O Preço do Amanhã (“In Time”, EUA, 2011) ***NOS CINEMAS***

Num futuro próximo, para controlar a superpopulação, os seres humanos vivem até os 25 anos e depois deixam de envelhecer, restando apenas mais um ano, sendo que esse tempo é relativo, pois com essa medida, o próprio tempo virou a moeda corrente. Por exemplo, uma passagem de ônibus pode custar duas horas ou determinado bem pode custar três meses. Dessa forma, as pessoas mais pobres vivem pouco mais de seus 25 anos, enquanto os ricos conseguem viver até séculos. A premissa é ótima e, apesar de um tanto difícil de entender num primeiro momento, o filme faz questão de passar os primeiros vinte minutos explicando, o que torna o conceito bem acessível ao espectador. Não só o explica como explora muito bem as várias possibilidades que o conceito traz.

Justin Timberlake (“Amizade Colorida”) é Will, proletariado que vive no gueto, trabalha para sua luta diária por tempo e que acabou de perder sua mãe. Ao salvar um desconhecido que tem mais de um século sobrando de um assalto, este lhe passa todo seu tempo, cometendo suicídio logo depois. Will então decide ir para a zona rica gastar parte do tempo que lhe foi dado. O estranho suicídio chama atenção de uma força policial chamada “Time Keepers” (algo como Protetores do Tempo) chefiado por uma espécie de Capitão Nascimento de lá, Raymond (Cillian Murphy de “Face Oculta”). Assim, Will passa a fugir deles, levando a filha de um magnata como refém (Amanda Seyfried de “A Garota da Capa Vermelha” em versão anoréxica).

Apesar do chamativo primeiro ato, logo depois “O Preço de Amanhã” se perde, já que não dá pra entender quais as motivações de Will ao ir para a zona rica. Tornar-se um playboy? Cometer suicídio torrando todo seu tempo? Roubar tempo dos ricos? E de uma forma meio desajeitada, o roteiro muda o estilo da produção que passa de uma perseguição sem sentido para uma versão futurista de “Bonnie Clyde”, visto que Will e Sylvia (Seyfried) passam a roubar os “bancos de tempo” para distribuir aos pobres, uma clara alusão também a “Robin Hood”.

E essa virada acaba por despertar sérias inconsistências, visto que é inacreditável a facilidade que duas pessoas comuns têm de roubar vários bancos e penetrar em fortalezas como se não houvesse segurança alguma. Isso sem contar que de uma hora pra outra, Will parece virar ninja quando lhe é conveniente. E o que dizer de certas cenas como a capotagem do carro do casal, sendo que eles saem de lá praticamente ilesos?

Todas as inconsistências do roteiro (e não são poucas) são parcialmente ofuscadas pelo que é o seu cerne: a corrida contra o tempo dos personagens para continuarem vivendo, já que existe uma constante contagem regressiva em seus relógios biológicos. E por isso – e só por isso – “O Preço do Amanhã” consegue se estabelecer como uma boa diversão. Hollywood ainda tem que aprender que não adianta uma interessante premissa sem um desenvolvimento a altura.
[rating:3]

Ficha Técnica

Elenco:
Justin Timberlake
Amanda Seyfried
Alex Pettyfer
Olivia Wilde
Cillian Murphy
Bella Heathcote
Matt Bomer
Johnny Galecki
Elena Satine

Direção:
Andrew Niccol

Produção:
Andrew Niccol
Marc Abraham
Eric Newman

Fotografia:
Roger Deakins

Trilha Sonora:
Craig Armstrong

 

3 Comments

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  • Havana
    on

    Achei engraçado uma hora que ele diz “Vista-se rápido” (porque os ‘tiras’ estão entrando no prédio) pra ela que está seminua e na cena seguinte ela aparece com varias camadas de roupa e meia-calça..hauisahsiuahs E o tiro certeiro que ela dá de primeira no cara lá?! hauishushaiuhais mas Curti! xD
    Bjo amore

  • Jean Carlos da Rocha
    on

    Curti bastante o filme. Justin Timberlake não deixa a desejar em sua atuação e incorpora bem o personagem.

  • Daniel Bezerra
    on

    O filme é interessante pela ideia inicial. Mas a originalidade vai pro ralo depois do segundo ato. O que achei mais bizarro é porque a camera pegou ele correndo para a ponte e não filmou o cara sentado e caindo? O que salva o filme são alguns dialogos que fazem excelentes criticas ao capitalismo selvagem no qual vivemos. Assista sem muita expectativa. Mas si for assiste algo do mesmo estilo prefiro mil vezes Equilibium ou o V de vingança.

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