Águas Rasas (“The Shallows”)

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Release Date : 2016

Sempre é interessante descobrir que artifícios os realizadores vão usar em filmes com ambiente contido e focado praticamente apenas um personagem. Haja criatividade. Infelizmente não foi o que vimos o diretor Jaume Collet-Serra de “Noite Sem Fim” fazer em “Águas Rasas”.

A deliciosa Blake Lively de “A Incrível História de Adeline” vai para uma praia deserta no México pegar onda. Lá ela dá de cara com um tubarão que, pelo visto, concorda com os seres humanos e achou ela deliciosa também, a ponto de não largar do pé dela pra tirar um pedaço. Nancy fica ilhada num rochedo e o resto do filme é uma batalha estratégica entre ela e o peixão pra ver quem vai viver.

Esse tubarão é aquele clássico que parece ter um QI maior do que o ser humano e quando não vai com a cara de alguém, não quer mais largar. Justamente aquele tipinho batido que não tem mais espaço nos roteiros de hoje, ou melhor, pelo visto tem sim. Pior é quando o tubarão ataca os poucos coadjuvantes do filme numa montagem tão veloz que parecia que era um cardume e não um só. Além disso, como clichê que é, a trama faz parte “do tudo o que pode dar errado, dá errado” para a nossa heróina. Da maneira em que é colocada, o que deveria ser um desafio crescente, parece até uma comédia de erros, só que sem a parte cômica.

Se tudo isso já mina a credibilidade da produção, os efeitos especiais concluem o serviço: as criaturas, principalmente os golfinhos e o próprio antagonista marinho parecem ter saído de um vídeo game de tão falsos que se apresentam. Ainda temos que aguentar o rosto de Lively colocado digitalmente numa dublê onde fica claríssimo nos poucos segundos em que ela aparece surfando. E o desfecho é tão digital e forçado que mesmo visualmente interessante é um atentado à inteligência do espectador e porque não da raça dos tubarões também.

O destaque positivo vai para o uso criativo dos efeitos onde a protagonista conversa com a família via Facetime ou mostra o tempo passando nos momentos de tensão. Só que o próprio tempo também conspira contra o roteiro, pois quem conhece o mínimo das marés percebe a inépcia da história em mostrar a preamar e baixarmar de de forma correta: num determinado momento faltariam minutos para a água cobrir o rochedo onde Nancy se mantém ilhada, mas isso praticamente nunca acontece.

Águas rasas” até logra em prender a atenção do público, só que por todos os motivos errados.

Curiosidades:

– Na dublagem mexicana, o que é espanhol passa a ser português e a praia se diz situada no Brasil.
– O tubarão branco é fêmea, por isso maior que o macho.
– Nancy chama a gaivota machucada de Steve Seagull (seagull é gaivota em inglês) numa óbvia alusão ao ator Steven Seagal.
– Quase no final Nancy bate o rosto numa grada, o que causa um sangramento no nariz e feridas no rosto. Isso aconteceu DE VERDADE com a atriz e se manteve no corte final do filme.

Ficha Técnica

Elenco:
Blake Lively
Óscar Jaenada
Angelo Jose
Lozano Corzo
Jose Manual
Trujillo Salas
Brett Cullen
Sedona Legge
Pablo Calva
Diego Espejel

Direção:
Jaume Collet-Serra

Produção:
Lynn Harris
Matti Leshem

Fotografia:
Flavio Martínez Labiano

Trilha Sonora:
Marco Beltrami

 

2 Comments

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  • Vine
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    Só soube falar mal do filme inteiro. Péssima crítica. Opinião sua, fazer oque ..
    EU achei fantástico!

    • Aldo
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      Tem razão: opinião minha. Só não confunda péssima crítica com opinião divergente. Eu e o tubarão agradecemos.

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