Jogos Mortais: Jigsaw (“Jigsaw”)

A franquia “Jogos Mortais” é uma verdadeira faculdade de como se fazer filmes de terror. Não que necessariamente sejam todos bons, mas eles sempre funcionam do mesmo jeito e tem conceitualmente uma reviravolta parecida no final. E quem já é escolado, não vai se surpreender tanto neste mais recente capítulo, ironicamente após aquele que foi nomeado pela própria produtora como o último da série. Mas a fome de dinheiro de Hollywood não tem fim, tal qual suas franquias.

Esse novo genérico com a marca de Jigsaw mostra duas tramas ao mesmo tempo (como sempre): a primeira um grupo de vítimas anônimas dentro de um jogo do vilão (muito parecido com a parte 2) e, em paralelo, a polícia investigando o caso onde todos passam a ser suspeitos (também como sempre), incluindo a possibilidade de Jigsaw estar vivo novamente (como aconteceu nos capítulos após a sua aparente morte na parte 3).

Dirigido pelos irmãos Spierig – do espetacular “O Predestinado” (vejam esse filme por favor) – a estética narrativa tem algumas mudanças, como edições mais longas e sem cortes rápidos nas cenas das armadilhas, além de um tom um pouco mais leve que muitas das vezes dilui a tensão (ponto negativo), mas sem deixar a violência gráfica de fora (ponto positivo).

Uma falha de roteiro que existe em toda a saga, mas aqui é muito amplificada é o fato de Jigsaw (ou quem quer que seja) saber exatamente os passos de cada uma das vítimas dentro do jogo, mesmo havendo inúmeros possibilidades. Por exemplo: como ele sabia que determinado personagem iria confessar seu pecado, mas apenas até certo ponto, visto que numa das gravações ele afirma esse fato ocorrido minutos antes? Mas o que chama mais atenção é a motivação claramente forçada para se iniciar um novo filme, coisa que em momento algum da saga tinha sido citado. Mas isso é Hollywood. Inclusive após o filme basta fazer uma experiência para sentir a fragilidade da história: mude o culpado, dê uma motivação e você verá que o filme correria praticamente do mesmo jeito.

Por outro lado, não deixa de ser revigorante escutar novamente e com nova roupagem a célebre trilha sonora Charlie Clouser que participa da saga “Jogos Mortais” desde o início.

Essa mais recente parte da saga (que pode ser o fim, mas está mais para um novo começo) repete os elementos que fizeram dela um sucesso, mas quase nada mais além disso, com personagens genéricos dançando ao som da música de sempre. É satisfatório, mas não ao ponto de chegar onde nenhum outro filme da série foi. Continue com os três primeiros que é melhor.

Curiosidades:

– Primeiro filme da série com um hiato maior que um ano do seu antecessor.
– No filme é dito que Jigsaw está morto há 10 anos. Se formos contar do lançamento da parte 3 onde ele supostamente morre) até este filme, são na verdade 11 anos.
– Um dos atores americanos teve que ser substituído por um canadense por não ter conseguido tirar seu visto pro Canadá (onde a produção foi feita) a tempo para as filmagens.

Ficha Técnica

Elenco:
Matt Passmore
Tobin Bell
Callum Keith Rennie
Hannah Emily Anderson
Clé Bennett
Laura Vandervoort
Paul Braunstein
Mandela Van Peebles
Brittany Allen
Josiah Black
Edward Ruttle
Michael Boisvert
Sam Koules

Direção:
Michael Spierig
Peter Spierig

Produção:
Mark Burg
Gregg Hoffman
Oren Koules

Fotografia:
Ben Nott

Trilha Sonora:
Charlie Clouser

 

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