O Homem de Ferro 2 (“Iron Man 2”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

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Surge um filme que deve dividir o espectador e de difícil avaliação, justamente porque o que é positivo quando mal dosado, acaba por se tornar contraproducente. Começando de onde a primeira parte parou, Tony Stark (Robert Downey Jr.) dá suas entrevistas e, narcisista como sempre, clama que sua invenção trouxe a paz mundial. Do outro lado do mundo, na Rússia Ivan Vanko (Mickey Rourke de “Geração Perdida“) consegue duplicar a tecnologia de Stark para vingar a desgraça da sua família provocada, segundo ele, pelo clã Stark, o que o torna o vilão conhecido como Chicote Negro (mesmo que seu codinome nunca tenha sido dito no filme).

É pouco tempo para tantas tramas e acontecimentos. A Marvel acerta em focar a vida pessoal do herói, cujas manias auto-destrutivas o põe a um passo do colapso. Também acerta em intensificar a presença da S.H.I.E.L.D., organização que mais tarde formará o grupo de heróis conhecido como Os Vingadores, da qual o Homem de Ferro faz parte. O grande erro é colocar todas as linhas narrativas no nem tão pouco tempo de filme (117 minutos).

O espectador dificilmente absorverá tudo, no sentido de que as histórias são tratadas de forma superficial. Por exemplo, o vilão passa a impressão de nunca representar uma ameaça real; e o que dizer do pseudo romance do protagonista com Pepper Potts (Gwyneth Paltrow de “Amantes“) que chega a ser invisível em quase todo o filme como se eles nunca tivessem ficado juntos no final do seu antecessor? Para completar o enfraquecimento da produção, o próprio Robert Downey Jr. parece se divertir tanto com o papel que seu sarcasmo e leveza exacerbados nunca deixam a platéia se sensibilizar com o suposto perigo ao qual está exposto. Tanto é que os momentos mais memoráveis são os cômicos.

Para se contrapor a todas essas fraquezas, o diretor Jon Favreau – que dirigiu a parte 1 – capricha em efeitos especiais de última geração e cenas de ação muito bem dirigidas onde, com toda a gama de elementos envolvidos, sempre deixa claro o que está acontecendo na tela. Ele mesmo aparece mais na tela (é o motorista Happy) com algumas seqüências hilárias. Aliás, o destaque vai para Sam Rockwell (“Lunar“) que interpreta o arquirrival de Stark numa de suas sensacionais performances cômicas, o que é claro tira toda a tensão que um personagem como ele deveria criar. Não se pode deixar de citar a participação de Scarlett Johansson (“The Spirit – O Filme“) como a Viúva Negra, pois mesmo não acrescentando muito em termos narrativos, tem uma presença magnetizante.

Pondo tudo na balança, “O Homem de Ferro 2” é um filme muito bom e acima da média, com mais acertos do que erros, mesmo que estes últimos infelizmente façam toda a diferença. E não percam a cena depois dos créditos finais.

[rating:3.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Robert Downey Jr.
Gwyneth Paltrow
Don Cheadle
Scarlett Johansson
Sam Rockwell
Samuel L. Jackson
Mickey Rourke
Leslie Bibb
Paul Bettany
Jon Favreau
Olivia Munn
John Slattery
Clark Gregg
Stan Lee
Helena Mattsson
Tim Guinee
Garry Shandling
Davin Ransom
Anya Monzikova
Keith Middlebrook

Direção:
Jon Favreau

Produção:
Kevin Feige

Fotografia:
Matthew Libatique

Trilha Sonora:
John Debney

 

2 Comments

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  • ASF
    on

    Uma correção, Pepper Potts e Tony Stark não chegam a ‘consumar’ a relação no primeiro filme.

    (atenção, spoiler)

    A coisa pra valer só acontece mesmo na última cena desse segundo Iron Man, quando eles se beijam no topo de um prédio com tendo como testemunha James “Máquina de Guerra” Rhodes.

  • Clayton
    on

    “Eu quero!” É a frase e cena que melhor me recordo deste filme, quando Tony Stark setencia a Pepper Potts seu interesse nos “serviços” da personagem de Scarlett Johansson (um espetáculo no uniforme de Viúva Negra). Se a intenção era realizar um filme de ação com comédia, então “missão cumprida” inclusive com certos exageros. Porém se o objetivo era um filme de ação com a dose de humor e drama de sagas como a do Homem Aranha, Wolverine e Batman, por exemplo, então ficou bem aquém do resultado esperado. O risco iminente de perder sua armadura, um vilão com tecnologia semelhante a do Homem de Ferro á solta e ainda vendo sua vida se esvair, tudo isso seria motivo muito bom de um colapso total na vida de Tony Stark, porém todas essas nuances são tratadas com uma profundidade de um pires. Por exemplo, o próprio mal que afeta a saúde de Stark, em nenhum momento vemos seus sintomas, acho até que se chegasse a 100% ele caíria de uma vez como se fosse desligado um interruptor, tal deveria ser a repentinidade da situação. E mais raso ainda, se é que isso é possível, a forma de interpretar de Gwyneth Paltrow, no primeiro filme ela era a fiel escudeira, ciente de que mesmo apaixonada não poderia ter o amor de Tony, pois ninguém poderia levar este a sério. Já neste segundo ela apenas recita os diálogos com caretas, tornando a personagem Potts no máximo uma colegial apaixonada, deslumbrada e insegura, e ainda com essas características tendo que demonstrar capacidade para dirigir as Indústrias Stark. É o tipo de papel que digo que qualquer uma poderia fazer, e isso é um perigo para a atriz pois a torna substituível, exemplo do caso de Megan Fox, após frequentes discussões salariais e de ego para filmar Transformers 3, dispensaram a moça e chamara outra “gostosa”, afinal trajar roupas curtas não exige Shakespeare no currículo. Porém, a parte cômica realmente diverte, embora Robert tenha exagerado um pouco, e olha que o considero “ator até a raiz da alma” (termo qu eutilizo para designar pessoas que já nasceram com o dom da interpretação, quer busquem ou não formação para seguir esta carreira). Downey Jr leva o personagem Tony Stark a um nível que os quadrinhos ainda não podem atingir, pois o ator possui o carisma que ainda não se consegue transpor para o papel. Destaques para as interpretações de Jon Favreau, que chegar a ser tão hilário quanto Robert, de Sam Rockwell sempre correto e do sempre vindo pra ser um “fodão”, Samuel L. jackson. Um ressalva a parte para o Sr. Mickey Rourke que agora só faz papel de vilão ou atirador, ou ainda vilão atirador: Percebe-se que o talento está lá, ainda em sua primeira cena é possível enxergar a dor da perda e o surgimento da necessidade de vingança em Vanko, daí em diante o papel se torna burocrático e óbvio, mas acredito que não seja culpa dele. Mas a ressalva que me refiro é pensar o que ele fez com a carreira dele, o promissor ator de 9 semanas e meia de amor e Coração Satânico, e que hoje poderia estar dentro da armadura do Homen de Ferro ou sendo galã de um filme que atualmente é indicado para George Clooney, mas vai estrelar apenas o que puder ter como trunfo o seu declínio. Sim, vale a pena assistir Homem de Ferro 2, mas é melhor no home theater.

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