Aniquilação (“Annihilation”)

É uma ficção científica cabeça. Cabeça até demais.

Baseado no primeiro livro de uma trilogia, o filme mostra um misterioso meteoro que caiu na Terra e formou uma redoma de energia desconhecida. Quem entrou lá não saiu, com exceção de Kane (Oscar Isaac de “Suburbicon”) que estava desaparecido há mais de ano. Sua esposa Lena (Natalie Portman de “Cavaleiro de Copas”) resolve entrar junto com uma equipe só de mulheres cientistas para descobrir o que realmente é o Brilho, como foi batizado.

Aqui o empowerment feminino fica meio fora de contexto, pois não há motivo aparente para não haver nenhum homem, a não ser uma conveniência do roteiro.

Virada essa página, o mote do roteiro é descobrir o que é o tal Brilho. É aí que entra uma jornada de autoconhecimento e pesada filosofia. Sem dar spoilers, dá pra ver no trailer uma série de mutações em plantas e animais. Assim, a principal questão que o filme nos coloca é: se algo muda em nosso DNA, deixamos de ser quem éramos antes. Isso passa por religião, metafísica e biologia. Refraseando: se existe uma alma ou uma essência, ele depende de nossos componentes biológicos ou a espiritualidade é separada do DNA? O roteiro dá essa resposta claramente, mas não explicitamente no final.

Alex Garland do ótimo “Ex Machina” dirige os dois primeiros atos como uma ficção mais comercial e vai filosofando ao longo do terceiro ato, ou melhor, passa até a metade do filme massageando o intelecto do espectador para fazê-lo se exercitar no final. No meio do caminho homenageia alguns ícones do gênero como na cena em que as personagens estão amarradas remetendo ao clássico “O Enigma do Outro Mundo” de John Carpenter.

O elenco é bem genérico apesar de contar com alguns nomes conhecidos, inclusive Portman que se esforça, mas não é ajudada pelo próprio desenho de sua personagem. A viagem filosófica acaba sendo o personagem principal que rouba as cenas e tem seu clímax numa interessante dança que diz muito com poucas palavras (ou nenhuma) para os mais atentos.

Aniquilação” passa uma mensagem disruptiva e faz refletir, tem suas falhas de roteiro (expostas mais para o desfecho), ainda deixa algumas perguntas soltas, mas combina uma dose agradável de ação, efeitos especiais aliados a uma ótima fotografia que fica entre o mainstream e underground, o cult e o comercial, podendo agradar a ambos ou a nenhum.

Curiosidades:

– Os sets de filmagem de Aniquilação e Star Wars: Os Últimos Jedi eram vizinhos. Então Oscar Isaac ficava no mesmo trailer para filma ambos e chegou a filmar cenas dos dois filmes num mesmo dia.
– Existe uma tatuagem no braço da protagonista e dos outros personagens que entraram no Brilho que não havia antes. É o símbolo do infinito representado por cobras, uma comendo a outra, fazendo a alusão a autodestruição, um dos temas fortes do filme. O nome dessa tatuagem é Ouruboros.
– A dança no final foi coreografada pela namorada do ator Oscar Isaac, chamada Bobbi Jene Smith.
– Um dos monstros do filme foi batizado de Homerton pela equipe de efeitos visuais, uma piada com o filme As Aventuras de Paddington.
– A casa abandonada em que elas se abrigam no Brilho é arquiteturalmente idêntica à casa da protagonista no início do filme.

Ficha Técnica

Elenco:
Natalie Portman
Jennifer Jason Leigh
Tessa Thompson
Oscar Isaac
Benedict Wong
Sonoya Mizuno
David Gyasi
John Schwab
Gina Rodriguez
Tuva Novotny
Sammy Hayman
Josh Danford

Direção:
Alex Garland

Produção:
Eli Bush
Andrew Macdonald
Allon Reich
Scott Rudin

Fotografia:
Rob Hardy

Trilha Sonora:
Geoff Barrow
Ben Salisbury

 

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