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Cadillac Records (EUA, 2008)

Aldo Alves

A história da origem do rock’n’roll é contada através da Chess Records, gravadora que ajudou grandes nomes como Muddy Waters e Chuck Berry a cravarem sua música para sempre no mundo. A trama foca principalmente o relacionamento entre o dono da gravadora, Leonard Chess (Adrian Brody de “Viagem a Darjeeling“) e Walters (Jeffrey Wright de “007 – Quantum of Solace“) e narra todos os anos onde a gravadora esteve no topo das paradas com seus artistas, como Chess gostava de presenteá-los com Cadillacs, porém retendo para si os direitos autorais.

Como registro histórico, salvo às licenças poéticas, é válido. Porém, seus realizadores quiseram fazer dois filmes em um, juntando musical e drama, porém sem ser uma fusão, mas é como se literalmente fizessem um filme de drama, outro do gênero musical e partissem os filmes em vários pedacinhos, juntando-os num só monstrengo de quase duas horas de duração.

Assim, os amantes da música vão se frustrar com as arrastadas passagens dramáticas entre um número e outro. Os cinéfilos e conhecedores de boas histórias, devem achar interessante o destino dos personagens, mas vão torcer o nariz para uma fluidez narrativa fraca (inclusive a passagem do tempo é muito mal registrada) e a quebra de ritmo constante por conta dos números musicais, os quais por serem na maioria dentro dos estúdios acabam perdendo a graça até mesmo como musical. O resultado? Provavelmente não vai agradar a nenhum segmento, se convertendo apenas numa experiência regular e cansativa que alguns devem assistir no fast foward.

Sim, Wright está ótimo como Muddy Waters e Mos Def (”Rebobine Por Favor“) empresta seu sarcasmo na ótima caracterização de Chuck Berry. E tem a cantora Beyoncé que… canta, além, é claro, de ser linda (ela também arriscou no cinema em “A Pantera Cor de Rosa“). Apenas para gostos bem particulares e por sua conta e risco.

Cotação: ★★½☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Adrien Brody
Jeffrey Wright
Gabrielle Union
Beyoncé Knowles
Columbus Short
Mos Def
Cedric the Entertainer
Emmanuelle Chriqui
Eamonn Walker

Direção:
Darnell Martin

Produção:
Andrew Lack
Sofia Sondervan

Fotografia:
Anastas Michos

Trilha Sonora:
Terence Blanchard

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Drama, Musical
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Rudo & Cursi (México / EUA, 2008)

Aldo Alves

É a primeira produção da empresa formada pelo trio Guillermo Del Toro (”O Labirinto do Fauno“), Alejandro González Iñárritu (”Babel“) e Alfonso Cuarón (”Filhos da Esperança“) e dirigido pelo irmão desde último, Carlos Cuarón.

Uma boa reunião de amigos não poderia deixar de ter em seus papéis principais Digo Luna e Gael Garcia Bernal, ambos de “E Sua Mãe Também” de 2001, filme que levou Alfonso Cuarón ao estrelato. Com todos esses grandes nomes, é uma surpresa que a obra seja apenas um modesto drama mexicano sobre dois irmãos pobres, seus atritos e diferenças quando são descobertos pelo futebol profissional.

Tato, sempre ranzinza e jogando como goleiro recebe apelido de Rude (Rudo), enquanto Beto, o caçula se vê deslumbrado com oportunidade e começa a ostentar sua condição, recebe o apelido de Cursi por conta da lavada de gols que ele provoca no início de sua carreira. Ao contrário do que a capa do DVD mostra, apesar das constantes rusgas, é notável o amor fraterno entre os dois.

O mote de “Rudo & Cursi” – e que o Cuarón faz de modo esquemático demais – é mostrar dois irmãos diferentes que conseguem cair em todas as armadilhas da fama, de mulheres interesseiras (destaque para a mexicana Jessica Mas, um verdadeiro colírio), passando pelas drogas, problemas com agiotas e gostos excessivos com supérfluos. O maior problema da narrativa é que isso acontece quase como esquetes por conta do roteiro muito burocrático. Dessa forma o espectador está sempre alguns minutos a frente do que vai acontecer.

