Ilha do Medo (“Shutter Island”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

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Se você saiu agora do cinema e não gostou muito de “Ilha do Medo“, calma. Deite pensando no filme e espera acordar no outro dia. Se você gostou, faça exatamente a mesma coisa. Isso porque só uma análise um pouco mais profunda vai apontar que Scorsese está com eu brilhantismo em uma de suas melhores formas.

Mais uma vez sob sua lente depois de “Os Infiltrados“, Leonardo Di Caprio interpreta Teddy, um agente que junto com seu parceiro Chuck (Mark Ruffalo de “Ensaio Sobre a Cegueira“), vai a uma distante ilha para investigar o desaparecimento de uma paciente num dos piores manicômios do planeta. Por conta das fortes chuvas, eles ficam presos na ilha, quando Teddy entende que algo de muito mais grave pode estar acontecendo lá, ao mesmo tempo em que começa a ter estranhas visões e pesadelos envolvendo sua falecida mulher, juntamente com fortes náuseas e enxaquecas.

Não é todo dia em que se ver um time de atores classe A de Hollywood se prestar a fazer meras pontas. Só um diretor do calibre de Scorsese conseguiria uma reunião dessas. E não é pra menos. Esse suspense psicológico tem uma complexidade tal e tantas nuances revelar qualquer detalhe que fosse poderia estragar a surpresa.

A trilha sonora de Robbie Robertson, parceiro musical de Eric Clapton e que também trabalhou com o diretor em “Gangues de Nova York” é caprichadíssima dando um constante ar lúgubre e de tensão potencial, mesmo que a produção em si esteja longe de um simples filme de ação. As cenas dos sonhos e visões de Teddy são uma atração a parte tanto pelo seu design, quanto pela simbologia a que representa e que fará toda a diferença na reviravolta final.

Quando todas as respostas são reveladas em pleno terceiro ato, mais que uma reviravolta, a carga emocional do que se passa com determinado personagem é tão estarrecedora que o público se vê enredado num drama fatídico e deve até esquecer por um momento que está assistindo a um suspense. Mas o detalhe – e a riqueza está nos detalhes dessa brilhante trama – que fará o espectador refletir durante muito tempo, sendo este pequeno detalhe uma concentração de quase toda a genialidade de Scorsese é a última frase proferida pelo protagonista antes do filme acabar. E essa simples frase diferencia um bom suspense, desse suspense sensacional.

Tudo aqui já foi dito, escrevendo o mínimo possível, com exceção de que a obra é baseada no livro de Dennis Lehane. Agora é correr pro cinema e preste atenção nos detalhes. No cenário de filmes ruins da atualidade, algo como “Ilha do Medo” está cada vez mais raro.

[rating:4.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Leonardo DiCaprio
Mark Ruffalo
Ben Kingsley
Emily Mortimer
Michelle Williams
Max Von Sydow
Jackie Earle Haley
Elias Koteas
Ted Levine
Patricia Clarkson
John Carroll Lynch
Christopher Denham

Direção:
Martin Scorsese

Produção:
Tim Bevan
Eric Fellner

Fotografia:
Robert Richardson

Trilha Sonora:
Robbie Robertson

 

3 Comments

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  • saullo
    on

    sim…concordo que o filme é muito bom mesmo…mas…nao sei se por já ter assistido tantos filmes nesse estilo…achei o final totalmente previsivel. claro q nao com todas as respostas, mas o principal já dava pra sacar desde cedo.

    nao vi esse time de ponta que vc falou. time de ponta fazendo ponta, mas…talvez eu é q nao tenha prestado muita atençao nisso.

    achei o filme extremamente longo, e até quase dormi em alguns momentos, mas acho q eu é q estava cansado quando assisti.

    bom…eu quero dizer que o filme é bom, muito bom mesmo, e vale cada centavo do ingresso, da locaçao ou do piratao, mas também quero deixar claro q nao achei tuuuuuuuuuuuudo isso que a galera anda comentando.

    assisti mais dois filmes no dia em que assisti ilha do medo, “onde vivem os monstros” e “legiao” e por incrivel que pareça, o filme que nao saiu da minha cabeça até agora foi o “onde vivem os monstros”. talvez esse tenha sido o motivo por nao gostar taaaaaaaaaanto assim de ilha do medo, deve ter rolado uma comparaçao entre os dois, mesmo q inconscientemente.

    em se tratando desse estilo de finais…destaco dois que considero muito fodasdocaraleo, sao “alta tensao” e “o operario”. vale a pena assistir =)

    e a cena destaque de ilha do medo vai para os fosforos “magicos”. sempre voltavam para o começo quando estavam no fim, e as vezes clareavam mais quando estavam apagados.

    XD

  • Clayton
    on

    É gratificante perceber que um dos mestres da direção ainda não perdeu seu talento, e mais ainda quando ele consegue extrair o necessário de cada ator, inclusive do boêmio DiCaprio. Muito mais do que um grande filme de mistério onde as respostas nunca são óbvias ou dadas por completo, é uma aula de como utilizar o elenco em prol de um enredo. Exemplo, Mark Ruffalo, o conhecido ator de comédias românticas, aqui em uma atuação contida, serve de excelente “ponte” para o personagem de DiCaprio desenvolver todo o seu raciocínio, principal mote da trama. Aliás, Leonardo resolveu “trabalhar” neste filme, nada de viver a sombra do diretor e sim correr ao lado, o que deixou Ben Kingsley bem a vontade para nos “ensinar” como se faz uma boa interpretação apenas com as feições certas e postação de voz, sem ter que roubar as cenas de DiCaprio. Tudo parece ser sinistro no filme, a atmosfera sempre é tensa, e cada passo dado que parece conduzir para a solução, mais nos distancia da verdade. E sim, vale acompanhar todo o filme para bater palmas ao diálogo do último ato. Scorcese, agora sim, após A Ilha do Medo e os Infiltrados, já o perdôo por “O Aviador”, embora médio, ainda estava abaixo do que sempre nos apresenta.

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