O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (“The Hobbit: The Battle of the Five Armies”)

Apesar de ser o prólogo de uma das trilogias mais festejadas e premiadas do planeta, com este derradeiro capítulo, a saga de “O Hobbit” prova de uma vez por todas ser muito mais independente do seu sucessor cronológico do que se espera.

Como o próprio subtítulo diz, o filme praticamente se concentra na batalha pela Montanha Solitária recém conquistada pelos anões onde Thorin fica cada vez mais doente de ambição pelo ouro que lá se encontra enquanto Bilbo se divide entre ficar com os anões e com os humanos que pleiteiam seu espaço nas montanhas, juntamente com os elfos, capitaneados por Thranduil, que estão dispostos a tomar a montanha a força. Sem contar o exército de Orcs cada vez próximo numa manobra orquestrada a distância pelo espírito de Sauron.

Filmado em maior resolução e 48 quadros por segundo, tal qual os outros episódios da trilogia, este traz mais uma vez uma experiência visual fantástica, principalmente quando acrescenta-se o 3D. Efeitos especiais cuja perfeição já é pleonasmo traz um realismo impressionante para a tela.

Já quando o assunto é o roteiro, vê-se claramente a mesma tentativa do diretor Peter Jackson de esticar a história até o limite da exaustão, principalmente se analisarmos o fato de praticamente toda a narrativa se passar em um só local e que metade do filme é a pura pancadaria genérica entre os tais cinco exércitos. Lógico que isso jamais vai incomodar os fãs hardcore da franquia e também há diversos bons momentos nas batalhas, sendo até o clichê amoroso entre o anão Kili e a ela Tauriel digno de elogios.

Com menos espaço para o desenvolvimento dos personagens, fica difícil se interessar ou até mesmo distinguir alguns deles, a não ser Martin Freeman que faz o hobbit perfeito, cada vez mais crível e fiel à cultura delineada pelo seu criador Tolkien.

A gente sabe que um filme teria oportunidade de ser melhor quando suas partes mais relevantes se concentram nos vínculos com “O Senhor dos Anéis”. E isso o roteiro fez questão (pra melhor ou pra pior) de ser o mais sutil possível. Só não dá pra deixar de gritar de alegria com o desfecho de Légolas que estabelece um dos melhores vínculos com a trilogia seguinte.

Na ingrata missão de transformar um livro relativamente fino em três filmes, Jackson acaba trazendo muita fleuma para pouco conteúdo. A fleuma existia em “O Senhor dos Anéis” mas, ao contrário, lá o excesso de conteúdo a ofuscava.

Por isso é quase desleal comparar as duas trilogias, sendo a de “O Hobbit” apenas mediana comparada a “O Senhor dos Anéis”. Não obstante a isso, pouco importa para muitos se temos mais algumas horas da Terra Média antes de nos despedirmos de vez, certo? E preparem-se porque a versão estendida chega em breve em home vídeo com “apenas” 30 minutos a mais.

Curiosidade: Quem canta a música logo no final do filme é ninguém menos que Billy Boyd, o hobbit Pippin de “O Senhor dos Anéis“.

Ficha Técnica

Elenco:
Martin Freeman
Ian McKellen
Benedict Cumberbatch
Lee Pace
Evangeline Lilly
Luke Evans
Richard Armitage
Cate Blanchett
Orlando Bloom
Manu Bennett
Aidan Turner
Hugo Weaving
Dean O’Gorman
Christopher Lee
James Nesbitt
Billy Connolly
Graham McTavish
Stephen Fry
Mikael Persbrandt
Ken Stott
Ian Holm
Sylvester McCoy

Direção:
Peter Jackson

Produção:
Carolynne Cunningham
Peter Jackson
Fran Walsh
Zane Weiner

Fotografia:
Andrew Lesnie

Trilha Sonora:
Howard Shore

 

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