Interestelar (“Interestellar”)

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Director :
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Release Date : 2014

Os filmes do cineasta Christopher Nolan (da trilogia do “Batman”) parecem se dividir em dois grupos: aqueles sensacionais e aqueles sensacionais, mas que contém algumas incongruências homéricas. Sua primeira ficção científica se enquadra na segunda categoria.

Em síntese, um grupo de astronautas liderados por Cooper (Matthew McConaughey de “Bernie – Quase um Anjo”) e a Dra. Amelia (Anne Hathaway de “Os Miseráveis”) partem numa missão para descobrir um mundo novo para a humanidade viver, pois a Terra se encontra com todos os seus recursos esgotados.

O primeiro ato tenta estabelecer a conexão emocional entre os personagens de Cooper e sua família, em especial Murph, sua filha mais nova que precisa abandonar para ir ao espaço, bem como mostra um dos primeiros mistérios do filme, o “fantasma”. Apesar da competência irretocável de McConaughey, o diretor falha ao final deste ato ao mostrar o protagonista deixando a filha e logo depois partindo no foguete como se não houvesse nenhum tipo de treinamento por dias ou semanas – o que obviamente deveria ocorrer – fazendo com que sua filha o visse novamente.

O segundo ato, já no espaço, é brilhante em todos os aspectos técnicos e narrativos, desde a impecável engenharia de som que conseguia extrair a tensão necessária até do mais absoluto silêncio; passando pelo espetáculo visual dos mundos criados por Nolan com ondas gigantes e até nuvens rochosas; até os conceitos físicos muito bem elaborados onde a passagem do tempo começa a se modificar entre o que está acontecendo na Terra e no espaço com Cooper e a equipe. Chega a seu chocante mostrar que em minutos no espaço, a distorção do tempo já mostra Murph uma mulher feita, por sinal interpretada com garra por Jessica Chastain (“Os Infratores”).

O roteiro aproveita ainda para salpicar ótimas cenas de suspense, seja na descoberta do misterioso Dr. Mann (uma das melhores surpresas do filme) até a tensão de eventos que se revezam entre o espaço e o planeta Terra que se encontrarão no último ato.

Se você chegou lá e sentiu uma certa familiaridade, não é a toa: “Interestelar” é claramente uma mistura do clássico de Staley Kubrick “2001 – Uma Odisséia no Espaço” com “A Origem”, um dos mais espetaculares filmes do próprio Nolan. Referências gritantes do primeiro, como as próprias descobertas espaciais ou o robô em forma do famoso monólito Kubrickiano, ou do segundo com as diferenças na passagem de tempo e a estação espacial que é praticamente uma recriação de um dos sonhos de “A Origem” não deixam dúvidas.

E é justamente o último ato o mais polêmico. Mesmo sendo um arco emocionalmente consistente, a lógica derrapa feio sobre os criadores do buraco negro e seu conteúdo. A conclusão final que Cooper chega – e por consequência é a que o próprio roteiro incute na cabeça do espectador – está totalmente equivocada em qualquer cenário do continuum temporal. É de fazer o Doc Brown de “De Volta Para o Futuro” se remexer em seu DeLorean. E no finalzinho, o aspecto emocional desliza novamente numa atitude injustificável de Murph e Cooper, mas que pelo menos serve ao propósito do roteiro.

Interestelar” é cheio de erros mas para o público geral o espetáculo deve diluir os problemas, resultando numa produção que merece ser vista e discutida, como toda a cinegrafia do diretor.

Ficha Técnica

Elenco:
Matthew McConaughey
Anne Hathaway
Wes Bentley
Jessica Chastain
Matt Damon
Mackenzie Foy
Elyes Gabel
Michael Caine
Casey Affleck
Topher Grace
Ellen Burstyn
John Lithgow
Collette Wolfe
Leah Cairns
David Oyelowo

Direção:
Christopher Nolan

Produção:
Christopher Nolan
Lynda Obst
Emma Thomas

Fotografia:
Hoyte Van Hoytema

Trilha Sonora:
Hans Zimmer

 

1 Comment

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  • Arnaldo Marques
    on

    Achei a crítica bem infeliz. Como definir um “erro de lógica” uma licença artística tomada pelo roteirista sobre o conteúdo do buraco negro? Eles foram bem precisos até aquele momento, para a partir dai tomar uma direção mais feliz para o final do filme. E saiba que existe sim cientistas sérios que defendem a questão do “buraco de minhoca” no interior dos buracos negros. Mas de qualquer forma, não existe lógica ai, e sim chute, pois ninguém faz ideia do que exista dentro de um buraco negro. A teoria mais aceita é a de que simplesmente qualquer coisa que cai ali é “espaguetificada” em pedaços cada vez menores até os atómos serem partidos e liberarem energia gama. Mas isso seria um final bacana para a viagem do Cooper?

    Esse filme representa uma das obras mais fiéis já produzidas sobre um buraco negro e a interação com a dilatação do tempo, e não há problemas de lógica aqui, apenas momentos de ficção completamente coerentes com a realidade do filme. E sim, os laços emocionais, familiares e essas questões de relacionamentos realmente deixaram um pouco a desejar, nisso eu também concordo.

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