Comer Rezar Amar (“Eat Pray Love”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

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Depois de uma boa, mas pequena participação em “Idas e Vindas do Amor“, há mais de sete anos Julia Roberts não faz um delicioso papel num gênero que ela ajudou a renascer (não estou contando com o sensacional “Closer – Perto Demais” de 2004 por ser um drama). Mas aqui ela consegue brindar a platéia com todo o carisma que lhe é peculiar.

Baseado no best seller homônimo da jornalista Elizabeth Gilbert, a qual conta suas próprias experiências, o no cinema ela encarna no corpo de Roberts como uma mulher que construiu uma vida bem sucedida, tanto no casamento quanto no trabalho, mas que um belo dia percebe que não é mais isso que ela quer. Então ela embarca numa viagem de auto-descobrimento pela Itália, índia e Bali para o que diz o título: comer, rezar e amar.

A produção (e o livro) não esconde seu obvio tom de auto-ajuda. O que agora virou moda: ao invés de dizer o que fazer, a auto-ajuda atualmente conta experiências que se tornam afins das pessoas. Por sorte, o diretor Ryan Murphy (“Correndo com Tesouras” e atualmente alçado ao estrelato pela série “Glee“) conseguiu fazer uma narrativa menos burocrática com uma edição esperta que pode surpreender: as tomadas em que Liz (Roberts) lembra da dança de casamento com seu ex-marido (o sempre bom Billy Crudup de “Inimigos Públicos“) e do episódio da cama com o ex-namorado (James Franco de “Uma Noite Fora de Série“) são geniais.

Também há uma boa dose de manipulação para que o cinema caia em lágrimas, seja de forma sonora do ótimo Dario Marianelli (“O Solista“) ou ainda melhor, da performance de seus atores como no emocionante monólogo sobre a história de Richard por ele mesmo com um Richard Jenkins (“Quase Irmãos“) beirando à perfeição. Com tantos bons predicados, ainda sim “Comer Rezar Amar” ainda recai nos velhos clichês do gênero americano, até porque foi escrito por uma. Também ficou esquisito contratar o espanhol Javier Bardem (“Vicky Cristina Barcelona“) num papel de brasileiro, já que além de não falar direito o inglês, era constrangedor ouvir o seu português. É lógico que a platéia americana nem vai notar.

A volta de Julia Roberts à condição de estrela guia de um romance é muito bem vinda com todos os erros e acertos. Mas analisando friamente, compreende-se que sem ela, provavelmente a produção não iria decolar. Obrigado Julia.

[rating:3]


Ficha Técnica

Elenco:
Julia Roberts
James Franco
Billy Crudup
Viola Davis
Javier Bardem
Arlene Tur
Elena Arvigo
Richard Jenkins

Direção:
Ryan Murphy

Produção:
Dede Gardner

Fotografia:
Robert Richardson

Trilha Sonora:
Dario Marianelli

 

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