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O Aprendiz de Feiticeiro (”The Sorcerer’s Apprentice”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

A parceria entre Disney, Nicolas Cage e o diretor Jon Turteltaub até então produziu resultados fracos como “A Lenda do Tesouro Perdido” e sua continuação. Não é diferente com “O Aprendiz de Feiticeiro“. Talvez a vantagem deste é que, com o uso na magia como mote, os absurdos do roteiro conseguem ficar atenuados.

O feiticeiro Balthazar (Cage) procura através dos séculos o jovem que poderá substituí-lo e finalmente destruir a malvada Morgana (Alice Krige da série “Deadwood“), a qual está aprisionada para sempre (então porque ele se preocupa em destruí-la mesmo?) numa urna mágica. Como todo filme teen que se preza, o escolhido será justamente aquele nerd e loser da turma, incorporado no automático por Jay Baruchel (”Uma Noite no Museu 2“). De tão escolhido que ele é, sem querer liberta da urna o principal ajudante da vilã, Horvath (Alfred Molina vindo do blockbuster “O Príncipe da Pérsia“).

Baseando-se naquele tipo de humor chato – como fazer piadinhas quando se corre sério risco de vida – no suposto carisma de Nicolas Cage e em efeitos especiais monumentais, a produção se iguala a qualquer outra de Turteltaub. Chega ao cúmulo de, com tantas magias disponíveis, fazer o feiticeiro se segurar num parapeito quando estava em queda livre, ignorando o fato de que não há magia suficiente pra seu braço não ter sido arrebentado e ele se espatifado no chão. Além do que, quando um personagem vai ser atingido, sempre (digo sempre) chega outro para salvá-lo. E essas falhas grotescas de roteiro se repetem algumas vezes, dando náuseas ao espectador inteligente.

O destaque vai apenas para a recriação da cena das vassouras que um dia fora brilhantemente manuseada pelos hábeis desenhistas da Disney colocando o Mickey Mouse em apuros. Mesmo minimizada, não deixa de ser uma homenagem.

“O Aprendiz de Feiticeiro” está fadado a virar uma Sessão da Tarde ordinária, mas não dá pra negar que deve atiçar os ânimos da garotada e dos pré-adolescentes. Isso porque o filme se baseia mais numa pesquisa de marketing do que num roteiro artístico.

Cotação: ★★☆☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Nicolas Cage
Jay Baruchel
Alfred Molina
Teresa Palmer
Toby Kebbell
Omar Benson Miller
Monica Bellucci
Alice Krige
Jake Cherry
James Stephens
Gregory Woo

Direção:
Jon Turteltaub

Produção:
Jerry Bruckheimer

Fotografia:
Bojan Bazelli

Trilha Sonora:
Trevor Rabin

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Meu Malvado Favorito (”Despicable Me”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

A Pixar fez com que as animações caíssem no gosto do povo. Vários estúdios estão se firmando como produtores desse gênero com uma regularidade quase industrial. Até a própria Disney – que comprou a Pixar – lança seus longas sem sua parceira; além da Dreamworks, Sony e agora até a Universal está na jogada com uma premissa de que o herói é o vilão. Não é original, mas chama atenção. Só que o vilão, Sr. Gru está longe de ser mal. Pelo contrário, logo conquista afinidade com o público.

Pra ter o título de “Melhor Vilão do Mundo“, ele decide roubar a lua, só que para isso deve antes roubar um raio encolhedor que está na casa do vilão concorrente Vector. Ele elabora um plano onde adota três crianças órfãs e quer fazer com que elas roubem o raio para ele. No meio do caminho, as crianças – é óbvio – vão conquistar o coração do vilão que ficará na dúvida se ele quer mesmo fazer o mal.

Tecnicamente há anos-luz da sofisticação de uma Pixar, seus realizadores apostaram nas batidas piadas dos desenhos animados da década de 60, principalmente as gags físicas, as quais são executadas com relativo sucesso, cumprindo o papel de fazer o espectador se desfazer de rir. A química entre as órfãs e o protagonista é bem previsível é as pequenas criaturas que povoam o laboratório são engraçadinhas, mas não têm o destaque que o marketing promocional do filme propôs.

