O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (“The Hobbit: An Unexpected Journey”, EUA, 2012) ***NOS CINEMAS***

A saga iniciada pela trilogia “Senhor dos Anéis” é, sem sombra de dúvida, o “Star Wars” de Peter Jackson. Não só dele, como para ele e para os fãs.

É impressionante a semelhança entre as duas sagas. Começando que ambas foram inovadoras na história do cinema. Tiveram uma trilogia que foi seguida de mais outra trilogia contando os acontecimentos prévios à primeira. E esses acontecimentos prévios mostram a ascensão da força maligna a ser enfrentada na trilogia original. Passam-se num universo diferente do nosso com suas próprias línguas, costumes e com um mapa bem definido. Em ambas temos o improvável herói (Bilbo e Frodo / Luke Skywalker), um mentor (Gandalf / Obi Wan Kinobi) e um aprendiz (Bilbo e Frodo / Anakin e Luke) e principalmente uma força que tenta os heróis para o mal (o anel / o lado negro da Força). Finalmente temos duas sagas que uma vez que capturaram o espectador como fã, ele vai querer sempre se envolver em qualquer narrativa que dela se venha criar, mesmo que apenas para se sentir “em casa” novamente. E até agora, tanto George Lucas quanto Peter Jeckson tiveram o devido cuidado para que tudo de novo que saia no cinema faça valer a pena.

No caso da nova trilogia de Jackson, enquanto “Senhor dos Anéis” é baseado em três livros grossos, a trilogia “O Hobbit” é baseado em apenas um livro e contextualizado mais para o público infanto-juvenil. O próprio diretor, esperto que só ele, apaziguou os ânimos dizendo que a nova trilogia seria um filme mais leve, por conta disso. O primeiro capítulo de “O Hobbit”, chamado de “Uma Jornada Inesperada” mantém o mesmo clima de “A Sociedade do Anel”, o mais leve da trilogia original. Matreiro, Jackson já começa o filme com uma surpresa para derreter o corações dos fãs e geeks de todo o planeta.

Martin Freeman, conhecido do público brasileiro do longínguo “Guia do Mochileiro das Galáxias” e atualmente fazendo a série de TV “Sherlock” encarna Bilbo Bolseiro mais jovem. Ele recebe o convite de Gandalf (Ian McKellen) para embarcar numa jornada com um grupo de anões para reclamarem sua terra das mãos do Dragão Smaulg. E assim partem mal sabendo o perigo que os aguarda e as forças que estão sendo conjuradas para o retorno do maior inimigo da Terra Média.

A estrutura narrativa segue bem semelhante aos outros filmes, tendo a viagem dos personagens como linha de trama para o desenvolvimento dos eventos futuros. Sabendo do amor dos fãs pelo universo, o roteiro faz questão de reapresentar boa parte dos personagens já conhecidos do público, onde cada cena com um deles vira um suspiro da plateia. Se o grande desafio de adaptar três livros volumosos para o cinema foi cortar determinadas subtramas, dessa vez o desafio foi o inverso: transformar um pequeno livro em três filmes de longa duração (só esse tem 169 minutos), o desafio foi inserir conteúdo relevante para não parecer um daqueles filmes caça níqueis que se utiliza dos piores argumentos para se dividir em várias partes (vide a “Saga Crepúsculo – Amanhecer, partes 1 e 2”). E o diretor consegue com razoável êxito. Logicamente nem tudo é tão regular e algumas seqüências ficam com aquele gosto de que durou mais que o necessário jogo travado entre Bilbo e Hobbit quando o primeiro pega o anel que é a origem de tudo.

Os efeitos especiais e demais aspectos técnicos são impecáveis e bem melhores que os oscarizados efeitos da saga anterior. E ainda casam muito bem com a inovadora filmagem em 48 quadros por segundo em 3D, levando o hiper-realismo a uma categoria superior.

Os detratores, aqueles que não gostam do universo da Terra Média, nem precisam se dar ao trabalho de ver. Mas a grande maioria, principalmente os fãs, devem entender que “O Hobbit – Uma Jornada Inesperada” é muito mais que uma adaptação de um livro: é o início da história do mal que vai assolar a Terra Média, mas que só com essa ascensão, ele poderia ser derrotado 60 anos depois por Frodo Bolseiro, Aragorn e a Sociedade do Anel. Vida Longa à Terra Média!

Ficha Técnica

Elenco:
Ian McKellen
Martin Freeman
Richard Armitage
Ken Stott
Graham McTavish
William Kircher
James Nesbitt
Stephen Hunter
Dean O’Gorman
Aidan Turner
John Callen
Peter Hambleton
Jed Brophy
Mark Hadlow
Adam Brown
Ian Holm
Elijah Wood
Hugo Weaving
Cate Blanchett
Christopher Lee
Andy Serkis
Sylvester McCoy
Barry Humphries
Jeffrey Thomas
Michael Mizrahi
Lee Pace
Manu Bennett
Conan Stevens

Direção:
Peter Jackson

Produção:
Carolynne Cunningham
Peter Jackson
Fran Walsh
Zane Weiner

Fotografia:
Andrew Lesnie

Trilha Sonora:
Howard Shore

 

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