Tinha Que Ser Ele? (“Why Him?”)

Essa semana eu comentei sobre “Papai Noel às Avessas 2” e o fato de seu ponto fraco é forçar o politicamente incorreto sem nenhuma aderência à história. Seu contraponto é justamente “Tinha que ser Ele?” que usa o incorreto corretamente (ah, a ironia).

Bryan Cranston de “Conexão Escobar” é Ned descobre com surpresa que sua filha Stephanie (Zoey Deutch de “Jovens, Loucos e Mais Rebeldes”) está namorando e junto com a família, viajam para conhecer o genro. Só ele ele é Laird (James Franco de “Linha de Frente”), um nerd doidão que só fala palavrão e ficou milionário fazendo games. Suas maluquices e excentricidades vão despertar a ira de Ned para uma daquelas batalhas entre agregados que a gente já viu por exemplo em “Quase Irmãos” e “Pai em Dose Dupla” e até acaba sendo uma espécie de versão inversa de “Entrando Numa Fria

O diretor John Hamburg da ótima comédia “Eu Te Amo, Cara” deixou espaço para o elenco improvisar e o resultado foi dos melhores: 240 horas de improvisação para 90 minutos de filme, garantindo praticamente as melhores piadas em toda a projeção. O melhor é que elas são ditas com honestidade pelos atores: Cranston e Franco fazem os extremos perfeitos, inclusive com uma boa analogia a tecnologia, já que Ned é dono de uma gráfica onde tudo gira em torno do papel, enquanto Laird é pura tecnologia onde até a casa dele não tem papel. Inclusive há uma ótima crítica social quando uma das refeições é feita de papel comestível (atualíssima no Brasil com o escândalo da Operação Carne Fraca).

A dupla de protagonistas constrói sua relação de forma orgânica (dentro do contexto absurdo da comédia, é claro) sem forçar a barra, tornando-a crível e fazendo-a ser um ponto de afinidade com o espectador. O elenco coadjuvante também não faz feio, com destaque para Megan Mullally (“Smashed: De Volta à Realidade”) como a esposa “prafrentex” de Ned que faz com ele a impagável cena do quarto. E ainda a divertidíssima Kaley Cuoco da série “The Big Bang Theory” faz uma participação engraçadíssima. O roteiro ainda nos brinda com várias referências pop dos anos 80, desde a “Pantera Cor de Rosa” até a banda Kiss que tem uma relevância hilária.

Mesmo perdendo um pouquinho de sua força rumo ao final (normal nesse tipo de comédia), “Tinha Que Ser Ele?” desperta as mais gostosas gargalhadas principalmente porque são honestas e genuinamente politicamente incorretas.

Curiosidades:

– Uma das formas de marketing do filme foi disponibilizar o app “Ape Assassins” (jogo que Laird desenvolve) nas lojas da Apple e Google.
– O diretor John Hamburg foi professor de James Franco na universidade.
– Várias linhas de diálogo de Ned são referências ao icônico personagem de Bryan Cranston, Walter White da série Breaking Bed.

Ficha Técnica

Elenco:
James Franco
Bryan Cranston
Megan Mullally
Zoey Deutch
Tangie Ambrose
Cedric the Entertainer
Bob Stephenson
Zack Pearlman
Griffin Gluck
Jee Young Han
Mary Pat Gleason

Direção:
John Hamburg

Produção:
Jonah Hill
Dan Levine
Shawn Levy
Ben Stiller

Fotografia:
Kris Kachikis

Trilha Sonora:
Theodore Shapiro

 

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