis do estabelecimento a ficar 30 dias longe dela. Na sua primeira visita, o marido descobre que esse período foi suficiente para que a doença chegasse no ponto dela esquecer quem ele era e pior: aproximar-se de outro senhor interno. Então ele vive o inferno de não conseguir reverter esse quadro tendo que conviver com o fato de que ela, sem culpa alguma, pode ter se apaixonado por outro dentro da instituição.

Como se vê, é um filme com um público alvo reduzido, mas sua linguagem foi tão universal que consegue arrematar qualquer que seja o espectador. Polley parece dominar a câmera e conta com uma fotografia competente ao retratar a clínica como algo longe de ser sombrio. Pelo contrário, iluminado ao ponto de se parecer um paraíso, mas ao mesmo tempo ciente da tristeza que envolve o recinto. Sua outra decisão acertada foi a de fragmentar a narrativa, apenas para presenciar uma pequena, porém simbólica reviravolta em seu segundo ato.

A dupla de protagonistas exala química e intimidade e Julie Christie justifica com palmas seu Globo de Ouro e sua Indicação ao Oscar e ao BAFTA pela produção. Ainda sim, Pinsent com sua presença contida em tela, também transparece o que pode ser o maior sacrifício que um homem pode fazer pela amada.

“Longe Dela” lembra muito “Diário de uma Paixão” logicamente na fase madura, porém consegue ser mais pé no chão, menos meloso e, ainda sim, tão sensível quanto. Isso porque reconhece um casamento longo e cheio de erros como tantos outros. Mas também preserva a filosofia de que o amor é maior que tudo. Um romance que ultrapassa a barreira da idade, acertando no alvo: o coração da platéia.

Cotação: ★★★★☆


Ficha Técnica

Elenco:
Gordon Pinsent
Julie Christie
Stacey LaBerge
Olympia Dukakis
Deanna Dezmari

Direção:
Sarah Polley

Produção:
Daniel Iron
Simone Urdl
Jennifer Weiss

Fotografia:
Luc Montpellier

Trilha Sonora:
Jonathan Goldsmith

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Romance
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O Segredo dos Seus Olhos (”El Secreto de sus Ojos”, Argentina / Espanha, 2009) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

Uma crítica geralmente negativa é quando um diretor usa certas técnicas (principalmente envolvendo a trilha sonora) para manipular o espectador. Isso se inverte quando temos um diretor como Juan José Campanella (do indicado ao Oscar “O Filho da Noiva“) que usa seu talento para conduzir o público, como se fosse o homem do par de uma dança de salão onde gentilmente transita pelo suspense, romance e comédia sem nunca parecer artificial ou burocrático demais.

Trabalhando novamente com Ricardo Darín, ele interpreta Esposito, um policial aposentado que resolve escrever um livro sobre um antigo caso de estupro seguido de assassinado mal resolvido. Ele divide essa história com o grande amor de sua vida que nunca se concretizou, Irene (Soledad Villamil), que ainda trabalha no fórum como juíza. E grande parte do filme é esse flashback que mostra como Esposito conheceu Irene e todos os desdobramentos da caça ao assassino.

Além de Darín está na sua ótima forma de sempre, o coadjuvantes Guillermo Francella que interpreta seu ajudante e melhor amigo está fantástico como alívio cômico e Pablo Rago está impecável como o viúvo inconsolável e em busca de vingança. As técnicas de direção surpreendem com uma ótima fotografia e com cenas complexas como o travelling feito num campo de futebol até chegar aos atores que ficam na arquibancada em uma só tomada até uma perseguição por dentro do estádio.

E pra atestar a enorme competência como o diretor conduz a narrativa, sua trilha sonora é discreta, mas ainda sim fundamental, como prova os últimos e tocantes minutos da projeção Ainda conta antes com uma ótima reviravolta, fruto de um roteiro bem elaborado com diálogos meticulosamente trabalhados e uma história que consegue envolver vários aspectos da vida de Esposito em suas pouco mais de 2 horas sem nunca se tornar cansativo. De tão elaborado que é, há um trocadilho que percorre toda a história sobre uma máquina de escrever cuja letra “a” está quebrada.

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “O Segredo de Seus Olhos” não recebeu o mérito a toa: é uma comédia, um suspense, um romance e um drama perfeitos e, principalmente, com um equilíbrio que não se vê por aí.

