Ela (“She”)

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Release Date : 2013

Spike Jonze não consegue escrever uma história normal. E que ótimo! Já nos fez entrar na cabeça de John Malkovich, visitar um mundo de monstros e é até um dos cérebros por trás do descerebrado “Jackass”. E em todos os resultados, apesar da ‘viagem’ impressa nas histórias – dita pelos cultos como abstração da realidade – o que fica é uma profunda afinidade e o poder de transcender essa abstração para o mundo real.

Com “Ela” não é diferente. A história já começa com um ótimo contraponto: num futuro próximo Joaquin Phoenix de “O Mestre” é Theodore e trabalha numa empresa pontocom onde escreve cartas cheias de emoção de clientes para seus entes queridos, mas na vida real. Apesar de simpático com as pessoas, é introspectivo e recluso, principalmente após a dura separação de sua esposa (a etérea e cintilante Rooney Mara de “Terapia de Risco”).

Relegando a si mesmo interações superficiais frustradas através da Internet, ele compra um novo sistema operacional OS1 (não é uma coincidência com o IOS da Apple) que, segundo a propaganda, seria mais intuitivo, aprendendo e evoluindo junto com o usuário através de comandos de voz. O sistema se chama Samantha e é “encarnado” por ninguém menos que Scarlett Johansson de “Como Não Perder Essa Mulher”. Surpreso com o jeito humano do sistema, ambos (Theodore e Samantha) começam a se aproximar até chegar no ponto de passarem a ter uma relação amorosa, se é que é possível conceber tal coisa.

Como sempre, o diretor consegue potencializar o tema – que até remete ao cult dos anos 80 “Amores Eletrônicos” – explorando praticamente todas as suas possibilidades. Vai do geral – a crítica de uma sociedade cada vez mais conectada através de aparelhos e menos conectada do contato humano em si – até as especificidades da trama particular do protagonista, quando por exemplo, há uma ampla discussão do fato de Samantha simplesmente não ter um corpo e quais as consequências que isso traz à relação.

O mais interessante é entender através desse relacionamento improvável o conceito de que independente do amor, o ser humano (no caso a maquina idem) muda a cada dia e evolui de forma em que as mudanças podem aproximar ou afastar a pessoa do ser amado, tema este que funciona perfeitamente como o cerne da narrativa.

E é para poucos conseguir que o publico se apaixone por uma voz, tal qual Spike Jonze faz com Samantha. Aliás, Scarlett Johansson faz um belíssimo trabalho expondo uma série de emoções apenas pelo tom de sua voz, pela respiração (a parte em que eles discutem sobre isso já ela não precisa de oxigênio é ótima) e pelas pausas de indecisão e hesitação que faz em seus diálogos. Junta-se o brilhante desempenho de Joaquim Phoenix, o qual passa a impressão de estar sempre acompanhado e temos praticamente um casal “normal” cheio de aspirações e dúvidas sobre seu próprio futuro.

Também não se pode deixar de citar o excelente aprumo técnico. O figurino sempre em tons claros, pasteis e laranjas, denotando uma sociedade externamente feliz, mas que age em conflito com a falta de comunicação interpessoal; a fotografia de Hoyte Van Hoytema (“O Espião que Sabia Demais”) que é totalmente aderente ao clima proposto, ao figurino e que contrasta a prisão da cidade grande com a liberdade das belas paisagens; e finalmente a trilha apaixonante da banda Arcade Fire que rede momentos de uma emoção sublime, indo além das palavras.

Apaixonante é justamente o que define “Ela”, que usa uma máquina como uma ode ao amor e ao ser humano.

Ficha Técnica

Elenco:
Joaquin Phoenix
Scarlett Johansson
Amy Adams
Rooney Mara
Chris Pratt
Matt Letscher

Direção:
Spike Jonze

Produção:
Megan Ellison
Spike Jonze
Vincent Landay

Fotografia:
Hoyte Van Hoytema

Trilha Sonora:
Arcade Fire

 

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