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Tinha que Ser Você (”Last Chance Harvey”, EUA / Inglaterra, 2008)

Aldo Alves

Um dos gêneros que raramente vêem a luz do dia é o de romances na terceira idade ou quase lá. Principalmente quando não há o elemento de comédia envolvida. Mas é aí que atores de peso como Dustin Hoffman (”A Loja Mágica de Brinquedos“) e Emma Thompson (”Mais Estranho que a Ficção“) entram para dar o grande diferencial à produção.

O filme fala de como a solidão atinge a vida das pessoas, principalmente depois dos 40, caso elas deixem boas oportunidades passarem. Hoffman É Harvey, compositor de jingles divorciado que vai a Londres ao casamento da filha que há muito não vê, por sua própria culpa como pai ausente. Com o emprego em risco e deslocado no meio de sua própria (ex) família, ainda encara o fato de que o sogro de sua filha acabou tomando seu lugar como pai. Thompson é Kate, que por conta da doença da mãe e por decepções amorosas acabou passando a vida sem viver, além de trabalhar num emprego tedioso.

Eis que os dois casualmente se encontram – depois de alguns desencontros – e passam a se conhecer através de ótimos e reveladores diálogos. Quem já viu “Antes do Amanhecer” e “Antes do Por do Sol” ira se identificar com a dupla de protagonistas, diferenças de idade a parte. E um romance que se baseia na química entre atores só tem a ganhar, pois ambos parecem muito confortáveis e com a bagagem que têm, conseguem transformar uma obra que poderia passar em branco em algo digno de se emocionar.

Mais ainda, fica há anos luz de clichês do gênero, com um pé calcado na realidade de qualquer relacionamento, mesmo que evoque a esperança no amor como lição mais edificante. Com um bonito making off onde os atores desfiam elogios um para o outro, “Tinha que Ser Você” prova que nunca é tarde para amar e, muito menos para alugar o DVD.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Dustin Hoffman
Emma Thompson
Eileen Atkins
Kathy Baker
Liane Balaban
James Brolin
Richard Schiff
Tim Howard
Wendy Mae Brown
Bronagh Gallagher

Direção:
Joel Hopkins

Produção:
Tim Perell
Nicola Usborne

Fotografia:
John de Borman

Trilha Sonora:
Dickson Hinchliffe

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Romance
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Dragonball Evolution (EUA / Hong Kong, 2009)

Aldo Alves

Dragonball foi uma das séries japonesas de maior sucesso nas décadas de 80 e 90 e até hoje tem seguidores fervorosos. Para dirigir esse desafio foi contratado o roteirista que deu vida à série de TV que se tornaria ícone e inspiração para todas as outras: “Arquivo X“. O resultado: uma das maiores bobagens já feitas no cinema.

Justin Chatwin de “O Invisível” interpreta Goku, o personagem que todo mundo sabe que é um monstro na pele de um jovem cuja missão seria destruir o mundo, mas que se volta para o bem. Começa que como principal reviravolta, é o segredo mais mal guardado do planeta. Como uma caracterização que pouco lembra o desenho, ele e seus amiguinhos – todos que parecem ter saído do seriado Malhação – devem encontrar as sete dragonballs para evitar que um vilão, o tal Lorde Picollo (dá pra levar a sério esse nome?) domine o mundo. Coisa básica. Nossos heróis ainda contam com a ajuda do mestre Roshi (Chow Yun-Fat de “Piratas do Caribe – O Fim do Mundo” num papel constrangedor).

Mesmo com alguns efeitos especiais de ponta, alguns elementos parecem ter saído das antigas séries em live action japonesas como “Spectroman“. Com um roteiro fraquíssimo, cheio de lugares comuns e situações que levam nada a lugar nenhum, ele ainda tem um dos finais mais ridículos das histórias de ação de todos os tempos (veja no meio dos créditos finais). É decepcionante constatar o poder devastador que Hollywood tem para estragar algo que foi tão cultuado e que deve despertar a ira dos fãs e a total indiferença da comunidade de cinéflios. Para nem chegar perto.

Cotação: ★☆☆☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Justin Chatwin
Chow Yun-Fat
Emmy Rossum
Jamie Chung
James Masters
Park Joon
Eriko Tamura
Randall Duk Kim

Direção:
James Wong

Produção:
Stephen Chow

Fotografia:
Robert McLachlan

Trilha Sonora:
Brian Tyler

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Ação, Infantil
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Anticristo (”Antichrist”, Dinamarca / França / Alemanha / Itália / Polônia / Suécia, 2009) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

A reação da crítica para esse filme é engraçada. Foi do tipo amor ou ódio. Porque filmes que apresentam extremos devem ter avaliações também em extremos? Claro, estamos falando de uma obra de Lars Von Trier de “Dogville“, isto é, já peneiramos aí o consumidor que busca o cinema como forma de escapismo e somente deixamos aquele que também procura uma forma de arte. A análise se dá no âmbito do que essa arte vai agregar ao espectador.

