Beleza Adormecida (“Sleeping Beauty”, EUA, 2011) ***NOS CINEMAS***

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Na minha crítica sobre “Drive” falei um pouco das diferenças entre o cinema comercial e aquele que desenvolve uma linguagem mais artística e que filmes de ambos os lados podem ser bons e ter qualidade. Mas até mesmo o filme de arte tem que ter um sentido ou trazer uma mensagem, nem que seja estética ou filosófica. É justamente o que não acontece em “Beleza Adormecida”.

O espectador acompanha a vida de Lucy (a ninfeta Emily Browning de “Sucker Punch”), uma jovem que faz tudo pra ganhar dinheiro. E só. O título, o qual tem na sua tradução literal uma analogia com “A Bela Adormecida”, mas que provavelmente não pode ser divulgado assim por causa de direitos autorais, refere-se a uma parte da trama onde ela entra pra uma agência de acompanhantes onde precisa tomar um sonífero que a deixa desacordada enquanto seus clientes fazem tudo o que querem com ela, com exceção de penetração, segundo a dona da agência.

O grande problema desta trama é que não parece existir nenhuma motivação da personagem, muito menos algo que dê sentido às suas atitudes. Browning faz o que pode com a sua atuação – e a coitada tenta – mas se percebe que nem ela conseguiu decifrar o próprio papel, indo de uma situação a outra como se estivesse anestesiada. O próprio desfecho que pretendia ser chocante, não só não traz resposta alguma como também não mostra nada que o público não presenciou antes.

A estreante diretora e também roteirista Julia Leigh imprime a sua marca artística nos diálogos e nas imagens com movimentos de câmera sutis e enquadramentos diretos. Um bom exemplo é um extenso monólogo de um dos clientes de Lucy para a sua agente. Porém toda essa tentativa de posicionar sua obra como arte purista cai por terra pela falta de um planejamento narrativo, colocando o roteiro numa espécie de limbo, de onde não consegue sair para dar uma resposta final satisfatória ao espectador.

Beleza Adormecida” guarda apenas um presente para os homens: a linda Emily Browning nua em pelo. De resto, é um exemplo de que há uma grande diferença entre um filme com várias interpretações e um filme sem nada pra interpretar. E recai justo na segunda alternativa.
[rating:2.5]

Ficha Técnica

Elenco:
Emily Browning
Rachael Blake
Ewen Leslie
Peter Carroll
Chris Haywood
Hugh Keays-Byrne
Bridgette Barrett
Hannah Bella Bowden
Les Chantery
Benita Collings
Michael Dorman
Eden Falk
Anni Finsterer
Mirrah Foulkes

Direção:
Julia Leigh

Produção:
Jessica Brentnall

Fotografia:
Geoffrey Simpson

Trilha Sonora:
Ben Frost

 

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