Cotação: ★★★★★


Ficha Técnica

Elenco:
Ricardo Darín
Soledad Villamil
Pablo Rago
Javier Godino
Guillermo Francella
José Luis Gioia
Carla Quevedo

Direção:
AdJuan José Campanella

Produção:
Gerardo Herrero
Juan José Campanella
Vanessa Ragone

Fotografia:
Félix Monti

Trilha Sonora:
Federico Jusid
Emilio Kauderer

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Drama, Romance, Suspense
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Cheri (França / Alemanha / Inglaterra, 2009)

Aldo Alves

Quem diria que depois de 22 anos, o diretor Stephen Frears (”A Rainha“) iria reatar a parceria com a ainda bela Michelle Pfeiffer (”Por Amor“) num romance que parece ser a marca registrada da atriz nos últimos cinco anos: uma mulher mais velha seduzindo um jovem.

Somente para contextualizar, aqui ela mora na Paris de 1906 e é Lea de Lonval, uma famosa cortesã já aposentada presta um favor para sua amiga, mas rival Madame Peloux (Kathy Bates de “Um Sonho Possível“) de cuidar (sexualmente falando) de seu filho, carinhosamente apelidado de Cheri (Rupert Friend de “O Menino do Pijama Listrado“). Mesmo com toda sua experiência, Lea e Cheri se apaixonam e quando Madame Peloux arranja um casamento com uma mulher mais jovem, a vida do casal se despedaça. Interessante reparar que o grau de sofisticação de um cavalheiro naquela época, segundo o filme, parecia ter um grau de feminilidade, já que Cheri seria o mais próximo de uma geração glitter do início do século passado.

O maior destaque da produção é para o formato teatral que o diretor assume desde o primeiro minuto com uma narração em off cheia de garbo e elegância e, mais pra frente os deliciosos maneirismos do elenco que se eles mesmos estivessem desempenhando num palco para uma platéia a sua frente. Diálogos afiados como uma navalha se tornam particularmente brilhantes nos duelos verbais de Lea com a mãe de Cheri. Frears conseguiu graduar um fôlego dramático crescente a partir da segunda metade contrastando com o tom leve e quase cômico na primeira parte, sem tirar a coerência e consistência da narrativa.

Fugindo de finais óbvios, “Cheri” abraça a complexidade dramática do ser humano em seus relacionamentos e estabelece uma dualidade entra a última narração e a última imagem de forma ímpar. Um ótimo tratado sobre diferença de idade e suas conseqüências em relações amorosas.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Michelle Pfeiffer
Kathy Bates
Rupert Friend
Felicity Jones
Frances Tomelty
Iben Hjejle
Bette Bourne
Gaye Brown
Tom Burke

Direção:
Stephen Frears

Produção:
Andras Hamori
Bill Kenwright
Thom Mount
Tracey Seaward

Fotografia:
Darius Khondji

Trilha Sonora:
Alexandre Desplat

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Romance
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Ondine (EUA, Irlanda / 2010)

Aldo Alves

Neil Jordan consegue fazer bons filmes desde os épicos como espetacular “Entrevista com o Vampiro” até mais intimistas como “Café da Manhã em Plutão“. Em Ondine ele aprofunda mais sua forma bucólica contando a história do pescador irlandês Syracuse (Colin Farrell de “Coração Louco“) que literalmente pesca uma mulher em sua rede. Ela pouco se lembra do seu passado e diz se chamar Ondine. Algumas indicações levam a crer que ela possa ser uma sereia e, é claro, os dois devem se apaixonar.

Com um roteiro muito bem elaborado, Jordan conseguiu situar algo que pode ser fantástico (a probabilidade de Ondine ser uma sereia), mas calcado num mundo bastante real com personagens claramente incrédulos dessa possibilidade, sem que com isso o espectador tivesse sua inteligência insultada. Os diálogos são tão bem colocados que o público fica sempre com a pulga atrás da orelha por mais que a realidade possa falar mais alto (a cena em que um estranho fala pra Ondine sobre falar a “língua deles” é de um nível genial). É claro que o fato de a estreante Alicja Bachleda ser hipnotizante como uma sereia contribui ainda mais para apimentar o mistério.

