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Três Vezes Amor (”Definitely, Maybe”, EUA, 2008)

Aldo Alves

Qualquer comédia romântica ou romance bem humorado deve cativar o público de alguma forma para se destacar, já que o roteiro desse gênero costuma ser enlatado ao ponto do público já saber o final. Isso pode ser feito com boas e divertidas atuações, direção ágil, trilha sonora certa na hora certa, enfim, uma série de recursos. Agora imagine um filme do gênero que tem tudo isso e mais um roteiro fantástico e totalmente original. Estamos falando de “Três Vezes Amor“.

A história parte de uma conversa entre pai e filha. Ela é Maya (a fantástica Abigail Breslin de “Pequena Miss Sunshine”) e volta do colégio cheia de perguntas sobre relacionamento para o pai (Ryan Reynolds de “Apenas Amigos”), o qual está em processo de separação da mãe de Maya. Essas perguntas culminam num enigma amoroso: ele decide contar a história de seus três relacionamentos trocando os nomes das mulheres para que Maya consiga descobrir qual delas é sua mãe.

E a produção segue cheia de reviravoltas, com interrupções engraçadíssimas da personagem de Breslin. O melhor é a mensagem: mais que descobrir o enigma, o importante é descobrir a felicidade. Mesmo as caras e bocas que Reynolds faz em todas as suas comédias não atrapalham o êxito do filme, cujo principal ponto é falar sobre relacionamentos de forma real, isto é, mostrando o quanto são complicados. “Três Vezes Amor” é mais que um divertimento para casais. É uma aula.

Cotação: ★★★★☆


Ficha Técnica

Elenco:
Ryan Reynolds
Isla Fisher
Derek Luke
Abigail Breslin
Elizabeth Banks
Rachel Weisz
Kevin Kline

Direção:
Adam Brooks

Produção:
Tim Bevan
Eric Fellner

Fotografia:
Florian Ballhaus

Trilha Sonora:
Clint Mansell

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Romance
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Os Reis da Rua (”Street Kings”, EUA, 2008)

Aldo Alves

Não é só de “Tropa de Elite” que se vive na indústria cinematográfica mostrando a corrupção na polícia. “Os Reis da Rua” também faz isso lá pelas terras do Tio Sam. Se bem que numa trama mais rasteira, o que não deixa de ser uma boa opção para quem quer um bom policial.

Keanu Reeves (”A Casa do Lago”) é um policial corrupto. Porém, com a morte de um antigo parceiro, ele decide investigar e descobre que, para pegar os assassinos, deve ir contra o sistema que ele próprio ajudou a manter.

O que mais chama atenção é a direção firme de David Ayer, especialista em filmes policiais, como o ótimo “Tempos de Violência”. Ele consegue nunca deixar a peteca cair, imprimindo um ritmo tenso que acaba cativando o espectador. Também tem o personagem de Reeves, o qual é muito bem trabalhado tanto pelo diretor quanto pelo ator, já que notamos a gradual transformação do personagem em busca da redenção sem apelar para velhos clichês. Chega a ser um ótimo exercício analisar o senso de justiça do personagem no decorrer da trama, principalmente em seu final.

Por outro lado, o roteiro tenta dar algumas reviravoltas, mas sempre leva a uma óbvia conclusão, isto é, no final o culpado é exatamente quem o espectador pensa no início. Mas, como para muitos o que vale não é o destino, mas sim a viagem, dá pra sentar na cadeira e assistir sem medo de errar.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Keanu Reeves
Forest Whitaker
Martha Higareda
Chris Evans
Kevin Benton
Hugh Laurie
Naomie Harris
Terry Crews
Cedric the Entertainer
Jay Mohr
Clifton Powell
John Corbett

Direção:
David Ayer

Produção:
Lucas Foster
Alexandra Milchan
Erwin Stoff

Fotografia:
Gabriel Beristain

Trilha Sonora:
Graeme Revell

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A Caçada (”The Hunting Party”, EUA, 2007) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

Baseado num artigo publicado pela Enquire nos EUA, esse thriller muito bem humorado fala sobre um jornalista (Richard Gere, de “Justiça a Qualquer Preço”) que, anos após sofrer um colapso nervoso, passa a caçar um terrorista na Bósnia. Para isso, ele conta com a ajuda de seu velho amigo e camera man (Terrence Howard, de “O Homem de Ferro”) e um novato jornalista (Jesse Eisenberg, de “A Lula e a Baleia”).

Talvez a principal dificuldade do público ao assistir a esse filme, será digerir se é melhor encará-lo como um sério thriller político ou como uma comédia. O diretor Richard Shepard (”O Matador”) escolhe salpicar ambos. Se por um lado, o bom humor torna a narrativa mais ágil e mais positiva, por outro suaviza demais o roteiro passando uma aparência superficial, ou melhor, de que tudo foi festa.

Mesmo assim, o desempenho do trio de protagonista é surpreende e o longa traz, de qualquer maneira, uma mensagem política muito clara. Destaque para os créditos no final com algumas das mais sarcásticas tiradas.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Richard Gere
Terrence Howard
Jesse Eisenberg
Diane Kruger
James Brolin

Direção:
Richard Shepard

Produção:
Bill Block
Mark Johnson
Scott Kroopf

Fotografia:
David Tattersall

Trilha Sonora:
Rolfe Kent

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Ação, Comédia
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Agente 86 (”Get Smart”, EUA, 2008) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

Pode-se dizer que “Agente 86″ é uma adaptação bem sucedida. Isso porque conseguiu pegar o espírito da série de sucesso nos anos 60. E muito desse mérito vai para o protagonista Steve Carrel (”O Todo Poderoso 2″), que consegue um timing cômico excelente e definitivamente faz rir.

