A Origem (“Inception”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

Christopher Nolan é um perfeccionista. Ele consegue contar uma história como ninguém em “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e levar pra tela roteiros extremamente complexos como “O Grande Truque“. “A Origem” foi outro desafio de complexidade exponencial que ele tirou de letra com uma riqueza de detalhes impressionante.

Leonardo DiCaprio (“Ilha do Medo” vivendo mais um personagem atormentado) é Cobb, um especialista em entrar nos sonhos das pessoas para retirar segredos. Ele atua com uma equipe no ramo da espionagem corporativa. Só que ele é contratado para fazer algo até então inédito: implantar uma idéia na mente de um jovem empresário (Cillian Murphy que já trabalhou com Nolan em “Batman“) para que ele divida seu império deixando espaço para seu concorrente e contratante de Cobb. Para isso, um plano altamente difícil é elaborado, sem contar que dentre as muitas ameaças dentro e fora dos sonhos – na vida real o time é perseguido por uma outra organização – eles ainda terão que enfrentar a projeção da falecida esposa de Cobb, chamada Mal, nome não por acaso e interpretada por Marion Cotillard (“Inimigos Públicos“).

O filme pega conceitos emprestados de outras produções como o oitentista “Morte nos Sonhos” e “Matrix“. Do primeiro pega todas as teorias neurológicas, mas num detalhamento muito maior. O conceito de sonho dentro do sonho, de como o tempo passa de formas diferentes a cada nível do sonho, da sua arquitetura e da maneira que cada um da equipe desempenha um papel importante é de uma riqueza de detalhes essencial. Do segundo, pega toda a concepção gráfica e eleva certas cenas de ação à potência tal de maneira a deixar o Neo de “Matrix” envergonhado, como na irretocável cena de luta entre o parceiro de Cobb, Arthur (Joseph Gordon-Levitt de “500 Dias com Ela“) e um bandido quando as leis da gravidades ficam distorcidas.

Para incrementar ainda mais o clima de pesadelo, alguns cortes rápidos como se os personagens estivessem “pulando” no tempo dentro do sonho e uma trilha sonora magnânima de Hans Zimmer (“Anjos & Demônios“) passa uma sensação de constante agonia e tensão como se algo de terrível sempre estivesse prestes a acontecer. Destaque também para a música escolhida para sinalizar o despertar de um sonho, interpretada por Edith Piaf, que por curiosidade já foi interpretada pela própria Marion Cotillard em “Piaf – Um Hino de Amor“.

Mas de nada adiantaria tanta perfeição se não fosse justamente o conflito interno do protagonista. E aí, DiCaprio tem uma participação crucial dentro de um roteiro que se inspira claramente em “Clube da Luta“, sendo ele o Jack de Edward Norton e Mal como o Tyler Durden de Brad Pitt. Os coadjuvantes passam longe de qualquer estereótipo com destaque fundamental para Ellen Page (“Garota Fantástica” como novata no time, e o próprio Gordon-Levitt como parceiro e melhor amigo de Cobb.

Finalmente Nolan consegue ainda a proeza de explicar toda a trama sem dificuldades e muito menos sem usar cenas que parecem manuais de instrução, seguindo uma narrativa fluida e consistente para o espectador, mesmo que vez ou outra ele se sinta um pouco perdido, só para se achar novamente de forma rápida. Imperdível, inenarrável, “A Origem” ainda deixa um gosto de dúvida na boca do público que deve sair planamente satisfeito. Ou não: vai querer voltar ao cinema ou alugar o DVD só pra ver tudo de novo e quem sabe, um pouco mais.

[rating:5]


Ficha Técnica

Elenco:
Leonardo DiCaprio
Marion Cotillard
Joseph Gordon-Levitt
Ellen Page
Ken Watanabe
Cillian Murphy
Tom Berenger
Michael Caine
Lukas Haas
Tohoru Masamune
Tom Hardy

Direção:
Christopher Nolan

Produção:
Christopher Nolan
Emma Thomas

Fotografia:
Wally Pfister

Trilha Sonora:
Hans Zimmer

 

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