Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo

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Release Date : 2016

O terceiro longa-metragem de Afonso Poyart retorna com o estilo que nos presenteou em sua estréia, um dos melhores filmes brasileiros dos últimos tempos, “2 Coelhos”, que depois iria ser diluído nas pretensões hollywoodianas no apenas bom “Presságios de um Crime”.

Sua grande missão foi contar a história de um dos grandes ícones nacionais do MMA, José Aldo. E a missão é porque, apesar de uma história de superação, esta se assemelha muito com tudo o que já vimos em filmes do gênero e talvez seja compartilhada por muitos outros lutadores que saíram da pobreza e conquistaram seu lugar no mundo do esporte. Então ele apela para alguns recursos que são sua especialidade e que funcionam relativamente bem, dependendo do momento.

José Loreto até que surpreende no papel do Aldo (pena que o pesado sotaque carioca não deixa ninguém lembrar que o protagonista é manauara), que mora numa Manaus degradada, fazendo uma analogia de sua própria vida, fruto de pais disfuncionais, principalmente do lado paterno onde o brilhante ator Jackson Antunes (“O Palhaço”) faz o que talvez seja o melhor papel de sua carreira como um alcoólatra. Por outro lado, Cleo Pires (“Qualquer Gato Vira Lata”) se limita a fazer o seu tipo básico de qualquer papel, apenas trazendo um pouco mais de beleza que só não supera a sexy Paloma Bernardi e Thaila Ayala, linda, mas num papel desnecessário. Rafinha Bastos tá engraçadinho, mas deslocado, enquanto o sempre competente Milhem Cortaz está correto, mas no piloto automático.

Já os recursos estéticos e narrativos empregados pelo diretor sempre são bem produzidos, só que muitas vezes soam forçados como se fossem apenas um apelo para o público. Se a câmera tremida num conflito familiar dá a tensão mais do que necessária e, por exemplo, a câmera presa a uma corda mostra um interessante e bem colocado efeito e até mesmo uma trilha sonora que muda o tom quando a câmera está submersa, há as forçadas de barra como a câmera numa caixa de água mineral sem o menor sentido e um abuso da câmera lenta. As lutas – o que poderia ser uma das atrações principais – são irregulares com estilos que nem sempre acertam em mostrar a intensidade com que elas são travadas.

Na parte narrativa, Poyart demora muito para concluir o que chamei de “módulo Clube da Luta” (os entendedores entenderão), que começa extremamente interessante, mas com uma conclusão nada palpável para o espectador. Engraçado (pra quem conhece, é claro) é o retrato dos costumes de Manaus que na verdade são costumes do seu Estado vizinho, o Pará: Um personagem falado “Égua” (expressão tipicamente paraense) ou um baile de tecnobrega (se fosse em Manaus deveria ser Boi ou forró), além de menções ao Açaí (originário do Pará, entre outros), coisas que não pegam muito bem e que um consultor resolveria o problema.

Entre erros e acertos, a cinebiografia do nosso Rocky Balboa do MMA é bastante satisfatória e não só mostra até a sua primeira defesa do cinturão do UFC como soube até contornar bem nos créditos finais a derrota recente do lutador com elegância. Vale a pena!

Ficha Técnica

Elenco:
José Loreto
Cleo Pires
Jackson Antunes
Claudia Ohana
Milhem Cortaz
Rômulo Arantes Neto
Paloma Bernardi
Rafinha Bastos
Thaila Ayala
Felipe Titto
Robson Nunes
José Trassi
Georgina Castro
Marjorie Gerardi

Direção:
Afonso Poyart

Produção:
Afonso Poyart

Fotografia:
Carlos André Zalasik

 

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