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Matadores de Vampiras Lésbicas (”Lesbian Vampire Killers”, Inglaterra, 2008) ***INÉDITO NO BRASIL***

Aldo Alves

Finalmente uma comédia de terror inteligente para rivalizar com o já cult “Todo Mundo Quase Morto” de 2004, a qual também envolve uma dupla de protagonistas muito engraçados e, claro, vem da Inglaterra. Os relativamente desconhecidos Mathew Horne e James Corden são dois amigos sem emprego e sem namoradas viajam a um vilarejo desconhecido para espairecer. Lá encontram vampiras lésbicas e uma maldição que envolve um deles.

O humor já começa na abertura quando parodiam as séries de terror dos anos 60 e depois vemos ótimos “defeitos” especiais, muito usados na década de 80. Com diálogos muito bem escritos, não há dúvidas que o filme é do ator James Corden. É dele as melhores falas e as interpreta de um jeito tão natural quanto hilário. Ele é tão autêntico que as situações mais absurdas, vistas através de seus olhos, parecem quase usuais. A cena dele com a filha do vigário é impagável. E também temos que respeitar a seleção das vampiras lésbicas mais gatas do planeta. Vê-las sendo perfuradas, partidas ao meio e empaladas também é uma atração a parte.

Pena que o desfecho seja tão simplório, não fazendo jus com a própria profecia comentada ao longo da produção. Aliás, o próprio James Horne não corresponde muito com o ritmo da narrativa mesmo que seja seu papel ser avoado. “Matadores de Vampiras Lésbicas” é essencial para os apreciadores de um bom trash ou de uma comédia besteirol que seja inteligente. E sim, as palavras besteirol e inteligente podem vir na mesma sentença.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Silvia Colloca
Matthew Horne
Lucy Gaskell
Emma Clifford
James Corden
Travis Oliver
MyAnna Buring
Louise Dylan
Ashley Mulheron
Tiffany Mulheron
Paul McGann
Emer Kenny
Vera Filatova

Direção:
Phil Claydon

Produção:
Steve Clark-Hall

Fotografia:
Debbie Wiseman

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Terror
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Os Normais 2 (Brasil, 2009) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

Sem dúvida quando Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres se transformam Rui e Vani, eles foram o casal mais engraçado do humor brasileiro nos últimos dez anos. Mas não só pelas suas personas, mas também pelo roteiro inteligente que ia ao ar semanalmente na programação nobre da Globo. Veio o primeiro filme e, apesar de estar longe da excelência foi uma boa surpresa, pois continha um arco de história diferente do que se mostrava na TV: como o casal se conheceu.

A continuação era inevitável. Infelizmente, ao invés de contarem com outro arco atraente, seus realizadores se contentaram em recair num erro comum de fazer como se fosse apenas um episódio estendido. Eles passam a noite procurando uma companhia para um ménage a trois e arranjam mil confusões. E por incrível que pareça o filme se resume nisso.

E é aí que se difere um filme genuinamente engraçado de um filme com momentos engraçados. E infelizmente “Os Normais 2” se enquadra nessa última categoria. Esquetes como em humorísticos de TV e aspectos técnicos que variam do ótimo travelling pelo carro de Rui até enquadramentos constrangedores como na cena do exame de próstata. E seus roteiristas ainda cometeram o pecado mortal de enterrar o que poderia dar uma continuação decente, pois adiantou o evento que se passa no fim do filme. Sem querer entregar a surpresa, o evento, por si só, já seria um belo argumento para um terceiro filme, mas aqui é tratado com menosprezo e desleixo.

Não dá pra deixar de recomendar “Os Normais 2“, principalmente para os fãs do gênero. Mas para aqueles fãs que se interessam pela genialidade dos episódios de TV e por uma comédia que valha a pena ir ao cinema, esses devem sair do filme com um peso no coração.

Cotação: ★★½☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Luiz Fernando Guimarães
Fernanda Torres
Drica Moraes
Danielle Winits
Daniele Suzuki
Cláudia Raia
Mayana Neiva
Alinne Moraes
Daniel Dantas

Direção:
José Alvarenga Jr.

Produção:
Daniel Vincente
Eduardo Figueira

Fotografia:
Tuca Moraes

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Comédia
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Simplesmente Feliz (”Happy-Go-Lucky”, Inglaterra, 2008)

Aldo Alves

Muita coincidência assistir a um exato contraponto ao filme baseado na obra de Paulo Coelho um dia antes. Diria mais Se “Veronika Decide Morrer“, Poppy decide viver em “Simplesmente Feliz“.

Sally Hawkins (”Um Sonho de Cassandra“) é Poppy, uma mulher sempre de bem com a vida que mora com sua melhor amiga. Ela é daquelas que vê o copo meio cheio em qualquer situação. Toda narrativa mostra como pequenos ou grandes eventos do cotidiano desafiam ou então ratificam sua postura positivista.