Mostrando como Maxwell Smart virou o Agente 86, o filme conta que os agentes da K.A.O.S. descobriram todos os agentes da C.O.N.T.R.O.L.E. e como Max era apenas um analista, decidiram promovê-lo a agente para desvendar um possìvel ataque terrorista.

É bem verdade que a direção de Peter Segall (”Como se Fosse a Primeira Vez”) é por demais burocrática e está longe de ser original. Mas não é todo dia que vemos Dwayne “The Rock” Johnson (”O Fim do Mundo”) tão bem numa comédia, ao lado de Carrell. E para os mais nostálgicos, é ótimo ouvir mais uma vez a mesma trilha, agora turbinada em novas versões. Enfim, um filme de risadas óbvias, mas ainda assim boas risadas, tornando-se um ótimo programa descompromissado para o fim de semana.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Steve Carell
Anne Hathaway
Dwayne Johnson
Alan Arkin
Terence Stamp
Ken Davitian
David Koechner
James Caan
Masi Oka
Nate Torrence
Terry Crews

Direção:
Peter Segal

Produção:
Alex Gartner
Eric L. Gold
Andrew Lazar
Charles Roven

Fotografia:
Dean Semler

Trilha Sonora:
Trevor Rabin

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Comédia
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Como Roubar um Banco (”How to Rob a Bank”, EUA, 2007)

Aldo Alves

O roteiro mais débil mental do ano é esse: um jovem panaca (Nick Stahl, de “Sin City”) fica preso dentro do cofre de um banco, por conta de um assalto que deu errado, junto com uma das comparsas do bando (Erika Christensen, de “Plano de Vôo”). Daí, ele acaba mediando a negociata entre bandidos e a polícia.

Tentaram fazer uma comédia de ação, mas acaba sendo uma das empreitadas mais retardadas da história. Com diálogos sofríveis, que torturam o espectador durante boa parte do tempo, o diretor iniciante Andrews Jenkins tenta (e falha miseravelmente) imprimir ritmo ágil através de cortes rápidos como num videoclipe, mas é desmascarado por qualquer espectador como uma fraude.

Os atores têm um péssimo timing cômico e só quem se salva é Gavin Rossdale (”Constantine”), mostrando um apurado senso de comédia. No mais, é uma perda de tempo das grandes.

Cotação: ★☆☆☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Nick Stahl
Erika Christensen
Gavin Rossdale
Terry Crews
David Carradine

Direção:
Andrews Jenkins

Produção:
Rick Lashbrook
Tim O’Hair
Darby Parker
Arthur Sarkissian

Fotografia:
Joe Meade

Trilha Sonora:
Didier Lean Rachou

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O Clã das Adagas Voadoras (”Shi Mian Mai Fu”, China, 2004)

Aldo Alves

Tal qual o clássico de William Shakespeare, este exemplar do cinema oriental tipo exportação conta uma história de amor impossível. Mas, dessa vez o casal se encontra em lados opostos da lei. Pode parecer bobagem para nós brasileiros, mas na China do século passado (e talvez até atualmente) esses valores são levados a sério. E justamente no fato de nos colocar essa realidade sem parecer ridículo, encontra-se o primeiro ponto positivo do filme.

O clã das adagas voadoras é um movimento revolucionário contra o governo chinês. Ao prender Mei (Zhang Ziyi de “Herói”), uma das garotas que fazem parte do clã, Jim (Takeshi Kaneshiro), um policial guerreiro, traça um plano para libertá-la somente para acompanhá-la a chefe do clã e assim ter a chance de prender a todos. Porém, no meio do caminho, ele se apaixona pela sua “presa”, o que acaba fazendo ter sentimentos conflitantes sobre o dever a cumprir.

Anos-luz à frente de “O Tigre e o Dragão”, o filme mostra batalhas belíssimas com técnicas inéditas. Ao contrário de “O Tigre e o Dragão”, onde era clara a intervenção de fios para segurar os atores, desta vez os efeitos especiais fazem com que o peso dos atores seja sentido na tela. Até os efeitos digitais satisfazem o espectador, que não repara nas manobras improváveis de flechas e adagas.

As batalhas, entretanto, não seriam as mesmas não fosse pela espetacular fotografia que mistura cores como numa pintura quinhentista. Ao atravessar as florestas em buscas do esconderijo do clã, enfrentando em várias ocasiões os soldados do general chinês, tem-se a nítida impressão de estarmos percorrendo diferentes mundos, dado à mudança e ao contraste de cores que inundam a tela com uma complexidade e harmonia pouco vistas antes.

Quem pensa que este filme se limita a belas imagens para disfarçar o pouco conteúdo se engana. Além de contar uma linda história de amor, seu terceiro ato é recheado de reviravoltas surpreendentes. Ainda, seus roteiristas se deram ao ótimo luxo de deixar seu final dúbio com a última batalha entre a polícia e o clã por acontecer. Já para os protagonistas, o fim é shakespeareano e surreal, com efeitos digitais de neve convincentes permeando o ambiente.

O diretor Zhang Yimou conseguiu fazer um filme melhor do que o seu também ótimo “Herói” onde maior mérito é no contraste de lutas de sangue com o sublime amor. Um produto de exportação com a mais alta qualidade made in Japan.

Cotação: ★★★★½


Ficha Técnica

Elenco:
Takeshi Kaneshiro
Andy Lau
Zhang Ziyi
Song Dandan

Direção:
Zhang Yimou

Produção:
William Kong
Zhang Yimou

Fotografia:
Zhao Xiaoding

Trilha Sonora:
Shigeru Umebayashi

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