2019 – O Ano da Extinção (“Daybreakers”, EUA, 2009)

Não levem em conta o título esquisito. O espectador descobre por uma forte cena seguida dos créditos iniciais que sangue geneticamente modificado de morcego levou a uma epidemia global onde grande parte da população se transformou em vampiros. Dez anos se passaram e as pessoas e empresas desenvolveram tecnologias que ajudaram essa esmagadora maioria vampira viver em detrimento dos seres humanos normais que continuam caçados para servir de fonte de sangue.

O cientista-chefe da maior empresa provedora de sangue (Ethan Hawke de “Redes do Crime“) busca um substituto para o sangue a fim de tentar melhorar a convivência das raças, mas descobre que há um núcleo humano rebelde que, onde seu líder (Willem Dafoe de “Anticristo“) de alguma forma era vampiro e retornou ao estado de humano. Os dois se juntarão para tentar descobrir o método ao mesmo tempo em que lutam com a grande corporação que não quer deixar sua fonte de renda desaparecer.

Como subverte totalmente os conceitos essas criaturas e seu inter-relacionamento, algumas pessoas podem torcer o nariz. Mas acaba que a produção tem uma idéia consistente (absurda, mas consistente), um elenco que convence – principalmente a face sempre melancólica e atormentada de Hawke – fugindo da maioria dos clichês do gênero, como o destino da filha do presidente da empresa de sangue, efeitos especiais de primeira e usados para contar a história e não para se sobrepujar dela e, finalmente, doses de ação e sangue cavalares que não devem poupar o público.

Baseado na HQ homônima e com uma ótima sacada em seu terceiro ato, “2019 – O Ano da Extinção” se consolida como uma ótima ficção científica que dá um gás de originalidade num tema já tão batido como o vampirismo. Mais para um público de mente aberta do que para os tradicionais.

[rating:3.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Ethan Hawke
Willem Dafoe
Claudia Karvan
Michael Dorman
Vince Colosimo
Isabel Lucas
Sam Neill
Paul Sonkkila

Direção:
Michael Spierig
Peter Spierig

Produção:
Chris Brown
Bryan Furst
Sean Furst

Fotografia:
Ben Nott

Trilha Sonora:
Christopher Gordon

 

4 Comments

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  • saullo
    on

    nao achei o filme tao bom assim, principalmente os efeitos que parece que nao se decidiram se seriam bons ou ruins (as vezes pareciam bonequinhos de massa).

    a historia é realmente fora de qualquer cliche, e já ganha muito por isso, mas o excesso de “romantismo” que tentaram criar entre vampiros e humanos…tao sem noçao que pode-se comparar ao amor do homem que para de comer carne pra nao matar a vaca, e olha que nem dá pra chamar de “vampiro vegetariano” pq ele mostra q prefere morrer a tomar sangue humano, mesmo q isso nem mate a pessoa doadora.

    acho que o filme vale mesmo pela ideia, tipo comparar com a industria farmaceutica, mas so nisso, por o resto é so pra rir, principalmente da forma “magica” de se tornar humano de novo…tosco demais.

    bom…vale uma conferida, mas ta looonge de merecer toda essa constelaçao que o Aldo colocou ae.

    o destaque fica para a cena da filha do presidente da empresa que, na minha opiniao, foi a unica cena realmente boa do filme.

  • Gabriel Guy
    on

    Gostei do filme so achei que o final podia ser um pouco melhor !

  • Hercules
    on

    NAO GOSTO DE FILMES DE VAMPIROS, MAS ESSE É DIFERENTE, MUITO BOM MESMO.

  • Clayton
    on

    Olha aí um filme subestimado. Há vida para os filmes de vampiros mesmo estando mortos. A “vitória” do vampirismo causa a inevitável condução á extinção humana, embora seja uma premissa lógica, a abordagem não é tão simples, tem que haver “ordem” no caos, e habilmente a história mostra como tudo vai piorando e como vai piorando a medida que o sangue humano torna-se escasso, e inevitavelmente tendendo a inexistência. E pior do que simplesmente morrer, nos é apresentada a maior habilidade do ser humano, mesmo em um vampiro, a adaptação. Ao invés de simplesmente morrer, tornam-se uma subspécie, não prejudicando assim a milenar lenda de que todo vampiro tem como maldição a eternidade. Adaptação, também presente na tecnologia que protege os vampiros da luz solar, até mesmo em veículos. Embora “a cura” peque em criatividade, sua execução via efeitos especiais é primorosa. Aliás, os efeitos do filme estão perfeitamente sincronizados com o roteiro, nada foi colocado de forma excedente, ouso dizer que passaram a fazer parte do elenco. Destaque para o “vôo involuntário” do primeiro vampiro curado (Dafoe). O elenco também acerta em suas escolhas, Ethan Hawke novamente entrega o que lhe foi solicitado, é um ser angustiado do primeiro ao último minuto de filme. Willem Dafoe teve menos espaço para mostrar seus dotes mas em nada comprometeu. Sam Neill anda meio sumido mas é difícil não entender em seu personagem, primeiro seu ponto de vista comercial e segundo sua busca por aprovação filial, o que em muito contribuiu para identificarmos a analogia a ganância e a manipulação até das maiores desgraças em prol de favorecimento financeiro pessoal, tão presente no mundo real. Alugar sem medo… mesmo sendo um filme de vampiros, mesmo estando na prateleira terror/suspense… Espero que não tenham que ouvir como eu do meu filho de 10 anos: Pai, nesse filme não tem lobisomem?

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