De tempero atual, algumas boas referências como a do filme “Armagedon” quando Gru coloca sua roupa de astronauta ou a de “O Poderoso Chefão” quando ele acorda com os brinquedos das crianças ao lado da cama. Mesmo sem nenhum grande apelo ou idéias “fora da caixa”, o conjunto da obra de “Meu Malvado Favorito” unido a agora onipresente tecnologia 3D nas animações faz com que seja sempre bem recomendado pra levar a garotada. Sem stress.

Cotação: ★★★☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Jason Segel
Steve Carell
Miranda Cosgrove
Will Arnett
Kristen Wiig
Danny McBride
Russell Brand
Julie Andrews
Jemaine Clement
Elsie Fisher
Dana Gaier

Direção:
Pierre Coffin
Chris Renaud

Produção:
John Cohen
Janet Healy
Christopher Meledandri

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Shrek para Sempre (”Shrek Forever After”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

Shrek não aprendeu com “Toy Story“. Depois de duas partes interessantes, sua terceira empreitada fez tudo errado: não trouxe personagens novos e interessantes, pouquíssimas surpresas e uma história frágil e episódica. Enquanto isso a saga dos brinquedos da Pixar conseguiu sempre preencher a tela com novos brinquedos e aumentar ainda mais a potencialidade de nossos velhos conhecidos.

Na quarta e aparentemente última parte da história do nosso Ogro favorito, pelo menos seus realizadores desenharam uma história bem mais elaborada que seu antecessor, mesmo que parta de uma premissa já vista: cansado da vida de casado e domesticado, ele briga com Fiona e encontra uma pequena criatura maléfica que quer tomar o reino (por sinal, o espectador o conhece numa ótima seqüência que cronologicamente é do tempo do primeiro “Shrek“). O ardiloso Rumpelstiltiskin convence Shrek a assinar um contrato mágico que dá um dia para ele viver como o ogro que sempre quis (solteiro), mas também lhe rouba um dia: justamente o dia em que ele nasceu. Dessa forma, ele não existiria, não salvaria Fiona e assim Rumpelstiltiskin torna-se o novo rei. Com apenas 24 horas de existência sobrando Shrek tem que convencer seus amigos – que não o conhecem mais – a achar uma reversão para esse contrato.

Claramente a trama foi inspirada ou chupada de “Star Trek” com suas teorias de viagem no tempo e desvios do destino, mas não deixa de ter seu grau de originalidade aplicada à animação. Continua pecando por não trazer personagens novos que realmente encantem a platéia. Com exceção de Rumpelstiltiskin, os demais – leia-se a tribo de ogros e o flautista mágico – não passam de acessórios.

Ainda assim Mike Mitchell (”Super Escola de Heróis“) conseguiu provocar uma narrativa ágil, que não cansa o espectador, principalmente assistindo em 3D. Destaque para o Gato de Botas que rouba todas as cenas. Entre erros e acertos, Shrek continua sendo um programa certeiro para a família.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Mike Myers
Cameron Diaz
Eddie Murphy
Antonio Banderas
Walt Dohrm
Julie Andrews
John Cleese
Jon Hamm
Craig Robinson
Larry King
Jane Lynch
Christopher Knights
Cody Cameron
Lake Bell

Direção:
Mike Mitchell

Produção:
Teresa Cheng
Gina Shay

Fotografia:
Yong Duk Jhun

Trilha Sonora:
Harry Gregson-Williams

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Toy Story 3 (EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

A cada nova produção da Pixar, vira lugar comum dizer que eles se superaram mais uma vez. Pois é, mas eles se superaram mais uma vez. A começar pelo curta-metragem que antecede “Toy Story 3“, chamado de “Night & Day“, uma mistura de animação convencional com computadorizada e com tempero especial pra quem vai ver em 3D sobre duas entidades que representam o dia e a noite e como cada cenário projetado nelas, refletem seus sentimentos. Chega a ser genial.

Indo para a atração principal encontramos os brinquedos do garoto Andy já jogados no baú, pois 10 anos se passaram e ele já está indo para a faculdade. Por um engano, os brinquedos vão parar numa creche comandada por um brinquedo maquiavélico e Woody e Buzz, junto com seus amigos, devem achar um jeito de escapar de lá e voltar pra casa.

