As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne (“The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn”, Bélgica / EUA / Nova Zelândia, 2011) ***NOS CINEMAS***

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Steven Spielberg sempre foi considerado o rei dos filmes famílias desde “ET – O Extraterrestre”, passando pelas sagas “Indiana Jones”, “Parque dos Dinossauros”, entre outras produções de sucesso. Bom saber que depois do deslize desnecessário “Cavalo de Guerra”, ele retorna em plena forma com uma obra que faz esse bastião da ciência do que o público quer ver voltar para suas mãos.

Baseado no clássico personagem dos quadrinhos criado pelo belga Hergé, em 1929, Tintim é um jovem repórter que costuma desvendar uma série de casos obscuros e se vê envolvido em mais uma conspiração quando compra um modelo de navio em miniatura que esconde um grande segredo. A decisão de se fazer o filme com a mais moderna técnica de captura de movimentos desenvolvida pela amante da arte Robert Zemeckis em filmes como “Os Fantasmas de Scrooge” e aperfeiçoada por Spielberg foi acertada, pois faz com que o espectador não ligue para o desenrolar absurdo da trama com personagens que, como num desenho animado, conseguem escapar das mais impossíveis situações.

Apesar da história relativamente inteligente, é no deslumbre visual que se encontra o grande destaque. O detalhe no nível de pixel é tão bem elaborado que em determinadas paisagens, o desprevenido pode imaginar que se trata de um filme em live-action e não uma animação. E cada vez mais o aspecto que mais joga contra essa tecnologia é minimizado: o famoso brilho nos olhos que passa aquela sensação artificial de vida do personagem parece estar sendo aos poucos corrigindo dando genuína emoção aos bonecos feitos em computador. E falando em emoção, nota-se a clara tendência dos personagens e roteiro para a comédia, beirando por pouco esta classificação de gênero, não fosse a ótima ação desenfreada que permeia toda a projeção.

O diretor continua se atendo ao tema que percorre durante toda a sua vida: a relação entre pai e filho. Repare como se desenvolve a dinâmica entre os personagens de Tintim (na voz de Jamie Bell de “Um Ato de Liberdade”) e o Capitão Haddock (o especialista em personagens digitais Andy Serkis que já nos presenteou com o Gollum, King Kong e mais recentemente, César, o macaco de “O Planeta dos Macacos – A Origem”).

Agora Spielberg também revela outra paixão sua na concepção da arte tecnológica, que são os vidros, reflexos e refrações. Percebam como ele usa exaustivamente tomadas envolvendo esses reflexos nos mais diversos objetos como espelhos, óculos, binóculos, janelas, garrafas e até em bolhas e gotas de água.

As Aventuras de Tintim” pode ser quase considerado um Indiana Jones mirim já que conseguiu reunir as melhores qualidades da saga com a arte e a consistência das histórias do cartunista Hergé. Com um 3D usado de maneira corretíssima para tirar o fôlego em inúmeras cenas de ação orquestradas com perfeição, transições de cena inspiradas e mais um acerto de John Williams na trilha (que errou em “Cavalo de Guerra“) a obra é desde já, não só um marco, como também uma pequena pérola da animação.
[rating:4]

Ficha Técnica

Elenco:
Jamie Bell
Daniel Craig
Andy Serkis
Nick Frost
Simon Pegg
Cary Elwes
Enn Reitel
Gad Elmaleh
Mackenzie Cook
Tony Curran
Sebastian Roché
Toby Jones

Direção:
Steven Spielberg

Produção:
Peter Jackson
Steven Spielberg
Kathleen Kennedy

Trilha Sonora:
John Williams

 

1 Comment

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  • Daniel Bezerra
    on

    Eu não lembro de ter lido nenhum quadrilho do Tintin, por isso si eu falar besteira desconsidere. O filme surprende na produção que em alguns momento você esquece que é animação. Mas os personagens não são nada engraçados e criativos além de terem excesso de burrice. O cachorro é mais inteligente do que Tin Tin, Hadock, Dupond e Dupont juntos. Isso torna o filme um pouco irritante. A história eu particularmente achei fraca.

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