Gira em torno de um casal que perde seu filho pequeno por um descuido deles e assim, ambos devem lidar com a perda. O marido (Willem Dafoe de “Um Segredo Entre Nós“) é um terapeuta e se recupera mais rápido, enquanto a mulher (Charlotte Gainsbourg de “Não Estou Lá“) se afunda num estado cada vez mais depressivo. Daí ele comete um erro crasso para qualquer terapeuta: resolve tratar da esposa, quando sabemos que tratar de um ente querido geralmente é nocivo e não dá bons resultados. Para isso, ele a leva a uma cabana na floresta com o objetivo de expor seus medos, o que desencadeia uma espiral de caos ao extremo.

Como estamos falando de Von Trier a história é contada de uma forma abstrata, lúdica e, nesse caso, gráfica até demais. Os cinco primeiros minutos trazem uma das cenas mais líricas de todos os tempos mostrando a dualidade entre o sexo, a inocência e a morte, como sendo o prólogo. A partir daí a dupla de protagonistas consegue estabelecer uma boa química para contar os fatos que virão. Repare que os rostos de todos os figurantes estão digitalmente cobertos.

Sim, o filme é feito para chocar. Cenas de sexo explícito e mutilação fazem parte do pacote. Desnecessário? Nem tudo. Mas o que realmente vai nivelar essa obra para melhor ou pior é responder duas perguntas: 1) É crível que a relação dos dois tenha chegado àquele ponto? 2) É explicável a natureza dos acontecimentos listados durante a projeção? Ambas as respostas estão interligadas. Apesar de, numa análise superficial, alguém poder dizer que sim, é crível, devemos lembrar que o roteiro justifica determinadas atitudes da esposa por uma visita anterior à cabana (quando ela foi com o filho escrever um livro). Só que aí que talvez resida a falha: é difícil engolir o caminho que leva os personagens a essa espiral de loucura sem compreender a natureza malévola (se é que isso veio da natureza) da floresta.

Muito mais (ou menos) que um terror, “Anticristo” parece ser sim, apenas um drama de proporções catastróficas, o que não diminui de maneira nenhuma seu impacto. Principalmente com as revelações surpreendentes sobre as circunstâncias da morte do filho. Mas passa a simples impressão de que a mulher era realmente uma louca. Lógico que seu epílogo em nada ajuda na compreensão do que foi visto, mas provavelmente não era essa a idéia.

Talvez o filme verse sobre como a natureza, mesmo que de forma involuntária, exerça uma influência sobre o ser humano e que, dependendo do estado deste pode despertar o melhor ou o pior dentro de dele. Mas a certeza está apenas na mente de Von Trier. Ou não.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Charlotte Gainsbourg
Willem Dafoe

Direção:
Lars von Trier

Produção:
Meta Louise Foldager
Eric Fellner

Fotografia:
Anthony Dod Mantle

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Drama, Terror
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Michael Jackson’s This is it (EUA, 2009) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves

O que acham de ter um disco do Michael Jackson com a música de sempre só que numa edição das Filipinas com a diferença da capa ter uma pequena faixa alaranjada na parte superior? Pra você isso pode não significar muita coisa, mas para um fã e colecionador, poder ser algo magnífico e surreal. Esse documentário sobre o grande e provável último grande ícone do pop pode ser observado com essa mesma diferença de perspectiva. Iria sair de qualquer jeito, mas com a morte do cantor, acabou tendo um sabor especial, ainda que amargo pela tragédia, e mais urgente em seu lançamento.

Trata nada mais do que seus últimos momentos nos ensaios do seu grande show que nunca fui lançado. Montado da maneira que foi, acaba virando um grande ensaio geral, ou para os fãs, o próprio show que nunca será feito. Nada das origens do astro, histórias curiosas, seu comportamento bizarro ou seus mais de dez anos de ostracismo. Apenas os ensaios, muito bem editados, de uma superprodução que possivelmente seria a maior da história dos shows.

Lá vemos Michael como uma pessoa comprometida ao máximo com os ensaios, um cantor que conhece as suas músicas mais do que qualquer ser humano, dança como uma criança ligada a 220V e ainda co-dirige seu espetáculo com Kenny Ortega (responsável pelo sucesso “High School Musical“), o qual mostra um respeito fabuloso ao trabalho do astro.

Existe sim uma aura de politicamente correto (até demais), engajado nas causas ambientais e inocente ao ponto de repetir várias vezes para a micro-platéia frases como ‘Eu te amo‘ e ‘Deus te abençoe‘. Seja por conta do documentário de forma proposital ou pela pessoa que é, nosso herói fica há anos-luz daquela figura envolvida em escândalos e bizarrices de toda sorte.

