Os Falsários (“Die Fälscher”, Áustria / Alemanha, 2008)

Genre :

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A Segunda Guerra Mundial parece ser um anúncio inesgotável. Surge essa produção austríaca e que – pasmem – com uma co-produção alemã foi a grande vencedora do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro desse ano. Já começa com o mérito de ser uma visão de um país que estava logo ao lado no período da guerra. Inclusive talvez não seja coincidência que no ano anterior, o sensacional “A Vida dos Outros” (este puramente alemão) também tenha levado a estatueta com o tema do pós-guerra.

Aqui acompanhamos a vida de Salomon (Karl Markovics), um falsificador, estelionatário e bom vivant que na Alemanha à beira da guerra ganhava rios dinheiro com seu ofício. Descoberto e preso, ele é enviado para um campo de concentração, mas consegue se livrar da morte devido a seu talento para a pintura. Assim é transferido e junto com outros prisioneiros formam uma equipe que o terceiro reich designou para falsificar libras e dólares e assim arruinar a economia dos EUA e Grã Bretanha, sendo um passo importante no avanço da guerra. Esta operação, a qual foi real, é o mote do enredo e fala sobre o isolamento e tensão que essa equipe passou, mesmo que, pela sua valia, tivessem tratamento superior aos encarcerados comuns.

Porém, mais importante é o foco no protagonista que praticamente sofre uma epifania seguida de redenção através da transformação de alguém que só pensa em salvar a própria pele, num quase herói, mesmo agindo com uma discrição e humildade escondidas numa personalidade complexa e de falsa modéstia.

E a atuação contida de Markovics, ao contrário do que era de se esperar, eleva o patamar de “Os Falsários“, juntamente com um roteiro que se prende a detalhes importantes, como a verdade que Hollywood esconde de que a maioria da guerra foi vencida pelos russos e não pelos americanos ou que alguns oficiais nazistas cometiam certas atrocidades mais por força do ofício do que por ter comprado a mentalidade de Hitler.

Os Falsários” é um filme harmonioso e envolvente. Talvez faltassem algumas descargas emocionais, o que corresponde a alguns poucos minutos na narrativa toda e por isso, entre outros pormenores, não seja lá grande merecedor do Oscar, como foi “A Vida dos Outros“. Mas sem dúvida merece ser assistido e deve ocupar um lugar de destaque na estante dos cinéfilos.

[rating:4]


Ficha Técnica

Elenco:
Karl Markovics
August Diehl
Devid Striesow
Martin Brambach
August Zirner
Veit Stübner
Sebastian Urzendowsky
Andreas Schmidt
Tilo Prückner
Lenn Kudrjawizki
Norman Stoffregen
Hille Beseler

Direção:
Stefan Ruzowitzky

Produção:
Josef Aichholzer
Nina Bohlmann
Babette Schröder

Fotografia:
Benedict Neuenfels

Trilha Sonora:
Marius Ruhland

 

2 Comments

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  • Ruben
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    Fala Aldo, na verdade vim aqui para recomendar um filme que assisti essa semana, “A liberdade é Azul”(Trois Couleurs: Bleu) com a Juilette Binoche, se você já o assistiu, gostaria de ler uma crítica sua sobre o mesmo! abração!

  • saullo
    on

    engraçado que eu já gostei mais deste filme justamente por nao ser taaaaaaaaaao emotivo…tipo…eles mostraram o q aconteceu e ponto, nao ficaram enrolando com melodramas batidos de judeus bonzinhos morrendo e bla bla bla. nao aguento mais ver tanta tentativa de “endeusar” o povo judeu, nao q tenha algo contra judeus, mas como dizem, nao existe um lado bom ou mau, todos sao farinha do mesmo saco, e a diferença é q uns sao mais fortes q outros.

    judeus trabalhando p salvar a propria vida, salvos os que pensavam no proximo, nazistas fazendo o seu dever, claro q sempre tem os psicopatas. filme direto, sem super herois de merda, sem povo sofredor e bonzinho, apenas a guerra e seus planos.

    filme muito bom!!!

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