1917

Sam Mendes, diretor dos dois últimos filmes do agente 007 conseguiu realizar talvez a maior experiência cinematográfica do ano passado e, não a toa, ganhou o Globo de Ouro desse ano e é um grande favorito ao Oscar.

Ele utilizou a técnica de One Shot (a mesma usada em “Gravidade”) para contar a história de dois soldados que em plena 1ª Guerra Mundial devem seguir em campo inimigo sozinhos para entregar uma mensagem a outro pelotão e assim salvar a vida de cerca de 1.600 soldados, dentre eles, o irmão de um dos dois.

George MacKay de “O Segredo de Marrowbone” e Dean-Charles Chapman de “A Música da Minha Vida” são os soldados e a câmera os acompanha de forma magistral e toda a ação se passa no campo de visão de ambos o que provoca um gradativo aumento de tensão no espectador onde a trilha campeã de Thomas Newman (“Tolkien”) funciona como um motor de propulsão levando o público a um estado de alerta constante e dando uma sensação como se estivessem em um vídeo game de guerra.

Só que muito mais do que técnica, ação e efeitos especiais, “1917” retrata como poucos o drama humano numa guerra – como todas – em que a vida humana vira estatística, mas que cada morte pode ser sentida individualmente por quem se foi e pelos amigos de trincheira. É interessante como a câmera passeia justamente enfocando esses temas e vai mostrando ao espectador pequenos detalhes no meio do caminho que são simbólicos, porém extremamente relevantes para o desenvolvimento desse tema, graças à fotografia de Roger Deakins de “Blade Runner 2049”.

A dupla de protagonistas passa com muita eficiência a dor e a inocência de estar numa guerra que não é necessariamente deles, mas com a humanidade de se preocuparem com o próximo, independente do lado.

1917” é poético, bruto, humano e reúne uma técnica que materializa tudo isso numa condução impecável. Merece o Oscar mesmo.

Curiosidades:

– A técnica de One Shot que dá a impressão de que o filme foi todo feito em uma única tomada é feita da seguinte maneira: filmam uma parte e toda vez que aparece um objeto entre a câmera e o personagem, é o ponto de corte. Caso uma tomada saia errada, a equipe volta para o ponto de corte e recomeça. O criador dessa técnica foi ninguém menos que o saudoso mestre Alfred Hitchcock em “Festim Diabólico” de 1948. Com a computação gráfica, entretanto, ela ficou bem mais apurada.
– A primeira cena filmada é o penúltimo momento do filme.
– Foi construído cerca de 1,5km de trincheiras para o filme.
– A data 6 de abril de 1917 que aparece no início foi quando os EUA se juntaram à guerra contra os alemães.
– Os atores passaram 6 meses ensaiando antes de começar as filmagens.
– O primeiro nome dos dois soldados principais só é revelado no final.

SPOILER – SÓ LEIA DEPOIS DE TER VISTO O FILME:
– O ator principal começa e termina o filme fazendo a mesma coisa e na mesma posição.

Ficha Técnica

Elenco:
Dean-Charles Chapman
George MacKay
Benedict Cumberbatch
Mark Strong
Daniel Mays
Colin Firth
Richard Madden
Pip Carter
Andy Apollo
Paul Tinto
Josef Davies
Billy Postlethwaite
Gabriel Akuwudike
Andrew Scott
Spike Leighton
Robert Maaser
Gerran Howell

Direção:
Sam Mendes

Produção:
Pippa Harris
Callum McDougall
Sam Mendes
Brian Oliver
Jayne-Ann Tenggren

Fotografia:
Roger Deakins

Trilha Sonora:
Thomas Newman

 

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