Encontro Explosivo (“Knight and Day”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

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Tom Cruise (“Operação Valquíria“) resolveu desconstruir seu agente Ethan Hunt da saga “Missão Impossível” para enfim parodiá-lo. Aqui ele é Roy Miller, de uma divisão ultra secreta do FBI, que numa viagem de avião que não termina nada bem, envolve-se com a desastrada June (Cameron Diaz de “A Caixa“) e acaba sendo confundida como cúmplice de Roy. Sim, porque ele é acusado de traidor ao roubar uma importante bateria capaz de gerar energia ilimitada. O casal, entre tapas e beijos, vai ter que provar sua inocência e achar o verdadeiro culpado.

É surpreendente ver uma comédia despretensiosa ter o volume de efeitos especiais de “Encontro Explosivo“. Mas é claro, estamos falando de Tom Cruise e, pelo menos por enquanto, os estúdios apostam todas as suas fichas nele (no caso, estamos falando de U$ 117 milhões), seja no gênero que for. Só que aí a matemática não fecha: mesmo com uma produção milionária e efeitos de ponta, mesmo com dois dos rostos mais conhecidos e bem aceitos de Hollywood capitaneando o filme, ele continua não passando de uma comédia rasteira, cheia daqueles clichês que todos amam odiar.

Pra piorar, Cruise coloca a si próprio como indestrutível, acumulando mentiras mais escabrosas do que no clássico dos anos 80 “Remo – Desarmado e Perigoso“. Algumas seqüências que poderiam soar engraçadas, podem causar insatisfação no espectador por insultar sua inteligência. Outras mesmo com uma boa intenção fica com gosto de que está faltando alguma coisa, como por exemplo, a da escapada de Roy, vista pelos olhos de June enquanto ela está drogada, onde o espectador percebe apenas vislumbres rápidos da ação, mas nunca é levado a entender como sua fuga se desenrola (mais pra frente essa seqüência é “repetida” com um resultado melhor por conta do contexto mais crível).

O que ainda salva é a ótima química entre Cruise e Diaz (ambos trabalharam juntos em “Vanilla Sky“). Eles estão tão confortáveis em seus respectivos papéis que literalmente ganham a platéia com seu carisma e simpatia e fazem acreditar no velho modelo de comédia onde o casal se ama e se odeia, como se fosse um conceito original.

Em suma, “Encontro Explosivo“, apesar de mediano, tem o frescor dos astros em ótimas performances, mas com uma narrativa com mais ação do que cérebro, ficando muito aquém do seu potencial. Se investissem no roteiro como investiram em efeitos especiais, o filme sairia por metade do preço e seria bem melhor.

[rating:2.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Tom Cruise
Cameron Diaz
Peter Sarsgaard
Jordi Mollà
Viola Davis
Paul Dano
Marc Blucas
Maggie Grace

Direção:
James Mangold

Produção:
Todd Garner
Cathy Konrad
Steve Pink
Joe Roth

Fotografia:
Phedon Papamichael

 

2 Comments

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  • Marco Túlio S. Coelho
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    Achei o filme bastante ridículo. Bons atores e umas poucas cenas engraçadas não compensam a decepção com essa história onde nada é verossímil, as situações não têm consequência, nada tem importância – nem mesmo entender o que está acontecendo, e tudo é clichê, numa correria digna de desenho animado. Para entretenimento puro e simples, sem compromisso, tem coisas bem melhores. Eu já me lasquei, mas se você ainda não foi, fuja dessa bobagem completa. Guarde seu precioso tempo e seu suado dinheiro para coisas melhores.

  • Clayton
    on

    Junte astros com a carreira no melhor de suas formas em um filme de ação e não terá como errar na bilheteria, fato. Porém, daí a produzir arte… huuuuuum, nem sempre tem com. O encontro das Panteras com Missão Impossível, juntando dois não deu um no quesito grandiosidade. Vai ser classificado figurando na seção de comestíveis, para ser assistido sem muitas exigências, de mente aberta em busca de diversão descerebrada. Longe de ser lixo, chega até a ter muitos pontos altos, inclusive pode ser utilizado como vídeo motivacional tal é a quantidade de cenas em que Roy, que tem sempre a saída para todas as situações, encoraja a personagem de Cameron Diaz. Embora totalmente inverossímel, esquecendo esse “pequeno detalhe”, dá pra se divertir com as perseguições de carro, com as quedas de avião, com os tiros que não pegam nem em Tom nem em Cameron por mais que eles baixem a guarda (a cena das prateleiras foi sem dúvida a melhor paródia do filme). Forçado mesmo foi o fato de June sabendo mais do que deveria, foi deixada livre e em paz pelo “governo” já no segundo ato (saudades do BOPE). Mas não é nenhum crime assistir ao filme, você não vai pedir o dinheiro de volta ou entregar com 24h, mas vai ficar sempre com a impressão de que sobrou dinheiro e faltou zelo.

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