Power Rangers

Os Power Rangers foi a resposta americana para o domínio oriental nas séries de monstros que virou febre no mundo desde a década de 70 com Ultra Seven, Spectroman, Ultraman e nos anos 90 Jaspion e Changeman (na qual claramente os Rangers foram inspirados). Apesar de americano, eles também são uma criação oriental do mestre Haban que fundou sua própria produtora e desde 1993 seus 831 episódios (sim, é isso mesmo) povoa a mente infanto-juvenil com seus estilo trash exagerado.

O maior desafio de uma encarnação mais realista foi contextualizar todos os absurdos da série em elementos que dentro do contexto fantástico que representa, pelo menos seja crível e que seus personagens tenham uma conexão com todos os públicos. E surpreendentemente o desafio foi conquistado com sucesso.

A história conta com os melhores efeitos especiais e mostra o início da batalha do primeiro time de Power Rangers contra a desertora Rita Repulsa (o nome ridículo foi preservado) e, milhões de anos depois, já na atualidade, cinco jovens rebeldes que se conhecem numa aula de detenção (lembra o clássico “Clube dos Cinco“?) acham numa mina as cinco moedas do poder e a nave espacial perdida dos antigos Rangers. Ao mesmo tempo – coincidência, hein? – o fóssil de Rita é achado por um barco pesqueiro e ela volta a vida para sua missão de coletar um cristal da vida no planeta terra e dominar a galáxia. Assim, os jovens tem que descobrir e usar seus poderes (essa descoberta lembra a primeira trilogia de “O Homem Aranha” não por acaso) e assim tentar impedir Rita de extinguir a vida na Terra.

O diretor Dean Israelite de “Projeto Almanaque” entendeu muito bem que independente do público, os personagens precisariam ser desenvolvidos e investiu boa parte da narrativa nisso, inclusive mostrando a história pessoal de cada um. Mesmo assim não deixa de trabalhar bem as cenas de ação no geral, como logo na sequencia inicial onde transita da origem dos Rangers até uma ótima perseguição de carros já na atualidade. As explicações para todo o poder ou magia (como queiram) dos Power Rangers é bem fundamentada e deve agradar até os mais exigentes.

Claro, existem uma série de lacunas no roteiro e nessas horas o diretor entende que deve tirar o time de campo e deixar rolar, como na cena da formação do Goldar (de onde veio tanto ouro e porque Rita não fez isso antes?), ou a falta de explicação de como a energia morfa pode trazer alguém de volta à vida, e até mesmo no absurdo tapa robô em seu desfecho.

A produção tem aquele típico elenco principal saído de “Malhação”, mas que até segura a barra, além da participação interessante de Bryan Cranston (“Tinha Que Ser Ele?”) como o antigo Ranger Vermelho e Elizabeth Banks (“Jogos Vorazes”) que encara vestir a esquisita fantasia de Rita Repulsa numa personagem que é a mais trash da história.

O mais importante é que “Power Rangers” não decepciona, se mantém fiel a quase todos os elementos da série (com direito até à trilha original no terceiro ato) e já se estabelece como uma franquia de aventura muito bem cuidada.

Curiosidades:

– O diretor Dean Israelite é primo do diretor Jonathan Liebesman que dirigiu “As Tartarugas Ninja”. Coincidentemente ambos os personagens Power Rangers e Tartarugas Ninja se encontraram num especial na década de 90.
– Na cena em que a população tira fotos do Megazord, há uma participação de dois dos atores que interpretavam os Power Rangers originais.
– O próprio Brian Cranston já dublou personagens da série original Power Rangers nos anos 90.

Ficha Técnica

Elenco:
Dacre Montgomery
Naomi Scott
RJ Cyler
Ludi Lin
Becky G.
Elizabeth Banks
Bryan Cranston
Bill Hader
Matt Shively
Cody Kearsley
David Denman
Robert Moloney
Anjali Jay
Sarah Grey
Morgan Taylor Campbell

Direção:
Dean Israelite

Produção:
Marty Bowen
Brian Casentini
Wyck Godfrey

Fotografia:
Matthew J. Lloyd

Trilha Sonora:
Brian Tyler

 

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