Chappie

O cineasta Neill Blomkamp tem o dom de traduzir suas inquietações a respeito de temas relevantes da nossa sociedade como o racismo e preconceito em suas obras. Assim foi em sua fenomenal estréia em “Distrito 9” com alienígenas; em “Elysium” sobre a luta de classes; e agora em “Chappie” com robôs”.

Voltando a sua terra natal África do Sul, é lá que a empresa Tetravaal (curiosidade: título do seu primeiro curta metragem) montou uma planta para fabricação de robôs policiais que estão fazendo obtendo grandes resultados na redução da criminalidade (curiosidade 2: a voz dos robôs é de ninguém menos que Peter Weller do icônico Robocop).

O principal cientista do grupo, o jovem Deon (“O Exótico Hotel Marigold”) está fazendo uma experiência secreta com inteligência artificial quando é sequestrado por uma gangue que quer o controle dos robôs para poderem voltar a cometer crimes e ficar impunes (curiosidade 3: a gangue é o grupo de rap Die Antwoord, formado por Ninja e Yolandi que conservam seus nomes verdadeiros no filme).

Nesse meio tempo Deon consegue implantar o programa de inteligência artificial num robô avariado e daí nasce Chappie (na voz de Sharlto Copley que participou de todos os filmes do diretor). Chappie vai aprender da pior maneira como os seres humanos são complicados ao mesmo tempo que enfrenta uma ameaça: o principal rival de Deon dentro da empresa robótica, Vicent (nosso Wolverine, Hugh Jackman) fará de tudo para acabar com a frota de policiais robóticos e colocar seus outros robôs mais mortíferos na cidade (curiosidade 4: esses robôs lembram claramente o arquirrival de Robocop).

Blomkamp consegue o mesmo feito dos emblemáticos oitentistas “Amores Eletrônicos”, “Short Circuit – O Incrível Robô” e o perfeito “A.I. – Inteligência Artificial”: fazer com que o espectador crie tamanha afinidade com o protagonista robótico que sintamos que ele é tão humano quando aqueles de carne e osso (e talvez mais).

O roteiro dá claras lições dos paradoxos humanos através da difícil compreensão de Chappie de interpretar as ações tão discrepantes dos demais personagens. Também acerta em criar personalidades complexas para todos, visto que numa análise mais aprofundada, ninguém é totalmente do bem ou do mal e mesmo as piores crueldades são mais ou menos justificadas de acordo com a crença de cada personagem.

Os efeitos especiais são de cair o queixo, especialmente se levarmos em conta a interação de Chappie com os outros atores de carne e osso. Apesar do desfecho chupado de “Transcendence – A Revolução” e das referências já citadas, “Chappie” cria um ambiente original com gente de verdade, tratando de questões atuais para a nossa sociedade e colocando bastante emoção, sem poupar o público de cenas difíceis. Mais um golaço do diretor.

Bônus – Aproveitem e curtam um pouco do trabalho da dupla Die Antwoord que esteve no Brasil no Lollapalooza:

Ficha Técnica

Elenco:
Sharlto Copley
Dev Patel
Ninja
Yo-Landi Visser
Jose Pablo Cantillo
Hugh Jackman
Sigourney Weaver
Brandon Auret

Direção:
Neill Blomkamp

Produção:
Neill Blomkamp
Simon Kinberg

Fotografia:
Trent Opaloch

Trilha Sonora:
Hans Zimmer

 

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