Hawkins é fabulosa por ter criado uma personagem que facilmente seria aquela intragável pessoa otimista, caso não víssemos sua performance. Mesmo com essa visão e a missão de ser positiva, a atriz acertadamente propõe um perfil muito mais real e sem cansar o espectador. Pequenas nuances do seu olhar identifica que ela não é uma mulher que simplesmente vive no mundo da lua, mas sim escolhe ser feliz e ajudar as pessoas que estão ao seu alcance. Ela tem uma dinâmica rica com todos os coadjuvantes, principalmente Eddie Marsan (”Hancock“), que faz seu professor de auto-escola, quase como um antagonista à visão da protagonista.

Entretanto, o filme não dispõe de um arco de história eficaz, como se pegasse um pedaço da vida de Poppy e jogasse na tela. Há quem possa achar isso uma boa decisão, mas a falta de conflitos mais relevantes enfraquece o argumento. O diretor Mike Leigh (”Segredos e Mentiras“) também não economizou e fez um filme com muita gordura expondo cenas desnecessárias – a do mendigo, por exemplo – que pouco ou nada agregam à trama. Com uma edição mais ágil, “Simplesmente Feliz” poderia até fazer frente com a depressão de Veronika. Mas preferiu apenas ser um passatempo que hora é divertido, hora é cansativo.

Cotação: ★★★☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Sally Hawkins
Alexis Zagerman
Andrea Riseborough
Sinead Matthews
Kate O’Flynn
Sarah Niles
Eddie Marsan

Direção:
Mike Leigh

Produção:
Simon Channing Williams

Fotografia:
Dick Pope

Trilha Sonora:
Gary Yershon

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Drama
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Veronika Decide Morrer (”Veronika Decides to Die”, EUA, 2009) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

Se viver é uma arte, Paulo Coelho é um artista. Talvez seu grande mérito seja colocar em suas obras os clichês mais comuns do gênero que escreve de tal forma sutil que parecem idéias originais. E, felizmente, essa arte, pelo menos dessa vez, trabalha a favor da produção cinematográfica baseada em seu livro homônimo.

E Veronika aqui é Sarah Michelle Gellar (”Ligados Pelo Crime“), uma jovem deprimida com o mundo que resolve se matar numa tentativa mal sucedida a qual a faz ir para um instituto psiquiátrico. Ao acordar descobre que sua tentativa provocou um aneurisma e que só tem algumas semanas de vida.

O óbvio: sua chegada vai mudar a rotina de todo o instituto com a orientação de um psicólogo de métodos não ortodoxos (David Thewlis, da saga Harry Potter). Os clichês: no tal instituto teremos a paciente que parece ser mais lúcida que todos os médicos juntos, o rapaz que com o amor de Veronika deve se curar, o psicólogo com questões de ética pendentes e a colega de quarto problemática. Reveza alguns ótimos diálogos com falas presentes em 100% dos dramas de doenças.

Entretanto, como já disse, a capacidade do roteiro de suavizar seus próprios clichês, ameniza o efeito negativo e é ajudado pela ótima direção de Emily Young, seguidora da escola espanhola que conduz juntamente com uma fotografia brilhante a trajetória de nossa heroína. Sem falar, é claro, na trilha sonora minimalista, mas profundamente tocante e eficaz de Murray Gold (”Morte no Funeral“) o qual reveza entre composições próprias e vai de Debussy à bossanova.

Com o mínimo de atenção, o espectador que não leu a obra de Paulo Coelho, desvenda seu final e repara que o autor, como sempre, preferiu a saída mais fácil. Mas às vezes até nós, o grande público calejado de idéias requentadas, precisamos ser arrebatados por clichês e saídas fáceis. E dá até um bem estar de vez em quando.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Sarah Michelle Gellar
David Thewlis
Erika Christensen
Melissa Leo
Jonathan Tucker
Erica Gimpel
Matthew Cowles
Florencia Lozano

Direção:
Emily Young

Produção:
Jonathan Bross
Sriram Das
Chris Hanley

Fotografia:
Seamus Tierney

Trilha Sonora:
Murray Gold

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Drama
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W. (EUA / Alemanha / Austrália / Hong Kong / Inglaterra, 2008)

Aldo Alves

Vamos ser realistas: Oliver Stone parece der perdido a mão nos últimos anos. Há cerca de 10 anos não faz nada de destaque e acumulou desastres como “Alexandre“. Sua grandiosidade, mesmo presente em todos seus filmes, não se traduz em resultado positivo. Além de uma certa obsessão por presidentes. Depois de “J.F.K. – A Pergunta que Não Quer Calar” em 1991 e “Nixon” em 1995, aqui ele traça a trajetória de George W. Bush desde sua conturbada juventude, passando pela iluminação divina para se tornar um político, até o fim de seu primeiro mandato quando ele começa a ver que o tiro de invadir o Iraque saiu pela culatra.