O filme já começa com uma seqüência sensacional que simula a imaginação de Andy, ainda garoto, brincando com seus brinquedos, para logo depois mostrar a dolorosa passagem do tempo e sua gradativa mudança de comportamento em detrimento a seus antigos “amigos”. O que se segue depois são situações muito bem elaboradas que primam por atender crianças e adultos: se as primeiras são capazes de discernir perfeitamente o cenário geral, o rumo que a narrativa toma e, porque não, emocionar-se com o destino dos personagens, seus realizadores fazem piadas e sacadas sofisticadas com as quais os adultos vão se relacionar e se deliciar. As inúmeras piadas envolvendo o boneco Ken (o namorado da Barbie) são sensacionais, desde as mais escancaradas às mais sutis.

A qualidade técnica da animação – a qual a Pixar sempre se supera – é tão meticulosa quanto a profundidade de seus personagens. Reparem que a passagem de Andy para a vida “adulta” deixa suas cicatrizes de saudade, ao mesmo tempo em que se investe um tempo curto, mas essencial no drama de sua mãe ver seu filho partir e isso se refletir no vazio em que ficou o quarto dele. Ao mesmo tempo, suas expressões faciais, por mais que sejam desenhos longe da exata forma humana, são tão profundas como a de qualquer ator de carne e osso.

Além disso, o roteiro consegue aproveitar toda a potencialidade que as características de seus personagens permitem: veja a inventiva maneira que o Sr. Batata escapa de um ambiente fechado ou da nova configuração espanhola de Buzz. A partir do terceiro ato, “Toy Story 3” passa a ser uma montanha russa de emoção para o espectador indo da tensão (a cena sinistra com o Bebezão no balanço é de dar calafrios), às lagrimas e aos risos em questão de minutos.

Com um desfecho que se equilibra entre a surpresa e a mais pura emoção, a nova animação da Pixar pode ser considerada até agora a melhor do ano. Já uma candidata ao Oscar.

Cotação: ★★★★★


Ficha Técnica

Elenco (vozes):
Tom Hanks
Tim Allen
Michael Keaton
Joan Cusack
R. Lee Ermey
John Ratzenberger
John Morris
Laurie Metcalf
Wallace Shawn
Don Rickles
Jodi Benson
Ned Beatty
Estelle Harris
Whoopi Goldberg
Timothy Dalton

Direção:
Lee Unkrich

Produção:
Darla K. Anderson

Trilha Sonora:
Randy Newman

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Onde Vivem os Monstros (”Where the Wild Things Are”, EUA, 2009)

Aldo Alves

Há filmes que passam fortes mensagens. Entretanto às vezes elas estão tão diluídas na essência da produção que o espectador pode não querer se esforçar pra captá-la.

O ótimo ator mirim Max Records (”Vigaristas“) é uma criança de uma família de pais separados que mora com a mãe (Catherine Keener de “O Solista“) e passa por uma daquelas crises infantis onde se acha o homem da casa, quer ser o centro das atenções e se ressente da mãe começar a namorar. Sempre muito intenso, numa das visitas do namorado (Mark Ruffalo de “Redes do Crime” numa ponta de segundos), ele faz uma grande bagunça, desrespeita a mãe e ao ser repreendido, foge de casa, pegando um barquinho e navega até uma ilha com enormes criaturas. Elas fazem amizade com Max e o tornam seu rei. E é aí que ele vai descobrir que ser responsável por várias pessoas gerenciando suas emoções e egos é uma tarefa tão árdua quanto a de ser mãe ou de ser filho.

Em quesitos técnicos, a obra é uma verdadeira fábula. Sem apelar para efeitos especiais de ponta, mas de forma tão discreta que o espectador nem percebe (afinal o custo foi de R$ 80 milhões). O grande destaque vai para os bonecos animatronics, cujas expressões faciais são perfeitas e muitas vezes chegam a emocionar mais do que atores de carne e osso. A trilha sonora de Carter Burwell e Karen Orzolek (”Um Sonho Possível“) é apaixonante e faz uma diferença soberba.