Mas o fato é que tudo não passa de um ensaio e algumas músicas nem receberam o tratamento devido por ainda estarem com seus ensaios no início. Todos os grandes hits estão lá, uns melhor finalizados como Billie Jean, Man in the Mirror, They don’t care about us ou I’ll be there e outras nem tanto como Thriller (apesar da boa pré-produção, talvez decepcione a maioria) ou alguns clássicos dos Jackson 5.

Para um cinéfilo normal, agrega pouco conhecimento sobre o ídolo do pop, mas serve para relembrar (mais do que curtir) seus grandes clássicos. Para os aficcionados talvez seja o último grande evento da figura mais carismática, talentosa, enigmática e controvertida do show business mundial. This is it.

Cotação: ★★★☆☆

Para os fãs:

Cotação: ★★★★½

A meia estrela é porque não é o show de verdade.


Ficha Técnica

Elenco:
Michael Jackson

Direção:
Kenny Ortega

Produção:
Paul Gongaware
Randy Phillips

Fotografia:
Kevin Mazur

Trilha Sonora:
Michael Jackson
Michael Bearden

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Documentário, Musical
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Monstros Vs Alienígenas (”Monsters Vs. Aliens”, EUA, 2009)

Aldo Alves

Baseado nos filmes de monstros dos anos 50, a mais nova animação da Dreamworks mostra porque a Pixar ainda não saiu do pódio de melhor estúdio. Prestes a se casar, Susan é atingida por um meteorito e vira uma mulher gigante. Presa pelo governo dos EUA, ela vai para um esconderijo onde outros monstros estão confinados, longe dos olhos da população. Quando ocorre um ataque extraterrestre, esse time monstruoso pode ser a única coisa capaz de salvar a Terra.

Sem o mesmo nível de detalhamento das produções da Pixar, a Dreamworks investe em coadjuvantes engraçadinhos com vozes de comediantes já consagrados como Seth Rogen (”Pagando Bem Que Mal Tem“), Will Arnet, o qual sempre faz coadjuvantes hilários como em “O Roqueiro“, Paul Rudd de “Ano Um“, entre outros. Susan, na voz de Reese Whiterspoon (”O Suspeito“) é a responsável pelo lado sério da trama. Ele pelo menos consegue explorar de forma eficaz as características dos personagens, como as possibilidades de Bob, uma geléia que criou vida ou do Dr. Barata (na voz de Hugh Laurie, mais famoso como o Dr. House da série homônima). Sim, funciona para as crianças, mas não há aquelas referências geniais ou um lado emocional, não necessariamente dramático para capturar a atenção dos adultos e assim ser um filme para toda a família (ao contrário do que diz a capa do DVD). Aliás, as citações de “E.T. – O Extraterrestre“, “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” e “Jornada nas Estrelas” são boas, ainda que óbvias demais.

Também é recheado de ação, justamente para não desenvolver um enredo mais complexo e, lógico, funciona, mas somente para o público mirim. Os extras do DVD parecem cada vez mais repetirem tirem a mesmíssima fórmula de todas as animações. “Monstros Vs. Alienígenas” acaba se juntando à massa de animações razoáveis que devem se transformar em uma boa Sessão da Tarde nos próximos anos. Vale uma olhada, principalmente se você tiver crianças em casa.

Cotação: ★★★☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Reese Whiterspoon
Seth Rogen
Hugh Laurie
Will Arnett
Kiefer Sutherland
Rainn Wilson
Stephen Colbert
Paul Rudd
Julie White
Jeffrey Tambor
Amy Poehler
Renée Zellweger
Josh Krasinski
Sean Bishop
Bo Dietl
Ed Helms

Direção:
Rob Letterman
Conrad Vernon

Produção:
Lisa Stewart

Trilha Sonora:
Henry Jackman

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Infantil
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Comentários da Turma!

Aldo Alves

Agora temos uma nova sessão no Cinecríticas: Os Comentários da Turma! Aqui a gente dá o devido destaque a quem gasta preciosos minutos comentando, indicando, concordando ou discordando de filmes e resenhas. A idéia é mesmo valorizar você, leitor, usuário, colaborador do Cinecríticas e, lógico, quem gosta de cinema!

Aqui eu faço uma breve introdução e ao clicar no link dos filmes, vocês vão direto pra resenha e para os comentários. Vamos lá!

- A Charlene até gostou de Crepúsculo e ficou meio dividida em Distrito 9.
- O Sílvio e a Jazz adoraram A Órfã!
- A Rauany deu mais idéias do que poderia ser o TOP 10 de filmes de romance!
- O Saullo fez ótimas colocações de 17 Outra Vez e, junto com a Elza também comentou sobre Rovdyr!
- E a Carol achou que fui amargo em A Proposta.

E vocês, o que acharam? Foi boa essa sessão?

Abraços!

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