Farrell entrega uma performance excelente e bem diferente dos tons monocórdicos de filmes passados. Seu personagem como um ex-alcoólatra que vive o drama da filha pequena com insuficiência renal, ao invés de desviar a atenção da platéia, condensa e agrega ainda mais na trama. Destaque também para Stephen Rea (”Rota de Colisão“) que tem uma parceria de mais de dez filmes como o diretor e aqui é o padre, funcionando como a consciência de Syracuse, bem como um leve alívio cômico. E finalmente, palmas para a estreante e encantadora atriz mirim Alison Barry como filha do protagonista.

A fotografia de Christopher Doyle (”Paris, Te Amo“) combinado com a trilha de Kjartan Sveinsson (que não por acaso, lembra acordes de Enya e Loreena McKennitt) são impecáveis e criam todo o clima de romance, drama e tensão quando o momento chega. “Ondine” consegue ser um filme menor em tamanho, mas com uma força capaz de tocar até o cinéfilo mais exigente. O diretor Neil Jordan aumenta ainda mais seu portfólio de produções com nível acima da média. Praticamente um conto de fadas real.

Cotação: ★★★★☆


Ficha Técnica

Elenco:
Colin Farrell
Alicja Bachleda
Stephen Rea
Tony Curran
Dervla Kirwan
Alison Barry
Emil Hostina

Direção:
Neil Jordan

Produção:
TiBen Browning
James Flynn
Neil Jordan

Fotografia:
Christopher Doyle

Trilha Sonora:
Kjartan Sveinsson

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Romance
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Quando em Roma (”When in Rome”, EUA, 2009)

Aldo Alves

“Quando em Roma” está aí pra provar que comédias absurdas não precisam ser necessariamente imbecis como “Plano B“. Kristen Bell (”Encontro de Casais“) é Beth, uma workaholic que faz uma viagem relâmpago para Roma por conta do casamento da irmã mais nova. Lá, conhece o charmoso Nick (Josh Duhamel de “Transformers“) e quando pensa que achou o homem ideal, ela o flagra beijando outra (logicamente um mal entendido). Revoltada, ela vai a fonte dos desejos na frente da igreja e pega algumas moedas, o que vai se provar perigoso, pois a fonte é mágica os homens que jogaram as moedas automaticamente ficaram apaixonados por Beth e irão perseguí-la em todos os lugares.

A ótima decisão do diretor Mark Steven Johnson (”Motoqueiro Fantasma“) foi de trazer os comediantes americanos de sucesso na atualidade para interpretar os homens que se apaixonam magicamente: Will Arnett (”Primavera Maluca“) como um pintor fanático; Jon Heder (”Não Quero Ser Grande“) como um mágico paranóico; Dax Shepard (”Uma Mãe Para Meu Bebê“) como um modelo narcisista; e finalmente o veterano Danny DeVito (”Virando a Mesa“) um empresário e o mais normal de todos.

As piadas conseguem, no mínimo, animar o público, parte por causa do desempenho sempre engraçado dos coadjuvantes, parte por conta de algumas ótimas gags físicas do personagem de Duhamel. Kristen Bell, apesar de não ser dona de um grande carisma consegue convencer no papel e dá certa empatia à personagem. A produção é sim bastante previsível. Cenas cruciais podem ser antecipadas até pelo espectador mediano sem tanta atenção. E até mesmo o maior mistério da história (sobre a ficha de cassino) pode ser rapidamente pode ser rapidamente descoberto.

Mas “Quando em Roma” é daqueles filmes onde mesmo se conhecendo o resultado, a viagem até lá continua sendo o mais importante e isso sim é o que torna o longa eficaz, além dos aspectos técnicos sempre bem elaborados, como a ágil cena abertura dos créditos. Infelizmente é uma comédia altamente recomendável que por não ter atrizes do porte de Jennifer Lopez, sai direto em DVD, enquanto temos que pagar um ingresso pra ver o podre “Plano B“. “Quando em Roma” é o plano A.

Cotação: ★★★☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Kristen Bell
Josh Duhamel
Anjelica Huston
Danny DeVito
Will Arnett
Jon Heder
Dax Shepard
Alexis Dziena
Kate Micucci
Peggy Lipton
Luca Calvani
Keir O’Donnell
Bobby Moynihan
Kristen Schaal
Judith Malina
Lee Pace

Direção:
Mark Steven Johnson

Produção:
Rikki Lea Bestall
Gary Foster
Andrew Panay

Fotografia:
John Bailey

Trilha Sonora:
Christopher Young

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Comédia, Romance
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A Saga Crepúsculo: Eclipse (”The Twilight Saga: Eclipse”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

Se há uma coisa que ninguém gosta é quando vai ao cinema e tem que aturar os gritos da meninada quando o filme começa ou a cada vez que vêem o galã. Com a Saga Crepúsculo, o efeito é potencializado de forma inédita, pois as adolescentes gritam a cada vez que qualquer personagem com menos de 30 anos aparece na tela ou a cada beijo do casal que se ama, mas vive discutindo o relacionamento, Bella e Edward (Kristen Stewart e Robert Pattinson).