Destaque para o comediante argentino Guillermo Francella que faz frente sem medo à atuação da dupla de protagonistas. Com um final singelo, “Rudo & Cursi” ainda conserva uma certa inocência, boa qualidade para os padrões do gênero, entretanto se beneficiaria um pouco com um edição mais ágil devido a sua longa duração.

Cotação: ★★★☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Gael García Bernal
Diego Luna
Jessica Mas
Guillermo Francella
Salvador Zerboni
Tania Esmeralda Aguilar
Joaquin Cosio
Alfredo Alfonso

Direção:
Carlos Curón

Produção:
Alfonso Cuarón
Guillermo del Toro
Alejandro González Iñárritu
Frida Torresblanco

Fotografia:
Adam Kimmel

Trilha Sonora:
Leoncio Lara – Composer
Felipe Perez Santiago

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Drama
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Coração de Tinta (”Inkheart”, EUA / Alemanha / Inglaterra, 2008)

Aldo Alves

Apesar de ser um ator versátil, Brendan Fraser sempre ficou muito a vontade fazendo produções mais populares para o público jovem, desde o ótimo “A Múmia” (o primeiro) até os regulares “Viagem ao Centro da Terra” e “Monkeybone – No Limite da Imaginação” ou o engraçado “George, O Rei da Floresta“. É de se estranhar, portanto, que ele pareça tão desconfortável fazendo “Coração de Tinta” no papel de um livreiro (aquele que restaura livros) que tem o dom de trazer os contos para a realidade, caso os leia em voz alta.

Na verdade não e estranho. É que dessa vez ele pegou um roteiro muito ingrato. Primeiro que ao invés de explorar as infinitas possibilidades dos poderes, o filme opta por dar um único caminho, o da busca pela sua esposa, sendo que nunca tem espaço para uma trama mais ousada. Também seus realizadores não se decidiram entre uma abordagem mais cômica e infantil ou uma mais séria e adulta, o que faz o filme ter momentos discrepantes que ao invés de agradar a todos, podem não agradar a ninguém. Fora as terríveis técnicas que truncagem e a péssima imaginação nos momentos em que os personagens dos livros ganham vida.

Chega a surpreender, numa história dessas, a quantidade de atores do time A de Hollywood presente na produção, como Paul Bettany (”Firewall – Segurança em Risco“), Hellen Mirren (”Intrigas de Estado“) e Jim Broadbent (”Harry Potter e o Enigma do Príncipe“). Ganhou quem comprou o papel dramático de corpo e alma, como na linda interpretação de Bettany que ofusca os demais, sempre que aparece. Além é claro da ótima ponta da maravilhosa Jennifer Connelly (”Ele Não Está Tão a Fim de Você“), esposa de Betanny na vida real e que prova que ela dá luz a qualquer obra mesmo entrando muda e saindo calada.

Com alguns ótimos efeitos especiais pelo menos no último ato, é lá mesmo que o roteiro enlouquece jogando todas as premissas apresentadas pelo ralo. “Coração de Tinta“, baseado no livro homônimo de Cornelia Funke, revela-se uma decepção pelo que poderia ser, tornando-se apenas uma diversão fraca, relegada a uma provável Sessão da Tarde em alguns anos.

Cotação: ★★☆☆☆


Ficha Técnica

Elenco:

Brendan Fraser
Sienna Guillory
Eliza Bennett
Paul Bettany
Helen Mirren
Matt King
Stephen Graham
Andy Serkis
Rafi Gavron
Jennifer Connelly
Jim Broadbent

Direção:
Iain Softley

Produção:
Cornelia Funke
Ileen Maisel
Diana Pokorny
Iain Softley

Fotografia:
Roger Pratt

Trilha Sonora:
Javier Navarrete

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Ação, Infantil
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Inimigos Públicos (”Public Enemies”, EUA, 2009) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

Michael Mann sempre soube casar ótimas performances de seus atores com o realismo total, principalmente quando se trata de violência. Sendo assim não é por acaso que esse realismo extrapole para uma sensacional reconstituição de época da década de 30, logo após a Grande Depressão. É nesse cenário que conhecemos nosso anti-herói John Dillinger, nada menos que Johnny Depp de “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet“, num de seus poucos papéis, digamos normais, desde “O Libertino” em 2004.

