Boneco de Neve (“The Snowman”)

Tinha tudo pra dar certo. A adaptação do livro homônimo da série sobre o detetive decadente Harry Hole escrita pelo autor norueguês Jo Nesbø tinha uma trama e personagens complexos, além de ótimas reviravoltas. Tudo está em algum lugar desse filme que ninguém, nem seus realizadores, conseguiram achar.

O incômodo começa na primeira cena quando uma edição frenética parece não deixar a história se desenrolar naturalmente, como se tivesse pressa pra chegar ao fim. Difícil um enquadramento durar mais de dez segundos antes de ser cortado. Assim é corriqueiro vermos, como exemplo, um personagem saindo do carro e quando bate a porta, já está em direção da casa, que já abriu a porta, já está no corredor, subindo a escada que já chegou lá em cima… e a narrativa vai como um trem descarrilhado.

Por essas e outras a vida de Harry não é fácil. Interpretado por Michael Fassbender (“Alien: Covenant”), mo protagonista tenta descobrir o desaparecimento de mulheres, junto à sua parceira Katrine (Rebecca Ferguson de “Vida”). Esse mistério vai remeter a dupla há outra série de crimes ocorrida anos antes e eles terão que desvendar qual a conexão e quem é o serial killer por trás de tudo.

O diretor Tomas Alfredson dos excelentes “Deixa Ela Entrar” e “O Espião que Sabia Demais” ou perdeu a mão (e o juízo) ou estava muito pressionado. Aparentemente seu nervosismo saltava na tela misturado a um transtorno de déficit de atenção que obrigava o espectador a sempre saltar de uma cena para outra sem ter a mínima noção espacial ou temporal, tendo que fazer mais força para adivinhar a cena do que acompanhar a história. Por isso não se cria conexão ou empatia com nenhum dos personagens. Quando um ou outro mais importante morre, parece apenas mais um fato dentre tantos, pois nem a tensão ou emoção da morte é devidamente absorvido pelo público.

Pior do que isso é saber que o trailer nos manipula, pois mais da metade dele não aparece na versão finalizada: a ligação do assassino, suas cartas, a armadilha do urso ou uma explosão, nada disso existe, porém praticamente quando você assiste ao filme, percebe que essas cenas do trailer mudariam sensivelmente o desenvolvimento da trama e talvez até mesmo o seu final.

Finalmente não dá pra deixar de citar a triste participação de um irreconhecível Val Kilmer (“Virginia”) que parece ter feito uma redução de estômago seguida de um botox na bochecha que o deixou sem nenhuma expressão com dificuldade até para balbuciar palavras, sendo seu arco de história outra frustração.

Boneco de Neve” é uma ótima história, mas tão mal contada e tão confusa não gera nenhum sentimento a não ser uma completa insatisfação.

Curiosidades:

– O diretor disse que o budget para o filme não permitiu tempo suficiente para filmagem e edição, sendo que mais de 15% da história não teria ido para a tela.
– O bar que Harry frequenta em Oslo existe de verdade e é a poucos minutos de caminhada do endereço dele no livro (que existe, mas logicamente não é dele).
– No final há uma deixa para uma possível continuação, que é o próximo livro de Jo Nesbø da série chamado “O Leopardo”.
– Michael Fassbender começou as filmagens de Boneco de Neve apenas dois dias depois de ter terminado as filmagens de Assassin’s Creed.

Ficha Técnica

Elenco:
Michael Fassbender
Rebecca Ferguson
Charlotte Gainsbourg
Jonas Karlsson
Michael Yates
Ronan Vibert
J.K. Simmons
Val Kilmer
David Dencik
Toby Jones
Genevieve O’Reilly
James D’Arcy
Jeté Laurence
Adrian Dunbar
Chloë Sevigny

Direção:
Tomas Alfredson

Produção:
Tim Bevan
Eric Fellner
Peter Gustafsson
Richard Hewitt
Robyn Slovo

Fotografia:
Dion Beebe

Trilha Sonora:
Marco Beltrami

 

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