Só que pela primeira vez, a galera gritando e fazendo piada pode ser o melhor jeito de passar por “Eclipse” incólume e, quem sabe, até gostar. Nesse capítulo se confirma que ela só pode estar apaixonada por Edward porque ele é vampiro, já que ele continua sendo o cara mais chato do filme, além de ter um conservadorismo tão grande que chega a dar raiva quando Bella tenta uma relação sexual e ele dá pra trás… mais de uma vez. Mas essa é uma visão masculina. Na visão feminina, ele é lindo (sic) e trata sua amada como uma princesa, o que é o sonho de toda mulher. Além disso, a protagonista não é nenhuma modelo capa de revista, fazendo que a afinidade com o público teen feminino seja ainda maior.

Enquanto Jacob (o lobinho Taylor Lautner) tenta pela milésima vez fazer Bella mudar de idéia e ficar com ele, sempre rolando um clima agressivo entre o lobo e o vampiro, não tão longe dali, um exército de vampiros está sendo formado para destruir Bella e a família Cullen. Direto ao ponto, os pontos altos do filme ficam por conta da trama do exército, mesmo que o espectador que não leu o livro, não saiba bem qual o interesse da família Volturi em deixar esse exército tentar destruir os Cullens. Por sinal, a cena da batalha e a primeira cena da saga inteira que vale a pena ver com atenção, pois não poupa violência gráfica, inclusive o triste final onde uma vida inocente é tirada a esmo.

Os coadjuvantes, principalmente a família Cullen, estão mais confortáveis em seus papéis, aumentando sua participação e seu carisma. Agora que a saga está com sucesso absoluto, investiram pesado nos efeitos especiais, surtindo um ótimo efeito na platéia, em especial na inteiração entre atores e criaturas em CGI.

Quem já está nessa terceira parte, já se acostumou com bobagens como a pele dos vampiros ser feita de purpurina ou os lobisomens andarem sempre sem camisa (deve ser pra economizar roupa na hora da transformação). O que não dá pra agüentar, é o joguinho entre os machos alfa pra tentar conquistar Bella, com diálogos tão insossos que chega a dar um gosto amargo na boca. E o diretor David Slade, já com experiência com vampiros desde “30 Dias de Noite“, faz questão de imprimir o ritmo “Malhação” sempre que pode. E o que dizer dos mini-flashbacks previsíveis que parecem ter sido chupados de “Os Normais“?

O remédio pra isso? Muito simples: rir. Com as meninas gritando no cinema, os homens começam a rir e a gritar junto, mas pra tirar um sarro. A seqüência em que Edward e Jacob conversam numa barraca enquanto Bella dorme, parece ter sido tirada de “O Segredo de Brokeback Mountain” com os dois sendo os cowboys gays. É impossível não soltar gargalhadas.

Além das cenas realmente boas, são essas cenas de total escracho, onde o publico se diverte, quem fazem “Eclipse” ser mesmo melhor do que realmente é. E junto com “Crepúsculo” e “Lua Nova“, parecem caminhar num crescente. Lento, mas devagar e sempre.

Cotação: ★★★☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Kristen Stewart
Robert Pattinson
Taylor Lautner
Billy Burke
Ashley Greene
Jackson Rathbone
Nikki Reed
Kellan Lutz
Elizabeth Reaser
Peter Facinelli
Gil Birmingham
Christian Serratos
Dakota Fanning
Anna Kendrick
Bryce Dallas Howard
Sarah Clarke
Jodelle Ferland
Julia Jones
Kirsten Prout
Michael Welch
Cameron Bright
BooBoo Stewart
Jack Huston
Catalina Sandino Moreno

Direção:
David Slade

Produção:
Wyck Godfrey
Greg Mooradian
Karen Rosenfelt

Fotografia:
Javier Aguirresarobe

Trilha Sonora:
Howard Shore

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