A Mula (“The Mule”)

Que bom que as pessoas mudam de idéia! Após protagonizar e dirigir “Grand Torino” há 10 anos, Clint Eastwood sinalizou que não ia mais estrelar filme algum e que só ficaria atrás das câmeras. Mas a história real de Leo Sharp (que aqui se chama Earl Stone), senhor de quase 90 anos que era uma das maiores “mulas” do tráfico mexicano o cativou tanto que o levou de volta à atuação. Mula é o termo dado a quem transporta drogas a mando de traficantes, sendo que as mulas por definição não são traficantes, mas civis que precisam do dinheiro. É um análogo a um laranja no que tange à corrupção no Brasil.

Já começa com uma grande sacada na apresentação do protagonista que aparentemente é querido por todos os amigos e colegas de trabalho como plantador de tulipas, mas que é um péssimo pai e marido. Anos depois quando vai a falência, recebe um convite para participar de uma entrega para traficantes e ao ver a quantidade de dinheiro que ganhou, passa a fazer mais vezes, sob o disfarce natural de um velhinho que jamais seria suspeito. Essa movimentação cada vez maior atrai a atenção dos agentes de polícia interpretados por Bradley Cooper (“Nasce Uma Estrela”) e Michael Peña (“Homem-Formiga e a Vespa”).

O diretor, que no mesmo ano fez o fraco “15h17: Trem Para Paris”, dessa vez acerta em quase tudo. O drama existencial do protagonista é tocante, pois, longe de ter sido uma boa pessoa durante sua vida, ele procura a redenção sob sua própria ética, mesmo que quebrando as leis.

Eastwood desenvolve uma complexa, mas acessível teia de sentimentos entre o personagem e sua família, os traficantes, os policiais e até mesmo com ele próprio na medida em que reflete suas ações e assume riscos que podem lhe custar a vida.

A única crítica sobre a condução é que como sempre fez filmes longos, o diretor estica a corda para chegar próximo das duas horas, quando poderia ser mais ágil e enxuto. Ainda assim, não deixa de ser interessante – mesmo que clichê – o caminho da investigação dos agentes para chegarem o mais próximo possível dos traficantes e da mula.

Destaque para as suaves porém certeiras críticas sobre o racismo e preconceito de etnia e, claro, de idade que ele destaca até em pequenos e inocentes atos.

A Mula” é um belo drama da terceira idade, das revelações e epifanias que a idade traz ao olhar pra trás com todas as suas decisões e consequências. Eastwood merecia uma indicação pela sua atuação e pela ótima trilha sonora.

Curiosidades:

– A filha de Clint Eastwood na vida real, Alison Eastwood, interpreta a filha de seu personagem no filme.
– Um dos temas do filme é sobre Earl (Eastwood) não assumir suas responsabilidades familiares. No lançamento do filme, Clint Eastwood o apresentou junto de uma filha que teve a 54 anos e somente em 2018 ele a reconheceu como sua.
– Clifton Collins Jr. De “O Cofre” que interpreta um dos traficantes é ex-genro de Clint Eastwood.
Bradley Cooper que já trabalhou com Eastwood em “Sniper Americano” e Andy Garcia de “Mamma Mia 2” disseram que aceitariam qualquer papel para trabalhar com o diretor.
Earl (Eastwood) vai numa lanchonete chamada Gunny’s Burger. É uma homenagem ao seu personagem Gunnery Sgt, Thomas em “O Destemido Senhor da Guerra” de 1986, o qual ele também dirigiu.

Ficha Técnica

Elenco:
Clint Eastwood
Bradley Cooper
Taissa Farmiga
Michael Peña
Andy Garcia
Laurence Fishburne
Alison Eastwood
Dianne Wiest
Manny Montana
Richard Herd
Clifton Collins Jr.
Jill Flint
Ignacio Serricchio
Robert LaSardo
Noel Gugliemi

Direção:
Clint Eastwood

Produção:
Clint Eastwood
Dan Friedkin
Jessica Meier
Tim Moore
Kristina Rivera
Bradley Thomas

Fotografia:
Yves Bélanger

Trilha Sonora:
Arturo Sandoval

 

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