Deixa Ela Entrar (“Låt den rätte komma in”, Suécia, 2008) ***INÉDITO NO BRASIL***

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A síntese é um dom. E um dos grandes méritos dessa produção sueca. E não uma síntese de uma história, mas de um conjunto de sentimentos tão complexos que transforma um simples terror em uma obra de arte dramática.

Oskar é um garoto pelos seus 11 anos que é objeto de gozação em sua escola. Sozinho, ele mostra uma fúria contida por todas as suas desventuras. Sem amigos, sua vida muda quando chegam os novos vizinhos: um senhor e uma menina de 12 anos, Eli, a qual não tarda em mostrar que é uma vampira, ao mesmo tempo em que estranhas mortes ocorrem nesta cidadezinha. Oskar e Eli iniciarão uma amizade – ou talvez mais que isso – de uma forma tão intrigante que o espectador terá que ficar sempre atento aos detalhes dramáticos.

Feito com uma economia de matar de inveja os cineastas brasileiros, “Deixa Ela Entrar” dá a um tema universal um tratamento dramático singular. Trilha sonora minimalista, fotografia na medida e efeitos especiais mínimos para um desempenho excepcional formam a receita técnica de sucesso desse jovem clássico.

Mas nada se compara ao enredo com uma narrativa cativante e diálogos incríveis. Mostrado de um ângulo inédito para história de vampiros, há cenas singelas, como naquela em que Oskar pergunta quantos anos Eli tem, já sabendo que ela deve ter mais de 12 devido a sua vida eterna. Para surpresa de todos ela diz com resignação: “Tenho 12 anos. Mas tenho 12 há algum tempo“. Ou a apavorante cena da piscina, mas que sob a batuta do diretor Tomas Alfredson, torna-se quase lírica. O roteiro também dá tempo necessário para mostrar conseqüências interessantes com novas abordagens do mundo dos vampiros, como por exemplo, quem foi mordido e não morreu ou no arrepiante momento quando Eli entra na casa de Oskar sem ser convidada (daí o título).

Mas o filme é da dupla de protagonistas mirim Kåre Hedebrant e Lina Leandersson. Ambos mostram tantas camadas de personalidade que fazem frente a qualquer grande astro. Lina consegue transformar Eli numa personagem sombria, apavorante, mas também resignada e apaixonante. A história dos dois tem tantos meandros que os mais atentos, irão obter a resposta até dos desdobramentos após o fim do filme. Em outras palavras, através do brilhante roteiro, é possível entender qual o destino traçado para nossos dois anti-heróis.

Deixa Ela Entrar” é o filme de vampiro da década e imprescindível para qualquer cinéfilo ou amantes do terror e mais ainda, para quem tem sensibilidade.

[rating:4.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Kåre Hedebrant
Lina Leandersson
Per Ragnar
Henrik Dahl
Karin Bergquist
Peter Carlberg
Ika Nord

Direção:
Tomas Alfredson

Produção:
Carl Molinder
John Nordling

Fotografia:
Hoyte van Hoytema

Trilha Sonora:
Johan Söderqvist

 

1 Comment

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  • Juliano
    on

    Ola Aldo.

    Obrigado por mais esta ótima critíca, sem ela, não teria visto este ótimo filme, o qual lembrarei por muito tempo!

    Isso sim é que é filme de vampiro.
    Super interessante a maneira que é explorado a vida da vampira no filme… a cena que da o nome ao filme, mostra o quanto o filme é fiel em tudo à que diz respeito à vampiros.

    Muito interessante também a locação do filme, conhecer um pouco mais sobre a Suécia.

    Agora, só fui perceber que o filme é um terror após re-ler a sua critica (rs). Claro que é terror.
    Mas o sentimento de tristeza que fiquei ao ver o filme, me fez pensar que era drama.

    Nem tinha percebido, mas após ouvir o podcast 164 do Rapaduracast, fiquei super curioso em saber qual foi a última mensagem que o garoto trocou com a vampira, através de batidas na caixa.

    Filme super recomendado para quem gosta de histórias de vampiros.

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