Mas o principal, é claro, fica por conta da história contada por Spike Jonze, o qual consegue dirigir longas brilhantes como “Quero Ser John Malkovich” e participar de comédias besteiróis como “Jackass“. A tal mensagem profunda de “Onde Vivem os Monstros” – e aqui não estamos falando de nenhuma surpresa – é que claramente toda a aventura do protagonista se passa em sua imaginação. Todos os monstros não passam de partes de sua própria personalidade: Carol é aquele sempre preso à figura materna, no caso vivenciado pelo monstro KW e sente ciúme das corujas amigas que seriam relacionadas à figura do namorado; Judith como aquela nunca satisfeita por mais que os outros empreguem esforços pra agradá-la; Alexander como aquele que nunca é escutado, entre outros. Todos interpretados por vozes de grandes atores como Chris Cooper (”Nova York Eu Te Amo“), Forest Whitaker (”Ponto de Partida“), James Gandolfini (”Família Soprano“) só pra citar alguns. A grande sacada é que em momento algum é dito pelo roteiro é que isso está apenas na cabeça de Max.

E é justamente ver o confronto do garoto com suas próprias facetas internas é que torna a obra tão bela e significativa, mesmo que nem todos percebam sua intensidade. Chega a ser quase um tratado de terapia infantil para adultos. Pra sair emocionado.

Cotação: ★★★★☆


Ficha Técnica

Elenco:
Max Records
Catherine Keener
Lauren Ambrose
Catherine O’Hara
Tom Noonan
Forest Whitaker
James Gandolfini
Paul Dano
Chris Cooper
Michael Berry Jr.
Pepita Emmerichs
Mark Ruffalo

Direção:
Spike Jonze

Produção:
John B. Carls
Gary Goetzman
Tom Hanks
Vincent Landay
Maurice Sendak

Fotografia:
Lance Acord

Trilha Sonora:
Carter Burwell
Karen Orzolek

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Os Fantasmas de Scrooge (”Disney’s A Christmas Carol”, EUA, 2009)

Aldo Alves

Um dos mais famosos contos de Charles Dickens já teve diversas roupagens para o cinema, sempre variando entre o bom e simpático, como em “Os Fantasmas Contra Atacam” na década de 80, até o duvidoso como o mais recente “Minhas Adoráveis Ex-Namoradas“.

Enquanto isso, Robert Zemeckis parece numa cruzada para fazer animações em computação gráfica transmutando atores de verdade em pixels desde 2004 com “O Expresso Polar” e depois 2007 com “A Lenda de Beowulf“. Nesse “Os Fantasmas de Scrooge“,talvez uma das mais fiéis adaptações do livro, dá pra se notar a evolução da técnica, porém a história em si não carece de criatividade para esses efeitos, o que no quesito deslumbramento, acaba sendo um passo atrás.

Acostumado com papéis para o Natal desde “O Grinch“, Jim Carrey (”Sim Senhor“) encarna Ebenezer Scrooge, um velho avarento que odeia o Natal. Até que ele é visitado pelo seu falecido sócio, avisando que ele receberá a visita de três espíritos do Natal – vocês sabem: o do passado, presente e futuro – para que ele consiga deixar as questões materiais fora de seu coração.

O resto é uma histórias que mesmo, com apuro visual, tem poucos atrativos, até porque Zemeckis abraçou uma causa humanista de tal forma que o filme fica com aquela cara de dramalhão, o que não combina muito com o modus operandi de Carrey. Parece não haver um encaixe entre o que a produção é e o que ela deveria ser.

Resta o passatempo de associar a face de cada personagem ao ator correspondente (Jim Carrey faz pelo menos três personagens. Tente descobrir), curtir a maravilhosa trilha do parceiro de Zemeckis desde “De Volta Para o Futuro” Alan Silvestri e encarar a lição de moral que parece ser datada, mas deve funcionar melhor com a criançada. Alugar o DVD é uma ótima maneira de descobrir.

Cotação: ★★½☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Jim Carrey
Gary Oldman
Colin Firth
Bob Hoskins
Robin Wright Penn
Cary Elwes
Fionnula Flanagan
Lesley Manville

Direção:
Robert Zemeckis

Produção:
Robert Zemeckis
Jack Rapke
Steve Starkey

Fotografia:
Robert Presley

Trilha Sonora:
Alan Silvestri

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