A Noiva (“Nevesta”)

A Paris Filmes, distribuidora nacional fez duas grandes sacanagens com “A Noiva”: a primeira foi não só ter dublado o filme que é russo em português (que não é ruim pra quem só assiste filme dublado), mas também dublou em inglês (!?!?!?), o que não faz sentido algum, a não ser que eles achem que todos são preconceituosos com produções estrangeiras que não sejam americanas. Nem é preciso dizer que a dublagem é triste.

Sabe qual a segunda sacanagem? O próprio filme, de tão ruim que é. Lembram daquela tradição de fotografar mortos que apareceu no filmaço “Os Outros” de 2001? Os cineastas usaram essa desculpa para um indecifrável fiapo de história. Mais ou menos assim: Nastya e Vanya (é o homem) estão prestes a casar e vão visitar a família dele numa mansão isolada sem saber (pelo menos ela não sabe) que está para ser vítima de um ritual para alimentar a alma de um espírito demoníaco.

O que poderia ter o desenvolvimento minimamente satisfatório enlouquece desde os primeiros minutos. A trama não faz o menor sentido e a cada ato contradiz o anterior. E se Vanya é o cara mais retardado do planeta em levar sua noiva para essa roubada, sabendo o que ia acontecer, mesmo sendo contra, Vanya ganha o prêmio de vítima mais burra de um filme de terror. São incontáveis oportunidades que ela teve de fugir, chamar a polícia ou matar o espírito (que aparentemente é bem fraquinho), e ela sempre faz a escolha errada.

No último ato, eu não sabia se entrava no filme e matava a noiva demoníaca eu mesmo ou se torcia pra noiva macabra matar todo mundo pro filme terminar mais rápido. Mas até a torcida para o espírito seria inglória, pois seu método de matar quase não funciona, ou apenas de acordo com a conveniência do roteiro. São tantas incoerências na narrativa que por pouco não vira uma paródia de si mesma (o que acontece com o fato da virgindade ser essencial para o tal ritual no último ato é hilário).

Esqueça efeitos especiais, pois o filme depende unicamente de edições confusas e uma maquiagem bastante duvidosa. Inclusive a tal Noiva do título aparece cada vez de um jeito, dependendo da maquiadora de plantão. E o desfecho parece ter saído do filme “Todo Mundo em Pânico” quando um determinado personagem olha para a casa semidestruída e diz algo digno de uma imensa gargalhada. Só que em retrospecto, todas as gargalhadas que o espectador der em “A Noiva” serão facilmente convertidas em pura raiva de ter jogado seu precioso tempo no lixo, quando quem deveria estar morto e enterrado era esse filme.

Ficha Técnica

Elenco:
Victoria Agalakova
Vyacheslav Chepurchenko
Aleksandra Rebenok
Igor Khripunov
Natalia Grinshpun
Victor Solovyev
Marina Alhamdan
Miroslava Karpovich
Yevgeny Koryakovsky
Valeriya Dmitrieva

Direção:
Svyatoslav Podgaevskiy

Produção:
Zaur Bolotaev
Dmitriy Litvinov
Vladislav Severtsev

Fotografia:
Ivan Burlakov

Trilha Sonora:
Halfdan E
Jesper Hansen

 

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