Dillinger é implacável, foge de prisões com uma facilidade ímpar e é frio e calculista na hora de assaltar um banco e sempre se sai bem. Para combater esse aparente invencível criminoso, contratam um jovem, inteligente e persistente agente Melvin Purvis (Christian Bale de “Exterminador do Futuro – A Salvação“), cuja filosofia extrapola a força física e já penetra na inteligência da informação.

Sentiram o aroma de “Os Intocáveis“? Mas vindo de Mann, o que parece mais é como se ele tivesse feito um outro “Fogo Contra Fogo“, só que 60 anos antes. Se bem que o bandido de Depp tem uma grande diferença do vilão interpretado por De Niro em 1995: ao contrário deste, Dillinger tem na soberba seu maior defeito e uma queda quase fatal por uma determinada mulher, Billie (Marion Cotillard de “Piaf“).

Uma das coisas que chama atenção e que o bom cinéfilo deve reparar, há uma penca de atores conhecidos nesta produção que, provavelmente pelo crédito do diretor, aceitaram fazer qualquer papel. Tanto é que, com exceção do sempre ótimo Billy Crudup (”Watchmen – O Filme“), que tem um destaque maior e está sempre em forma, chega a ser difícil prestar atenção nos demais, que não no trio de protagonistas.

Cheio de frases de efeito, iconoclastias e um terceiro ato com toda a pompa de uma superprodução (leia-se a cena do cinema, a qual aconteceu de verdade), ainda sim, Mann conseguiu passar uma visão clara da época e do comportamento das pessoas em face do cenário econômico nos EUA. Como sempre, o diretor exibe uma fotografia impecável, sabendo o momento de planos mais altos e com a câmera sempre em movimento, mesmo em cenas de diálogos para deixar o espectador de sobressalto. “Inimigos Públicos” está longe de ser pop e talvez demore mais que o necessário, mas é aquela pérola para se observar com carinho, e principalmente atenção.

Cotação: ★★★★☆


Ficha Técnica

Elenco:
Johnny Depp
Christian Bale
Marion Cotillard
Channing Tatum
Giovanni Ribisi
Billy Crudup
Stephen Dorff
David Wenham
Stephen Graham
Jason Clarke
Stephen Lang
Ed Bruce
Bill Camp
Rory Cochrane
Brian Connelly
Matt Craven
Diana Krall
John Ortiz
James Russo
Casey Siemaszko
Leelee Sobieski
Lili Taylor

Direção:
Michael Mann

Produção:
Kevin Misher

Fotografia:
Dante Spinotti

Trilha Sonora:
Elliot Goldenthal

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Ação, Drama
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Primavera Maluca (”Spring Breakdown”, EUA, 2008)

Aldo Alves

Já repararam que a maioria das ótimas comédias escrachadas são protagonizadas por homens? Pegue “Superbad – É Hoje!” e “Ligeiramente Grávidos” por exemplo. Não é bem assim. As distribuidoras parecem ter esse machismo na hora de lançar no cinema. Mas as mulheres vão muito bem (obrigado) também fazendo comédias acima da média, só que aparecem mais direto nas locadoras e se o espectador não toma cuidado, pode passar batido por algumas pérolas. É o caso de “Uma Mãe para Meu Bebê” e deste “Primavera Maluca“, ambas estreladas por Amy Poehler.

