O 3º andar – Terror na Rua Malasaña (“Malasaña 32”)

Taí um interessante filme de terror espanhol que foi com muita sede ao pote. Uma família se muda para um grande apartamento na década de 70 e a entidade que a habita não dá uma folga para os novos inquilinos numa sucessão de sustos até que ela consiga o que quer.

O diretor Albert Pintó se inspirou e quase copiou e colou a essência de dois clássicos: “Poltergeist – O Fenômeno” de 1982, pois a trama básica de acontecimentos é quase a mesma; e de “O Exorcista” de 1973, cujo final é praticamente análogo; enquanto os melhores sustos vieram sem dúvida da saga “Invocação do Mal”. A inovação e consequente boa reviravolta é o propósito do tal espírito e alguns aproveitamentos que o roteiro faz do que a estrutura do prédio mal assombrado pode oferecer.

Muitos dos sustos são bem feitos, mas o diretor parece ter um cacoete e uma fome de assustar que o fez colocar cenas de sustos a cada 2 ou 3 minutos, mesmo que sejam fajutos (ou seja, não tenha nada a ver com a assombração) e sempre se utilizando da mesma técnica: uma pavimentação da tensão para um corte rápido e um barulho para fazer o espectador pular da cadeira. Ele repete tantas vezes o artifício que o público começa a se acostumar, fazendo o tiro sair pela culatra.

Essa sede de assustar também faz com que as atitudes de alguns personagens sejam questionáveis, como por exemplo a lentidão com que eles se movimentam na hora do susto, levando a cena a passar do timing, ou então a falta de comunicação entre eles onde um simples diálogo poderia tê-los ajudado a resolver o mistério bem mais rápido.

Além da reviravolta, há alguns aspectos humanos que poderiam ter mais relevância como a relação entre o marido e a mulher (se piscar, perde o motivo) e até mesmo entre o espírito e sua história, o que é a melhor parte da produção.

O 3º Andar” exagera na dose, mas entrega uma história consistente com menos furos que muito terror de nome por aí.

Curiosidade:

– A tradução literal do título em espanhol é “Rua Malasaña, 32”. Essa rua existe mesmo em Madri, mas sua numeração vai só até o número 30. O “32” foi proposital justamente para que uma possível residência não fique taxada de assombrada.
– O filme é uma co-produção entre Espanha e França, apesar de se passar todo na Espanha. Para homenagear a produtora francesa, o roteiro colocou um diálogo de um jogo onde a resposta no final da cena é Paris.
– Devido a seu porte físico bem alto e magro, o ator Javier Botet que aqui faz o papel da entidade sempre faz papéis de criaturas como em “Slender Man“, “Sobrenatural“, “REC“, “Invocação do Mal” e “Mama“. Aqui o diretor deu uma colher de chá pra ele e além da criatura, ele interpreta o corretor imobiliário que apresenta o apartamento à família (se vocês acharam o corretor sinistro, eu também!)

Ficha Técnica

Elenco:
Begoña Vargas
Iván Marcos
Bea Segura
Sergio Castellanos
José Luis de Madariaga
Iván Renedo
Concha Velasco
Javier Botet
María Ballesteros
Rosa Álvarez
Almudena Salort

Direção:
Albert Pintó

Produção:
Ramón Campos
Teresa Fernández-Valdés
Mercedes Gamero
Jordi Gasull
Pablo Nogueroles
Rosa Pérez
Pepe Torrescusa
Amaya Álvarez

Fotografia:
Daniel Sosa Segura

Trilha Sonora:
Frank Montasell
Lucas Peire

 

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