Alien: Covenant

Apesar de levar o nome “Alien”, ele está muito mais próximo de “Prometheus” – seu antecessor – do que irá ser cronologicamente o clássico “Alien – O Oitavo Passageiro”, mesmo que os créditos iniciais sejam uma clara homenagem ao filme que começou uma das grandes sagas de ficção / terror da história.

Essa proximidade da sua prequel é coincidentemente um dos pontos positivos, pois responde a quase todas as perguntas que ficaram abertas em “Prometheus” e, por melhor que tenha sido, não deixou de ser incômodo tantas pontas soltas, como por exemplo, o exato funcionamento do vírus que produz os xenomorfos, as intenções do androide David e o destino tanto dos Criadores como da Dra. Elizabeth Shaw (Noomi Rapace), que por sinal pra quem ficar atento, é uma revelação bombástica. Aliás, é interessante até ver o prólogo disponibilizado pelo estúdio no YouTube que mostra imagens que não estão no filme:

Uma nave de colonização Covenant sofre um acidente e a equipe que sobra, capitaneada pelo Capitão Oram (Billy Crudup de “Laços de Sangue”), com Daniels (Katherine Waterston de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”) como segunda no comando e até mesmo o androide Walter que é uma versão mais evoluída que David (Michael Fassbender de “Assassin’s Creed”), atendem a uma misteriosa transmissão num planeta desconhecido que tem uma atmosfera tão parecida com a Terra que eles decidem até que pode ser uma boa opção para colonizar. E é lá que eles vão encontrar David e grandes ameaças.

Não é porque o filme responde praticamente todas as perguntas deixadas no ar que não há incômodos: é difícil de engolir uma tripulação feita de casais numa missão tão importante sabendo que os laços afetivos claramente podem provocar decisões menos objetivas e consequentemente equivocadas (e é o que mais acontece).

O pai da criança, Ridley Scott, sabendo que todo o suspense de sua criatura de 1979 já teve sua vez, investe mais na ação e em diferentes elementos de tensão, como o relacionamento e dinâmica do grupo, principalmente com a inserção de David que talvez seja mais ameaçador que os próprios aliens. E o desenvolvimento dele é um dos destaques, mas não vai deixar de frustrar que ainda esperava que os monstros fossem as estrelas do filme.

Por outro lado, homenagens à série é o que não falta: Waterston com cabelo curto praticamente emulando a Tenente Ripley, a icônica cena do banheiro (que até tem no trailer) e finalmente a aparição do primeiro alien da maneira em que conhecemos (talvez tenha sido exageradamente elegante) são apenas alguns exemplos. E se talvez falte mais violência ou que ela seja mais explícita, o diretor mostrou um ritmo incansável e até mesmo nas pausas da ação, fica uma atmosfera de suspense de tirar o fôlego com um roteiro que pouco a pouco vai juntando as peças para que a gente entenda a origem da ameaça que vai encontrar a equipe da nave Nostronomo em breve (a nave de Ripley).

Filmado na nova Zelândia, a fotografia de Dariusz Wolski (“A Travessia”) está impecável e juntamente com o design de produção, perpassa cenários amplos e épicos até os mais claustrofóbicos. Os efeitos especiais mão deixam por menos. Contudo, os puristas sentirão falta da criatura mais material, da época em que era uma roupa vestida por um ator, visto que o CGI apesar da tecnologia de ponta, contrasta com a criatura que conhecemos em 1979 e depois aprendemos a amar odiando em “Aliens – O Resgate”.

Assim, “Alien: Convenant” permanece como uma potente e original ficção mesmo que ainda um pouco distante da expectativa de alguns. Tem alguns erros chatos, mas com certeza muito mais acertos e deixa a porta escancarada para a última parte da trilogia que vai ligar a saga como um todo.

Curiosidades:
– Primeiro filme que quebra a regra alfabética cronológica dos androides da série:
1. Ash (Alien – O Oitavo Passageiro)
2. Bishop (Aliens – O Resgate e Alien 3)
3. Call (Alien: A Ressurreição)
4. David (Prometheus)
5. Walter (Alien: Covenant)
– Aliás os nomes David e Walter são uma homenagem aos produtores David Giler e Walter Hill (este último, grande amigo de Ridley Scott).
– Tem uma cena onde aparece um pássaro de brinquedo bicando um copo dágua. É mais uma homenagem a “Alien – O Oitavo Passageiro” onde na primeira cena dentro da nave aparece um pato de brinquedo bicando água ao fundo.
– Primeiro filme da série após a morte do criador do design da criatura, H.R. Ginger. Pra quem não sabe, Ginger não criou o Alien para o filme, mas para uma série de livros chamada Necronomicon. Ridley Scott gostou tanto das gravuras que o chamou para fazer o design de todo o universo de Alien.
– James Franco faz uma rápida participação e foi ele que indicou o amigo Danny McBride para o papel de Tennensee.
– A arte do cartaz é inspirada em O Inferno de Dante, uma das grandes obras de arte da qual David é amante, além de Byron, Michelangelo, entre outros.
– Como o Alien é sempre o derivado da criatura que ele faz de hospedeiro, ele é designado como um Xenomorfo.
– E finalmente há um especial com cenas cortadas, mas que são como antes do primeiro ciclo de sono da tripulação:

(SPOILER ALERT) Não leia a partir daqui se você não viu o filme.

– O Alien que conhecemos não é apenas um xenomorfo derivado de um ser humano, mas um conjunto de mutações genéticas através de cruzamentos feitos por David, do vírus com outras criaturas que o levou a um estágio intermediário de evolução (o casulo) e daí sim, parte para infectar o ser humano, usando-o como hospedeiro até a fase em que sai do corpo para se transformar no Alien.
– Aquele xenomorfo branco que mata um dos membros da equipe e depois é morto por Oram tem uma conexão com David. É porque aquele é o xenomorfo derivado da Dra. Elizabeth Shaw e aparentemente nele reside um resíduo da própria personagem e por isso David ficou tão afetado com a sua morte.

Ficha Técnica

Elenco:
Michael Fassbender
Katherine Waterston
Billy Crudup
Danny McBride
Demián Bichir
Carmen Ejogo
Jussie Smollett
Callie Hernandez
Amy Seimetz
Nathaniel Dean
Alexander England
Benjamin Rigby
Uli Latukefu
Tess Haubrich
Lorelei King
James Franco

Direção:
Ridley Scott

Produção:
David Giler
Walter Hill
Mark Huffam
Michael Schaefer
Ridley Scott

Fotografia:
Dariusz Wolski

Trilha Sonora:
Jed Kurzel

 

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