Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (“Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2”, EUA, 2011) ***NOS CINEMAS***

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Poucas as sagas que podem se gabar de ter sua história contada em quase dez anos e oito partes. Com muitos acertos e poucos tropeços, vimos Harry, Rony e Hermione (Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson respectivamente) crescerem junto com um elenco inquestionável, um verdadeiro exército, que apenas teve uma baixa com a morte de Richard Harris – o antigo Professor Dumbledore – mas substituído a altura por Michael Gambon que também esteve recentemente em “O Discurso do Rei“.

Com uma produção sempre impecável, a jornada dos amados personagens termina senão de forma perfeita, no mínimo na medida certa para agradar a todos os gostos, contando que se tenha afinidade com a história. Tanto é que esse último capítulo começa sem dar nenhuma explicação detalhada do que aconteceu ou sequer lembrar quem é quem no elenco. O que é ótimo, pois exercita a memória e deixa claro que é preciso estar a par da série para absorver o desvelar final das cortinas.

Nossos heróis continuam atrás do fiapo de esperança para destruir Voldemort (Ralph Fiennes de “Nanny McPhee e as Lições Mágicas“) através dos artefatos que contenham os pedaços de sua alma, conhecidos como horcruxes. Enquanto isso, o vilão avança ferozmente para Hogwarts, o último refúgio daqueles que ainda lutam pela liberdade, o que vai desencadear uma batalha épica com muita dor e sofrimento para todos.

O diretor David Yates que assumiu o comando das últimas quatro partes conseguiu a proeza de dar sentido completo a todos os 130 minutos de projeção, não deixando nenhum minuto ser colocado em vão. Com o ritmo mais acelerado que o capítulo anterior, ele equilibra muito bem os diálogos e a ação. Dessa vez, ele dá um destaque ainda maior para Radcliffe que, mesmo notoriamente limitado, não compromete a produção frente ao brilho do roteiro, sendo que Grint e Watson surgem muito mais dessa vez como coadjuvantes de fato e praticamente só detém um destaque considerado de peso na cena que se passa justamente na câmara secreta (lembram da parte 2?).

Por outro lado, é justamente nessa parte que o sempre ótimo Alan Rickman, ou melhor, Severo Snape brilha como um dos melhores personagens, numa atuação tão brilhante quanto dúbia que tem seu ápice na cena em que Harry vê seu passado na “penseira”. Aliás, essa cena é sem dúvida uma das, senão a melhor do filme. Não só pela atuação de Rickman que contracena a maior parte do tempo com Gambon (Dumbledore), como pelo fato de que acaba sendo a maior reviravolta da história deste universo, a qual quebra todos os paradigmas que pensávamos acerca do passado dos personagens, bem como de todas as sete partes cinematográficas.

Outro destaque é para a cena em que o trio de jovens adultos percorre de maneira ininterrupta o campo de batalha criado em Hogwarts, fazendo referência aos melhores filmes de guerra contemporâneos. E finalmente como um dos grandes trunfos de todos os capítulos a certeira trilha do indicado ao Oscar, Alexandre Desplat que também orquestrou “O Discurso do Rei“.

Se algo pode ter faltado no desfecho é o mesmo que, salvo as proporções e o contexto da saga, faltou nas outras partes: impacto. Bom que evoluiu muito desde a patética morte de Sirius Black em “A Ordem da Fênix”, mas ainda assim não consegue ser o soco no estômago desejado. As mortes de personagens importantes quase nunca aparecem propriamente, limitando-se em mostrar somente depois do acontecido e, mesmo assim, o diretor nunca se detém na cena tempo suficiente para uma absorção maior do público. Outro aspecto que minimiza bastante o sentimento de perda (o qual acredito seja uma particularidade do livro e não do filme em si) é o fato dos personagens mortos fazerem aparições como espíritos como se fosse algo, senão corriqueiro, nada raro.

De qualquer maneira, “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” consegue emocionar em sua maneira própria, tanto os fãs, como aqueles que só conheceram o bruxinho, seus amigos e inimigos através do cinema. Um desfecho que exala carisma na série cinematográfica que pode ser considerada como uma das mais importantes da década e que preza muito mais pela humanidade com que retrata os personagens, que pelos aspectos técnicos, mesmo que ainda sim sejam irretocáveis. Despedimo-nos então com carinho e saudosismo de Harry Potter que completa seu arco de história no coração de milhões de espectadores. Vida longa a ele!

[rating:4.5]

Ficha Técnica

Elenco:
Daniel Radcliffe
Emma Watson
Rupert Grint
Alan Rickman
Ralph Fiennes
Helena Bonham Carter
Jason Isaacs
Gary Oldman
Emma Thompson
Maggie Smith
John Hurt
Tom Felton
Jim Broadbent
David Thewlis
Timothy Spall
Michael Gambon
Ciarán Hinds
Miranda Richardson
Kelly Macdonald
Jamie Campbell Bower
Robbie Coltrane
Clémence Poésy
Evanna Lynch
Julie Walters
Oliver Phelps
Matthew Lewis
Helen McCrory
Domhnall Gleeson
James Phelps
Peter Mullan
David Bradley
Geraldine Somerville
Adrian Rawlins
Mark Williams
Michelle Fairley
Devon Murray
Chris Rankin
Alfie Enoch
Benedict Clarke
Bonnie Wright
Will Dunn
Warwick Davis

Direção:
David Yates

Produção:
J.K. Rowling
David Barron
David Heyman

Fotografia:
Eduardo Serra

Trilha Sonora:
Alexandre Desplat

 

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