Ela e mais duas amigas, Parker Posey de “Fay Grim” e Rachel Dratch de “Eu Odeio o Dia dos Namorados“, sempre foram nerds e rejeitadas na faculdade. Anos depois, elas continuam nerds e com empregos medíocres. Quando a personagem de Posey é enviada para um campo de verão tipo Ibiza para vigiar a filha da chefe, as outras duas vão juntos e lá – como dizia o narrador dos comerciais da Sessão da Tarde – aprontam mil confusões.

É gratificante ver que as mulheres também podem ser politicamente incorretas. Não só o trio principal como também o ótimo time de coadjuvantes como Missi Pyle (”Banquete do Amor“) e a engraçadíssima Jane Lynch (”Faça o que eu Digo, Não Faça o que eu Faço“). A trama de como nosso trio de heroínas se adaqua, cada uma a sua maneira, à temporada de verão com muito álcool e promiscuidade, apesar daquela impressão de já termos visto isso antes, foi feito com tanta criatividade que o espectador consegue engolir tranquilamente que aquelas situações são possíveis, salvas as devidas proporções. Destaque para a ótima trilha sonora que deve agradar tanto a oitentistas, como também quem gosta dos rocks atuais.

Apenas no último ato, o roteiro escorrega um pouco e força a barra, principalmente na apresentação do grupo, mas nada que ponha a produção a perder. A única frustração são nos extras com os erros de gravação fraquíssimos. Porém “Primavera Maluca” vale por si só e merecia ter estreado nos cinemas. Que bom que ainda existem as locadoras!

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Amy Poehler
Rachel Dratch
Parker Posey
Amber Tamblyn
Missi Pyle
Jane Lynch
Armie Hammer Jr.
Nick Thune
Jonathan Sadowski
Sophie Monk
Kristin Cavallari
Will Arnett

Direção:
Ryan Shiraki

Produção:
Rick Berg
Larry Kennar

Fotografia:
Frank G. de Marco

Trilha Sonora:
Deborah Lurie

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Comédia
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Bolt – Supercão (”Bolt”, EUA, 2008)

Aldo Alves

Com a Disney agora abrangendo dois núcleos de animação, a Pixar e a própria Disney sob a supervisão de John Lasseter (dono da Pixar antes de ser comprada pela Disney), ficou muito mais ágil o lançamento de bons produtos no cinema e posteriormente em DVD.

“Bolt” segue a história deste cãozinho amável que é o herói de uma série de TV onde tem super poderes. Só que ele acha que essa série é sua realidade. Quando sem querer ele é transportado para o outro lado dos EUA, ele precisa voltar para achar a sua dona e conta com a ajuda de uma cínica gata e de um hamster maluco.

Mais uma vez uma produção desse calibre se apóia nos seguintes alicerces: um roteiro atraente e original, principalmente quando Bolt cai no mundo ainda achando que tem super poderes; personagens diferentes e engraçados como o hamster, os pombos e diferenciados como o agente da dona e até aqueles mais sérios que contribuem para o senso de urgência do filme; e lógico, a animação com a riqueza de detalhes que já é habitual no padrão de qualidade Disney / Pixar. É encantador ver a gata ensinando Bolt e mudar de expressão para pedir comida. Se é que ainda importa, ainda tem as vozes de John Travolta (”Motoqueiros Selvagens“) e Miley Cyrus (sim, a Hanna Montana) para dar aquele ar mais “famoso”.

Independentemente de quem dubla, o importante é que “Bolt – Supercão” continua seguindo a premissa básica de tramas inteligentes que servem à toda a família e não só às crianças. E nos costumeiros ótimos extras do DVD ainda tem um curta estrelado pelo Hamster que é simplesmente imperdível. E qual animação da Disney / Pixar que não é?

Cotação: ★★★★☆


Ficha Técnica

Elenco:
John Travolta
Miley Cyrus
Chloe Moretz
Susie Essman
Mark Walton
Malcolm McDowell
Randy Savage
John Di Maggio
Grey DeLisle
James Lipton

Direção:
Byron Howard
Chris Williams

Produção:
Clark Spencer

Trilha Sonora:
John Powell

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