Rodolfo Marques fala sobre Paraísos Artificiais

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O filme “Paraísos Artificiais” (Brasil, 2011) traz, em um sem-número de imagens e flash-backs – dando à película uma não-linearidade permanente -, várias das questões que fazem parte da vida dos adolescentes/jovens adultos, principalmente das classes médias: o uso de drogas sintéticas, as festas “intermináveis” (as chamadas raves) e a sexualidade (nas mais diferentes vertentes).

É dentro desta atmosfera onde as relações soam relativamente frágeis que o filme, dirigido por Marcos Prado (Produtor dos cultuados “Tropa de Elite I” e “Tropa de Elite 2”) se desenvolve, tendo como personagens-eixo três jovens: o estudante sonhador e inseguro Nando (Luca Bianchi), a DJ Erika (Nathália Dill, mais uma bela atuação da bela atriz) e a amiga apaixonada Lara (Lívia de Bueno), que formam um triângulo amoroso, com experiências no uso de vários tipos de drogas, promessas vazias e homossexualidade entre as duas garotas. Há um quarto personagem relevante, Lipe, o irmão mais novo de Nando (vivido por César Cardareiro), que vive dilemas típicos da adolescência, como a influência dos amigos mais velhos, o contato precoce com o álcool e as drogas e a idolatria por garotas – chocando-se com uma tentativa extemporânea de seu irmão, Nando, de protegê-lo de tudo que este já sofreu.

Com imagens paradisíacas, tendo como cenário a Praia do Arpoador/ Rio de Janeiro (tempo atual), Praia do Paiva/Pernambuco (onde foram filmadas a sequência de rave, anos antes do momento temporal da sequência) e Amsterdam (conhecida pelos museus e pelo uso liberado de drogas, como se no “meio” da trama), a narrativa se desenrola tendo os conflitos amorosos e as experiências – artificiais e superficiais – como principais diretrizes. A palavra-chave de todas as relações é a intensidade, como em um resgate do lema neoclássico “carpe diem” (aproveite o dia). Há momentos em que a plateia pode ficar entorpecida com cenas de gosto apurado e experiências muito mais sensoriais do que dialógicas.

O resultado final é um filme plasticamente bonito que, se não aprofunda as várias questões abordadas talvez como pudesse fazê-lo, põe em evidência uma série de reflexões sobre o atual universo jovem. Bom para ver, ótimo para pensar.

Nota: 8,0

*Rodolfo Marques é publicitário, jornalista, professor universitário, mestre em Ciência Política, servidor públicos e, nas horas (não tão) vagas, um cinéfilo assumido.

 

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