Monstros (“Monsters”, Inglaterra, 2010)

Com apenas 15 mil dólares, o diretor Gareth Edwards conseguiu fazer um dos mais interessantes filmes de ficção científica dos últimos meses. Uma sonda espacial da NASA cai no México trazendo em si uma forma de vida extraterrestre que, em contato com a vegetação se desenvolveu e alguns anos depois tomou conta de uma região do tamanho de um Estado, a qual é policiada por tropas americanas.

A região foi isolada e, por um lado tem-se a pobreza mexicana, vivendo de um comércio injusto frente à deficiência de recursos básicos à população; e por outro lado separada por uma grande muralha ante o território americano. E no México se encontra Andrew (Scoot McNairy), um jornalista enviado para cobrir as tragédias ocasionadas pela vida alienígena, e Samantha (Whitney Able de “Tudo por Ela“), filha rebelde do dono do jornal para o qual Andrew trabalha. Andrew recebe a contragosto a insólita missão de levar Samantha de volta aos EUA, porém uma série de acontecimentos vai fazer com que ambos tenham que passar pela zona infectada e enfrentar perigos, ao mesmo tempo em que fazem uma jornada de auto-descoberta.

Aí é a grande sacada do filme: ao invés de se centrar nos aliens, “Monstros” foca nas pessoas – em particular no casal – e em seu inter-relacionamento frente a uma adversidade tão grotesca. Dedica-se quase que exclusivamente em desenvolver os personagens e arma uma teia narrativa que torna suas jornadas emocionais verossímeis, ao mesmo tempo em que faz fortes críticas ao capitalismo, à imprensa e, finalmente, questiona se os monstros do título são os aliens ou se são os seres humanos (os últimos segundos da produção são primordiais para o aprofundamento da questão).

Lógico que essa discussão filosófica pode acarretar em certa insatisfação de fãs de filmes como “Independence Day“, mas se mostra muito mais rico em conteúdo. Mesmo com economia de efeitos especiais, estes, quando aparecem, surpreendem quando se sabe a quantia total gasta na obra. E melhor, convence quem está vendo. “Monstros” é um filme e uma reflexão. Mais sobre pessoas do que monstros, sem fugir de um pouco de ação e da ótima ficção científica que é.

[rating:4]


Ficha Técnica

Elenco:
Whitney Able
Scoot McNairy

Direção:
Gareth Edwards

Produção:
Allan Niblo
James Richardson

Fotografia:
Gareth Edwards

Trilha Sonora:
Jon Hopkins

 

2 Comments

Leave us a comment

  • Juliano
    on

    Este filme é um monstro (trocadilho barato para uma produção “barata” rs).

    Minha decepção deve ser minha culpa, que esperava um filme semelhante ao Distrito 9 (entendo que este sim, com questões filosóficas).

    Não senti que assisti a uma produção de ficção cientifica, e sim a uma comédia romantica sem comédia, sinto que não entregou o que vendeu.
    Cada situação boba, o motivo da complicação da viagem deles… ai ai ai

    Mas a maior decepção que este filme me causou, foi ler esta ótima critica a ele.
    Se eu pudesse dar notas em estrelinhas, seria meia estrela, apenas para quem participou do filme não ficar chateado e continuar tentando rs

  • Clayton
    on

    Acho que os dvd’s da locadora estão colocados na prateleira errada, tanto SALT como MONSTROS tem seus pontos fortes no romance e não na ação, embora esta exista em excesso no primeiro e em escassez no segundo. “Monstros” poderia ser classificado como um “road movie” romântico em um mundo cataclísmico. Há várias semelhanças estre este e DISTRITO 9, porém os focos são distintos, embora ambos usem como pano de fundo o preconceito, a manipulação da informação, o isolamento e a destruição do que não se conhece, a abordagem destes temas é menos incisiva em MONSTROS, embora estes fatos sejam os motivadores da união cada vez maior entre os personagens Andrew e Samantha. Interessante o trabalho de ambos ao analisarmos a crescente de sentimentos e as intercaladas intervenção de seus mundos fora da “área contaminada”. Destaque para a emocionante conversa pelo telefone entre Andrew e seu filho, vale lembrar que na realidade trata-se apenas do ator Scoot McNairy e um telefone público. Embora possa decepcionar os fãs de ficção científica que podiam esperar por um filme cheio de tiros, raios e mortes espetaculares, uma atenção maior ao que se propõe a história daria o entendimento diante da bela obra que foi feita com baixíssimo orçamento. Veja por meu prisma, muitas das cenas são subjetivas, em várias passagens ouvimos apenas os sons dos “alienígenas” que só atacam a noite (o que gera automaticamente um suspense natural pela falta de luz, além de dar uma “mãozinha” na economia dos efeitos), os vilarejos destruídos e os corpos dos “monstros” dão idéia da dimensão dos combates, cuja amostra se tem no combate entre os “invasores” e 3 veículos (uma aula de “mostrar-esconder” na medida e hora certa). Até os corpos humanos são expostos de forma a fugir da bizarrice e apenas demonstrar um revide, jamais um primeiro ataque, e isso é fundamental para o último ato. No qual o comportamento alienígena pode ser interpretado como um reflexo e não como uma ameaça. Um belo filme, mas para quem está aberto para o que vai ser entregue, e não para aqueles que buscam um novo INDEPENDENCE DAY, por exemplo, este com certeza e com certa razão, se decepcionarão.

Leave a Reply to Juliano Cancel Reply

↑ BACK TO THE TOP ↑