Quase nunca um time tão grande de atores de primeira linha participou de uma produção, nem que fosse para fazer meras pontas de alguns minutos apenas. Quem encabeça a produção é o surpreendente Josh Brolin que, após anos de ostracismo, vem acumulado elogios e papéis importantes desde “Onde os Fracos Não Têm Vez“. E com razão, já que ele interpreta W. Bush talvez até melhor que o próprio. Sua cadência e seu sotaque texano e suas confusas pausas pra reflexão, marcas registradas do ex-presidente também se fazem presente na interpretação de Brolin. Os demais colegas de elenco, apesar de corretos são todos eclipsados pelo protagonista e em alguns momentos não passam de figurantes (Thandie Newton como Condoleezza Rice que o diga). Pelo menos funcionam para estabelecer a dinâmica com protagonista e esclarecendo como decisões equivocadas podem ser tomadas com uma enxurrada de pressão destes coadjuvantes por todos os lados.

Mas tirando a inicial direção segura e uma boa e pesada fotografia, a partir do segundo ato, o barco de “W.” começa a fazer água, principalmente pela atual mania que o diretor tem de abstrair os pensamentos do presidente, finalizando o enredo de forma abrupta e surreal. Aliás, Stone gasta minutos demais no já longo filme de mais de 2 horas com sonhos e delírios de Bush Filho. E perde a chance de mostrar momentos importantes como o dia dos ataques de 11/09. Tampouco toma um partido (o que não é algo necessariamente ruim), mas se mostra omisso de julgamento, principalmente se tomarmos como base a cinegrafia do diretor. Desnecessário, “W.” é quase mais uma bola fora de Stone, desperdiçando um elenco estelar e alguns milhões de dólares de Hollywood.

Cotação: ★★½☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Josh Brolin
Toby Jones
Dennis Boutsikaris
Jeffrey Wright
Thandie Newton
Scott Glenn
Richard Dreyfuss
Bruce McGill
James Cromwell
Marley Shelton
Michael Gaston
Keenan Harrison Brand
Ellen Burstyn
Jason Ritter
Noah Wyle
Bill Jenkins
Elizabeth Banks
Rob Corddry
Stacy Keach
Ioan Gruffudd
Colin Hanks

Direção:
Oliver Stone

Produção:
Bill Block
Moritz Borman
Paul Hanson
Eric Kopeloff

Fotografia:
Phedon Papamichael

Trilha Sonora:
Paul Cantelon

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Comédia, Drama
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Se Beber, Não Case (”The Hangover”, EUA, 2009) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

Quem disse que uma premissa requentada não dá um ótimo filme. Sim, para quem não lembra, “Cara, Cadê Meu Carro?” de 2000, parte exatamente da mesma premissa. Na verdade, seria até mesmo uma mistura desse com “Uma Madrugada Muito Louca“. O bom é que o diretor Todd Phillips de “Anos Incríveis” pegou o que há de melhor nos dois.

Quatro amigos vão para Las Vegas fazer a despedida de solteiro de um deles. No outro dia eles acordam sem ter a menor idéia do que aconteceu na noite pregressa e com um detalhe: o noivo (da saga “A Lenda do Tesouro Perdido“) sumiu. Eles têm então 24 horas para achar pistas que os levem a descobrir o paradeiro do amigo, bem como se livrar de todas as confusões que se meteram quando porres.

Phillips conseguiu o prodígio de um sucesso instantâneo usando atores relativamente desonhecidos. Apenas Bradley Cooper (”Ele Não Está Tão a Fim de Você“) se destaca como Phil, o líder do trio com supostos problemas de casamento. Além dele temos Stu (Ed Helms de “O Grande Dave“), cuja namorada o leva na coleira; e Alan (Zach Galifianakis de “Na Natureza Selvagem“), o irmão da noiva e que simplesmente não é normal. Mais do que isso, a química entre o trio principal é o motor proprulsor da trama.

Há anos luz do politicamente correto, 90% das cenas são tão bem escritas que o choque do público torna-se natural. Apenas 10% tem uma exibição gráfica apelativa. As situações nas quais nossos heróis se encontram são hilárias e fará o público rir do início ao fim. E rir desse jeito é um prodígio para um filme que não se propõe a ser um mero besteirol, mas uma diversão inteligente. Com todas as maluquices, ainda há uma deliciosa exibição de fotos no final e deve fazer o mais sério espectador chegar às lágrimas do riso. Contar mais seria estragar as surpresas.

Com uma participação especial até de Mike Tyson, “Se Beber, Não Case” talvez se estabeleça desde já como a melhor comédia do ano, mostrando que criatividade e originalidade são conceitos relativos quando se tem um talento bem acima do normal.

Cotação: ★★★★½


Ficha Técnica

Elenco:
Bradley Cooper
Ed Helms
Zach Galifianakis
Heather Graham
Justin Bartha
Jeffrey Tambor
Sasha Barrese
Jernard Burks
Bryan Callen
Sondra Currie
Mike Epps
Nathalie Fay
Dan Finnerty
Rachael Harris
Ken Jeong
Todd Phillips
Mike Tyson

Direção:
Todd Phillips

Produção:
Todd Phillips
Daniel Goldberg

Fotografia:
Lawrence Sher

Trilha Sonora:
Christophe Beck

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Comédia
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