Okja

A Netflix e a Plan B (produtora do Brad Pitt) produziram uma mistura de filme da Disney com uma dramédia cult que traz um resultado melhor que um ou outro.

Dirigido pelo coreano maluco-beleza Joon-ho Bong (“Expresso do Amanhã”), o filme fala sobre o plano de uma empresa chefiada pela maquiavélica Lucy Mirando (Tilda Swinton de “Doutor Estranho”) para dominar a indústria de alimentos com uma espécie de porco transgênico que tem as propriedades das melhores carnes e bacon do mundo.

Pra enganar o povo ela montou uma campanha de marketing que colocou alguns desses super porcos em fazendas ao redor do mundo dizendo que foram achados e estão sendo criados numa espécie de competição para ver quem cria o super porco mais saudável. E é lá na Coréia que conhecemos Okja, a super porquinha (gigante) cuja dona Mija (a atriz mirim Seo-Hyun Ahn) nutre um amor imensurável já que após dez anos, elas viveram juntas. Quando a empresa de Mirando volta para pegar Okja, Mira faz uma maratona para reavê-la e se junta com um nada ortodoxo grupo de libertação de animais liderado por Jay (Paul Dano de “Um Cadáver Para Sobreviver”).

A dinâmica da produção, seu ritmo e química entre os personagens consegue facilmente prender a atenção do espectador com suas duas horas de projeção. Aliás, uma das boas sacadas é que os personagens são bastante caricatos, ou melhor, exagerados em seus maneirismos. Tilda Swinton é sempre um camaleão e com versatilidade ímpar, Jake Gyllenhaal (“Vida”), apesar de aparecer pouco, está dá o melhor do humor negro com o desastrado e psicologicamente perturbado veterinário celebridade e Paul Dano consegue transmitir ao mesmo tempo a doçura e a dureza que seu personagem pede. Por isso, é Mija que funciona como o alter ego do espectador colocando os eventos em perspectiva. Os efeitos digitais que dão vida a Okja chegam arrasando numa interação tão impressionante com os personagens de carne e osso que chega a ser natural pensar que ela está lá de verdade.

Só que talvez o que mais chame atenção em seu roteiro é uma discussão relevante que a produção consegue desenvolver muito bem: até que ponto um animal pode ser sacrificado para saciar uma necessidade humana? Algumas organizações já fizeram uma campanha justamente pedindo para que nós traçássemos a linha que separa, por exemplo, um boi de um cachorro (porque um tem que morrer e outro não?) – o que geraria debates acalorados entre carnívoros e vegetarianos. “Okja” ainda vai mais além em seu terceiro ato e propõe ousadamente a mesma discussão só que partindo da mesma espécie: o fato de gostarmos de Okja, permite deixar que outros super porcos possam ser abatidos para alimentação? No caso de apenas Okja ser salva, isso realmente representa uma vitória para a trama.

É justamente a união de uma aula de filosofia sobre valores humanos, a história de uma pseudo princesa da Disney e muita ação, comédia com boas pitadas de drama, fazem de “Okja” um filme obrigatório, capaz de fazer qualquer um refletir e se emocionar.

Curiosidades:

– Primeiro filme não produzido para o cinema que foi exibido em Cannes, o que levou a indignação de muitos e até a vaias da plateia, mostrando o preconceito aberto que existe sobre os meios de comunicação quando o assunto é a sétima arte.
– A Frente de Libertação Animal, grupo mostrado no filme e liderado por Jay existe na vida real.
– A cena de Lucy e seus executivos vendo o vídeo viral de Okja invadindo um mercado foi feita exatamente refletindo a filmagem de Barack Obama e seus ministros vendo a transmissão da captura e morte de Osama Bin Laden.

Ficha Técnica

Elenco:
Tilda Swinton
Seo-Hyun Ahn
Paul Dano
Jake Gyllenhaal
Lily Collins
Giancarlo Esposito
Shirley Henderson
Woo-sik Choi
Steven Yeun
Daniel Henshall
Devon Bostick

Direção:
Joon-ho Bong

Produção:
Joon-ho Bong
Dooho Choi
Dede Gardner
Lewis Taewan Kim
Jeremy Kleiner
Ted Sarandos
Woo-sik Seo

Fotografia:
Darius Khondji

Trilha Sonora:
Jemma Burns
Jaeil Jung

 

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