Contrato Vitalício

De todos os grupos humorísticos brasileiros, os únicos que conseguiram sair dos esquetes televisivos ou de internet para o cinema com sucesso e consistência foram os Trapalhões na década de 80. Didi, Dedé, Mussum e Zacarias eram mestres onde Casseta e Planeta falhou (e nem vamos falar de Leandro Hassum e cia aqui pelo amor de Deus) e onde o famigerado e inteligente grupo Porta dos Fundos também derrapa.

A receita dos Trapalhões sempre foi muito simples: criar uma história engraçada como um todo e não um amontoado de piadas que se ligam através de um argumento. E por incrível que pareça ninguém conseguiu ainda entender ou até mesmo copiar. Mas bem que Fábio Porchat e sua gangue tentaram.

Ele é Rodrigo um ator que junto com o diretor Miguel (Gregório Duvivier) ganham um prêmio internacional. No dia seguinte, Rodrigo descobre que Miguel sumiu, o qual reaparece 10 anos depois completamente maluco dizendo que foi abduzido seres do centro da terra e que quer fazer um filme justamente sobre isso onde o protagonista seria Rodrigo. Ele acaba sendo obrigado a fazer a produção porque na noite do sumiço de Miguel havia assinado um contrato que obrigava os dois a trabalhar juntos pra sempre.

Pra quem acompanha o canal Porta dos Fundos e ri (nem sempre) com as suas piadas vai reparar que a turma simplesmente pegou aqueles maneirismos que são mais característicos em cada um deles e jogou em 100 minutos de filme. É como se visse mais do mesmo, só que com o tempo multiplicado por 30.

O primeiro ato até tenta ser coeso e tenta seguir uma linha narrativa e até mesmo arrisca ser visualmente criativo com a direção de Ian Sbf, mas com menos de meia hora, já pegamos uma história fragmentada em mini esquetes onde o timing das piadas dificilmente acerta e mesmo com o carisma de alguns atores (Antônio Tabet faz o de sempre, mas dá um jeito de ser engraçado), as risadas rareiam e os hiatos aumentam. Duvivier parecer ser “aguentável” somente em vídeos de 3 minutos mesmo, enquanto muitos (talvez até talentosos) parecem estar lá mais por força de contrato (que ironia) do que necessidade da história.

O desfecho é tão insosso que quebra o pouco clima que a trama construiu com uma promessa de uma continuação. E vamos torcer para que ela não se cumpra.

A gente sabe que primeiro fizeram as piadas para depois fazer o roteiro, quando o cartaz reproduz a icônica imagem de “Os Vingadores” sem que isso agregue em nada no filme:

contrato

Ficha Técnica

Elenco:
Fábio Porchat
Gregório Duvivier
Antônio Tabet
João Vicente de Castro
Luís Lobianco
Thati Lopes
Marcos Veras
Júlia Rabelo
Gabriel Totoro
Rafael Portugal

Direção:
Ian Sbf

Produção:
Tereza Gonzales

Fotografia:
Gui Machado

 

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