Coraline e o Mundo Secreto (“Coraline”, EUA, 2009)

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É, no mínimo, um filme inustiado. Subverte os vários conceitos que temos hoje. Primeiro que foi feito em stop motion, técnica usada com a fotografia (frames) de cada movimento em cena. E foi usado com a mesma maestria que seu diretor Henry Selick utilizou no jovem clássico da animação “O Estranho Mundo de Jack“. Além disso, é a animação em stop motion mais longa até então, com 101 minutos. E o mais importante: mesmo sendo uma animação, ou seja, evocando mais o espírito infantil ou pelo menos o de família, “Coraline” está longe de ser uma trama inocente.

Adquirindo um ar sombrio e soturno desde seu início, conhecemos a garota que dá o nome à produção. Ela é constantemente negligenciada pelos pais. Sua mãe, uma mulher amarga e desiludida sempre com o egoísmo a flor da pele, enquanto seu pai, totalmente ausente e com problemas de alcoolismo, o que é colocado de forma sutil na história. Eis que na nova casa, ela descobre uma passagem secreta para um outro mundo, como um espelho da realidade, com os mesmos pais, porém amáveis e atenciosos com ela. No início ela adora, não fosse pelo detalhe que todos nessa tal realidade tem botões no lugar dos olhos, como se fossem bonecos de pano. Logo ela vai descobrir o perigo que está prestes a enfrentar.

A trilha sonora de Bruno Coulais combinada à fotografia de Pete Kozachik deixa o espectador sempre em estado de alerta, ficando mais próximo de um filme de terror ou pelo menos de um suspense sobrenatural. Se “Coraline” fosse feito em live action provavelmente teria uma dessas classificações. Com toda a técnica quase impecável (os extras do diretor explicando como fez os efeitos são ótimos), essa peculiar obra se destaca por um desenvolvimento não cuidadoso de seus personagens que, em pouco mais de meia hora, o público passa a conhecê-los como bons amigos, suas motivações e a se importar com eles, o que é fundamental para que entendamos a protagonista. Com todos esses ingredientes, temos uma narrativa fluida, que toca no coração, mas que também representa uma diversão das boas para a família. E não será surpresa se os adultos gostarem mais que as crianças.

[rating:4]


Ficha Técnica

Elenco:
Dakota Fanning
Teri Hatcher
Jennifer Saunders
Dawn French
Keith David
John Hodgman
Robert Bailey Jr.
Ian McShane

Direção:
Henry Selick

Produção:
Claire Jennings
Mary Sandell

Fotografia:
Pete Kozachik

Trilha Sonora:
Bruno Coulais
They Might Be Giants

 

3 Comments

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  • Gabi
    on

    Lindo de viver o filme….
    Mas engraçado, no livro eu não percebi esse traço de alcoolismo no pai (ok, no filme tb não).
    Embora o filme e livro sejam até bastante diferentes ( o que é compreensivel), ambos são ótemos.
    Vejam o filme e leiam o livro….. apaixonem-se!
    Beijos

  • saullo
    on

    eu gostei mais do q o meu filho mesmo, mas acho q foi pq baixei em ingles e ele nao conseguiu acompanhar a legenda (ainda está aprendendo a ler) XD.

    esse filme me deu medo, de verdade, mas acho q a coisa mais estranha do filme foi aquele muleki com torcicolo.

    filminho bão!! tipo…ainda nao entendi pq todo esse “alarde” no filme, taaanta coisa de “meu deus é o filme do seculo, merece 35 oscars”, mas…está acima da media.
    vale dar uma conferida!!

    😉

  • Daniel BZ
    on

    Po saullo concerteza o film e nao merece 35 oscars ou como o filme do seculo. Mas a sua originalidade, criatividade e sua historia assustadora falando serio eu fiquei com medo do filme. Fiquei dias pensando nas frases dos falsos pais. Caramba. Com creteza esta entre os 3 melhores filmes de animacao da atualidade.

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