A Lavanderia (“The Laundromat”)

É uma mistura de filme, documentário, peça teatral e aula sobre corrupção numa abordagem inovadora de Steven Soderbergh (“Distúrbio”). Aliás, Soderbergh fez com a corrução em “A Lavanderia” o que ele já tinha feito com o premiado “Traffic” de 2000, sendo que ambos os universos estão intimamente conectados.

A inovação já começa no início quando Gary Oldman de “Fúria em Alto Mar” e Antonio Banderas de “A Vida em Si” quebram o 4º muro ao falar diretamente ao espectador sobre como funciona o esquema de lavagem de dinheiro em empresas de fachada, sendo eles mesmos donos de um escritório de advocacia que as cria, movimentando uma engrenagem de corrupção mundial. Ao longo do filme, eles participam como narradores num formato bem teatral e contam histórias de como essa corrupção afeta a vida das pessoas.

Nessa narrativa, o eixo principal é centrado na grande Meryl Streep de “As Sufragistas” como Ellen, senhora que perde seu marido num acidente de barco, mas recebe quase nada da seguradora, pois ela pertencia a esse emaranhado de empresas de fachada. Quando vai se mudar, não consegue comprar o apartamento, pois já havia sido dado como suborno a empresários de outra dessas empresas falsas, todas criadas pela dupla de narradores / personagens. Sua revolta reverbera a revolta de milhões de pessoas constantemente enganadas no mundo todo, dando seu dinheiro e não recebendo serviços de volta porque na verdade não há nenhuma empresa concreta enquanto os ricos se beneficiam com a prática da elisão e evasão fiscais com essas artifícios onde, muito deles são legais, o que prova que o problema está nas leis que são propositalmente escritas para terem brechas aos mais abastados.

O diretor é extremamente didático sem ser paternalista e divide a narrativa em capítulos onde exibe cada pilar que norteia esse tipo de corrupção, mas sempre mantendo uma cronologia lógica para que o público acompanhe tanto as “lições” quando o próprio drama centrado em Ellen e outros coadjuvantes que se constituem num exército de artistas do primeiro e segundo time de Hollywood que somente Steven Soderbergh poderia arregimentar.

Aliás, Streep está arrebatadora principalmente na reviravolta final onde é provável quem alguns fiquem boquiabertos. Oldman e Banderas também estão impagáveis e suas atuações são memoráveis, mas a verdade é que o elenco em si mistura humor e drama que resulta em mais uma inovação que é a maneira de passar a mensagem ao espectador. Essa parte deve dividir opiniões, pois podem acusar o roteiro ou a condução de não tratar os temas com a seriedade devida, mas não deixa de ser uma baita inovação que lembra inclusive o que outro diretor, Adam McKay fez com o igualmente ótimo “A Grande Aposta”.

O mais chamativo é quer tudo foi baseado no escândalo real conhecido como “Panamá Papers” onde um hacker vazou informações que comprometeram líderes mundiais e várias empresas corruptas e de fachada, incluindo… vejam só… a Oderberch!

A Lavanderia” já participa do conjunto de filmes mais relevantes de 2019 com uma abordagem ímpar, didática e atuações de tirar o chapéu. Mais que recomendado, é necessário.

Curiosidade:

– A principal jornalista que denunciou o vazamento e investigou o escândalo do Panamá Papers foi encontrada morta por atentado a bomba um ano depois do início da investigação.

Ficha Técnica

Elenco:
Meryl Streep
Gary Oldman
Antonio Banderas
David Schwimmer
Jeffrey Wright
Sharon Stone
James Cromwell
Matthias Schoenaerts
Rosalind Chao
Will Forte
Jeff Michalski
Jane Morris
Robert Patrick
Chris McLaughlin
Jay Paulson
Melissa Rauch
Juliet Donenfeld
Brock Brenner
Marsha Stephanie Blake
Daniyar Daniyar
Alexander Stasko
Cristela Alonzo
Myron Parker Wright
Miriam A. Hyman
Veronica Osorio
Brenda Zamora
Chris Parnell
Nonso Anozie
Miracle Washington
Jessica Allain
Jonah Gould
Larry Wilmore
Nikki Amuka-Bird

Direção:
Steven Soderbergh

Produção:
Scott Z. Burns
Lawrence Grey
Gregory Jacobs
Michael Sugar

Fotografia:
Steven Soderbergh

Trilha Sonora:
David Holmes

 

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