O Retorno de Mary Poppins (“Mary Poppins Returns”)

A Disney entrou no modo de repaginação de todos os seus clássicos e vai acelerar ainda mais em 2019. Se por um lado pode soar como produções caça níqueis, por outro também leva novas gerações a se interessarem pelas suas grandes produções de outrora. “O Retorno de Mary Poppins” vai neste segundo caso. É como estarmos assistindo a célebre produção de 1964 novamente com o toque de que quem já a assistiu vai sentir a fluidez de sua continuação.

Poppins é interpretada à sua maneira com a mesma sagacidade de Julie Andrews, agora na pele de Emily Blunt de “Um Lugar Silencioso”. Ela tem a mesma pegada e imprime a dinamicidade necessária, tal qual a senioridade de uma protagonista que entende sua posição quase sobrenatural na vida da família Banks.

Sim, a família Banks está de volta! Em meio à grande depressão de 30 nos EUA, os irmãos Michael (Ben Whishaw de “As Aventuras de Paddington 2”) e Jane (Emily Mortimer de “O Idiota do Meu Irmão”) estão prestes a perder a casa da família, a mesma em que eles foram criados e receberam Poppins décadas antes, e ainda tem que cuidar dos filhos de Michael depois que sua esposa faleceu. E é aí que entra a gloriosa babá para tomar conta das crianças e, com a companhia do iluminador de postes Jack (o compositor, coreógrafo e ator Lin-Manuel Miranda de “A Estranha Vida de Timothy Green”), ajudar Michael a reaver a sua casa.

Quando o assunto é musical, não tem como não vir a tona o nome de Rob Marshall na direção, o qual já dirigiu parte do elenco no fraquinho “Caminhos da Floresta”, mas dessa vez ele acerta a mão. E não só na parte musical, mas com toda a recriação do ambiente original, incluindo as cenas de animação em 2D, como era feito antigamente, o que dá um toque especial para toda a família ao mesmo tempo em que exibe um paralelo entre a imaginação das crianças (ou os poderes de Mary Poppins) e os eventos no “mundo dos adultos”.

A estrutura do roteiro segue à risca os ditames Disney de filmes infantis e não traz inovações. Tanto que os mais atentos vão acertar a reviravolta fundamental logo na primeira meia hora de filme. Mas o diretor esbanja carisma na execução, faz um vínculo forte com a produção original e inclusive traz o ator Dick Van Dyke, já com 93 anos, que faz uma excelente ponta reimaginando seu papel original no antecessor de 1964.

Ainda assim, como musical, “O Retorno de Mary Poppins” é um filme de nicho, já que a cultura infantil mudou bastante, enquanto a obra se mantém fiel ao espírito da década de 60. O que a princípio pode ser uma desvantagem, na verdade é mais um motivo para esse resgate às origens ser muito bem apreciado.

Curiosidades:

– Na produção de 1964, a Disney queria tanto Julie Andrews como Mary Poppins que, por ela estar grávida, eles adiaram a produção para que ela pudesse protagonizar. Em O Retorno de Mary Poppins, a Disney queria tanto Emily Blunt como Mary Poppins que, por ela estar grávida, eles adiaram a produção para que ela pudesse protagonizar.
– A senhora do balão no fim do filme era para ser a própria Julie Andrews, mas ela recusou o papel por achar que sua persona traria distração na plateia, visto que o show era de Emily Blunt. Quem a substituiu foi a decana Angela Lansbury, justamente a segunda opção para fazer Mary Poppins em 1964.
– Aliás Angela Lansbury é a atriz mais velha a participar de qualquer produção da Disney em todos os tempos. Sabe quem fica em segundo? Dick Van Dyke, 2 meses apenas mais novo que ela.
– Dick Van Dyke com 93 anos interpretou sem ajuda de dublês ou efeitos especiais seu número musical no terceiro ato. Aliás, ele está tão conservado que tiveram que usar uma maquiagem para envelhecê-lo um pouco mais.
– Estabeleceu um novo recorde de hiato entre uma produção e sua continuação direta: 54 anos.
– No final, o velho banqueiro Sr. Dawes começa contando a piada de um pirata com a perna de pau e a interrompe. Por uma boa razão: é um vínculo direto com a produção original onde seu pai morre de tanto rir após ouvir a piada.
– Karen Dotrice, que fez a criança Jane Banks na produção de 1964 faz uma ponta como uma mulher elegante no filme.
– “Mary Poppins” de 1964 se baseia no primeiro livro da personagem que se passa nos anos 30, mas Walt Disney quis ambientar a história na virada do século. Já essa continuação se passa realmente na entrada da década de 30.
– O dente de leite do ator mirim que interpreta o filho mais novo caiu antes das filmagens. Ele passa o filme todo usando uma prótese, já que o dente permanente demoraria pra crescer.
– O cenário da loja de Topsy (Meryl Streep) demorou 7 meses para ser construído e poder girar de verdade.
– Há uma cena em que perguntam à Topsy de onde ela tirou aquele sotaque. Aquele é um sotaque polonês que Meryl Streep tirou de sua personagem do premiado filme “A Escolha de Sofia”.
– As sequencias de animação tradicional foram tão trabalhosas que a Disney pagou seus animadores já aposentados a peso de ouro para voltar ao trabalho.

Ficha Técnica

Elenco:
Emily Blunt
Lin-Manuel Miranda
Ben Whishaw
Emily Mortimer
Pixie Davies
Nathanael Saleh
Joel Dawson
Julie Walters
Meryl Streep
Colin Firth
Jeremy Swift
Kobna Holdbrook-Smith
Dick Van Dyke
Angela Lansbury
David Warner

Direção:
Rob Marshall

Produção:
John DeLuca
Rob Marshall
Marc Platt

Fotografia:
Dion Beebe

Trilha Sonora:
Marc Shaiman

 

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