O Último Mestre do Ar (“The Last Airbender”, EUA, 2010) ***NOS CINEMAS***

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Depois dos retumbantes fracassos de crítica e bilheteria, “A Dama da Água” e “Fim dos Tempos“, o diretor M. Night Shyamalan que um dia já foi a grande promessa do cinema com o espetacular “Sexto Sentido” decidiu parar de escrever suas próprias histórias e dirigir sua primeira adaptação, baseada na série animada de TV. E também mudou radicalmente sua maneira de filmar, incluindo pela primeira vez toneladas de efeitos especiais. O resultado é questionável.

Num conto de fantasia, o mundo onde se passa a produção é formado de quarto nações, cujos nomes são os elementos primários: ar, água, terra e fogo. Elas mantém seu equilíbrio por causa de uma entidade chamada Avatar (não confundir com o filme de James Cameron). Quando este some, a Nação do Fogo, decide conquistar os outros povos. Até que 100 anos depois, um casal de irmãos de um povo pobre da Nação da Água acidentalmente acha o Avatar na forma de uma criança e juntos devem deter o avanço destrutivo da Nação do Fogo pelo seu mundo.

O filme – feito para ser uma trilogia – tem um apuro técnico surpreendente e fica difícil engolir que Shyamalan tenha dirigido sozinho sem a ajuda de algum especialista em blockbusters cheios de efeitos especiais. Alguns cenários enchem os olhos e não devem nada para outros mundos como o da trilogia “Senhor dos Anéis“.

Mas é doloroso dizer que Shyamalan estragou uma ótima oportunidade. Ótima porque se percebem grandes conflitos dignos de um bom roteiro: o a expulsão do filho do Lorde do Fogo (Dev Patel de “Quem Quer Ser um Milionário?“) e sua sede de aceitação perante sua família é talvez um dos mais tocantes dramas que envolvem a história; a recusa do pequeno Aang ( o estreante Noah Ringer) em se tornar o Avatar é clichê, mas ainda se agüenta.

Tudo jogado por água abaixo com os diálogos mais piegas do cinema. São tantas linhas terríveis que fica difícil destacar uma. É pior do que o pior da novela mexicana. Logo o diretor que sempre foi reconhecido por colocar os segredos nas entrelinhas, aqui ele aparece praticamente imbecilizando seu público como se estivesse escrevendo um episódio dos Teletubies.

Tão alarmante também são algumas cenas absurdas como as da visita ao dragão espírito que só faz atrapalhar a vida dos heróis, já que a única “dica” que ele dá era a coisa mais óbvia do mundo. Pior é a morte de um personagem tão querido para outro e, em menos de 1 minuto, essa perda ser completamente esquecida por todos (tão ruim quanto aquela cena de “2012” cujo comentário postei).

O Último Mestre do Ar” só não tem uma avaliação pior porque sua essência, tal qual coloquei no início, é rica no que diz respeito a personagens e pode (digo pode) dar a esperança de continuações mais dignas. O único medo é que Shyamalan consiga estragar ainda mais as continuações. Tenho essa impressão… mas não chega a ser um sexto sentido.

[rating:2.5]


Ficha Técnica

Elenco:
Noah Ringer
Nicola Peltz
Jackson Rathbone
Cliff Curtis
Dev Patel
Jessica Andres
Seychelle Gabriel

Direção:
M. Night Shyamalan

Produção:
Scott Aversano
Frank Marshall
Sam Mercer
M. Night Shyamalan

Fotografia:
Andrew Lesnie

Trilha Sonora:
James Newton Howard

 

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