Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe / Os Órfãos de Brooklyn (“Motherless Brooklyn”)

Acho que a coisa mais difícil que já fiz em uma crítica é ter que escrever esse título ridículo por uma equipe de marketing que parece não ter se dado ao trabalho de ver o filme. No próprio roteiro, eles dão a deixa de um título bem melhor: Os Órfãos de Brooklyn. Permitam-me usar esse por favor.

O sumido Edward Norton de “Beleza Oculta” escreve, dirige e protagoniza essa trama noir passada nos anos 50, onde ele é Lionel, rapaz com Síndrome de Tourette e autismo, que foi acolhido numa agência de investigação particular por seu dono Frank (Bruce Willis de “Assalto ao Poder” pagando o aluguel). Quando Frank é assassinado, Lionel, com todas as suas limitações luta para achar os culpados o que o leva a um poderoso empreiteiro (Alec Baldwin de “Infiltrado na Klan”) e uma misteriosa mulher (Gugu Mbatha-Raw de “O Paradoxo Cloverfield”).

Norton é uma atração a parte como protagonista: sua pesquisa sobre pacientes com Tourette o fez desenvolver um personagem crível, pé no chão e com uma complexidade impressionante. Não é errado dizer que ele carrega o filme nas costas, apesar de Baldwin encarna um vilão bastante humano e Gugu Mbatha-Raw está deslumbrante num misto de potência fragilidade.

O roteiro não tem grandes reviravoltas e a própria história em si segue alguns clichês do gênero, mas o diferencial mais uma vez está em Norton como diretor, que explora as mais de duas horas de filme para desenvolver fatos e personagens, embalados pela trilha de Daniel Pemberton de “Aves de Rapina” que aqui nos leva a uma boa jornada pelo jazz americano. Há uma licença artística em especial muito bonita onde uma perseguição é revezada com um clipe de uma banda de jazz que toca justamente a trilha.

Órfãos de Brooklyn” dá um frescor ao subgênero de thriller noir com ótimas atuações e condução forte. Recomendado!

Curiosidades:

– O filme é baseado num livro lançado em 1999 e passado no mesmo ano. Norton que escolheu escrever a mesma trama só que na década de 50 porque queria dar um tom noir ao filme.
– O personagem de Alec Baldwin é baseado no empreiteiro Robert Moses que na década de 20 foi responsável por uma série de desapropriações questionáveis da classe pobre de Brooklyn para construção de atrações para classes A e B.
– Segundo o diretor Edward Norton, o elenco principal trabalhou de graça para fazer o filme. (Será?)
– O set do clube de jazz pegou fogo e no incêndio um bombeiro morreu e dois ficaram feridos.
– O hotel numa das cenas se chama The Lindbergh Palace Hotel. É uma homenagem que Norton fez ao cineasta e amigo Wes Anderson que colocou esse mesmo nome de hotel no seu filme “Os Excêntricos Tenenbaums”.
– Há um diálogo em que Norton utiliza a expressão “calmo como uma cava da Índia”. É uma homenagem a “Clube da Luta”, onde seu personagem também utiliza a mesma expressão. (Como as vacas na Índia são sagradas, elas não correm risco de morte e portanto são muito calmas).

Ficha Técnica

Elenco:
v
Gugu Mbatha-Raw
Alec Baldwin
Bobby Cannavale
Willem Dafoe
Bruce Willis
Leslie Mann
Ethan Suplee
Cherry Jones
Dallas Roberts
Josh Pais
Fisher Stevens
Peter Gray Lewis
Robert Wisdom

Direção:
Edward Norton

Produção:
Michael Bederman
Bill Migliore
Edward Norton
Gigi Pritzker
Rachel Shane

Fotografia:
Dick Pope

Trilha Sonora:
Daniel Pemberton

 

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