Baywatch: S.O.S Malibu (“Baywatch”)

Adaptar um seriado televisivo para o cinema não é novidade, mas também não nenhum pecado mortal. O que mudou de uns tempos pra cá – e uma ótima mudança – é que a telona parece ter abraçado uma versão mais cômica dessas séries, como se numa caricatura de si mesma. Começou discretamente com “Esquadrão Classe A” e atingiu seu ápice com o engraçadíssimo “Anjos da Lei”. Isso porque seus roteiros e diretores seguiram à risca quatro regras básicas:

1. Conheciam profundamente os elementos que faziam o sucesso das séries originais, sabendo subverte-los para a comédia de maneira consistente.
2. Construíam elos físicos com os originais, seja trazendo os artistas das antigas ou até com trechos e/ou recriações de suas cenas, trilhas, etc. Mas com novos atores revivendo os protagonistas de maneira honrada e divertida.
3. Abraçava totalmente o escracho sem frescura nenhuma.
4. Tinha uma história que, com toda a paródia, fazia o mínimo de sentido e dava vontade de seguir.

Baywatch” cometeu o pecado de só seguir as duas primeiras regras. Dwayne Johnson (“Velozes e Furiosos”) e Zac Efron (“Vizinhos 1 e 2”) são os caras certos pro filme.

Johnson reencarna o icônico Mitch Buchannon de David Hasselhoff, enquanto Efron é Matt, um ex-atleta decadente e mimado que entra a força no time de Mitch e a contragosto do mesmo. Entre atritos, coadjuvantes femininas gostosas e o alívio cômico nerd (o engraçadinho e desconhecido Jon Bass), eles tem que desvendar um suposto tráfico de drogas acontecendo em sua região.

Apesar de alguns momentos engraçados, o primeiro grande erro do diretor Seth Gordon de “Uma Ladra Sem Limites” foi não abraçar o escracho, o trash com todas as forças. Ao contrário: ele parece tímido nessa arte ou quase com medo de não ser levado à sério quando a última coisa que ele precisaria era ser levado a sério. Quase todas as piadas esbarram num muro virtual de uma pseudo-seriedade ou do politicamente correto que nunca faz o filme decolar.

O próprio elenco parece ficar de mãos atadas perante ao potencial que tem algumas cenas, mas que não são exploradas. Talvez o melhor exemplo são os fraquíssimos erros de gravação nos créditos finais, como se até lá fosse necessária uma bizarra cautela, como se a regra fosse não fazer o público rir tanto.

E, convenhamos, o fiapo de história tanto não convence como parece atrapalhar a fluidez e a dinâmica dos personagens, além de trechos que fogem dos limites do absurdo (o que não aconteceria se o filme fosse um trash declarado). Pra completar, os efeitos especiais parecem ter saído mesmo dos piores filmes dos anos 90 de tão ruins e artificiais que são.

Baywatch” não soube seguir o bonde das adaptações de séries para o cinema e descarrilhou perdendo a oportunidade de deixar a sua marca e assim entrando mudo e saindo calado.

Curiosidades:
– Mitch chama Matt de vários apelidos que remetem às boys bands, como NSYNC, New Kids on the Block, Justin Bieber, incluindo High School Musical, filme do qual – Zac Efron era realmente um dos protagonistas.
– Aliás a idéia de Matt ser chamado assim foi do próprio Efron.
– Com esse filme Dwayne Johnson completa 2016 como o ator mais bem pago de Hollywood no ano (mais pela quantidade de produções do que pelo seu valor unitário).

Ficha Técnica

Elenco:
Dwayne Johnson
Zac Efron
Priyanka Chopra
Alexandra Daddario
Kelly Rohrbach
Ilfenesh Hadera
Jon Bass
Yahya Abdul-Mateen II
Hannibal Buress
Rob Huebel
Amin Joseph
Jack Kesy
Oscar Nuñez
David Hasselhoff
Pamela Anderson

Direção:
Seth Gordon

Produção:
Michael Berk
Gregory J. Bonann
Beau Flynn
Ivan Reitman
Douglas Schwartz

Fotografia:
Eric Steelberg

Trilha Sonora:
Christopher Lennertz

 

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