Triângulo do Medo (“Triangle”, Austrália, 2009)

Genre : ,

Uma idéia na cabeça e uma boa produção na mão. É a receita para um terror bastante original que prende o espectador e ainda o leva a uma surpresa impressionante. Não é a toa que é um longa australiano fugindo do eixo enlatado de Hollywood.

O início se parece com outras produções, onde um grupo de amigos sai para velejar, é pego numa tempestade e depois do naufrágio, encontram um navio aparentemente abandonado. Uma das pessoas, Jess (Melissa George de “30 Dias de Noite“) vai descobrir que se encontra numa espécie de looping que faz com que seus amigos morram e voltem a entrar no navio para morrerem novamente e cabe a ela descobrir como acabar com esse pesadelo.

A gente sabe do diferencial de um roteiro quando o filme acaba e percebemos que desde o primeiro minuto, tudo fora planejado minuciosamente para gerar uma cadeia de acontecimentos de forma a surpreender o público, mantendo a consistência da narrativa. Ao mesmo tempo em que temos essa genial narrativa, a violência gráfica é muito bem utilizada, dando o impacto necessário, mas sem se tornar apelativa. Outro ponto interessante é que além da maquiagem eficiente, o diretor se utiliza de posicionamentos de câmera espertíssimos para reproduzir de várias formas a mesma cena, a qual acontecerá em momentos distintos.

Com um elenco coadjuvante desconhecido, mas que também pouco precisa fazer, “Triângulo do Medo” é uma das gratas surpresas de terror nas locadoras que vai deixar os espectadores refletindo sobre o que realmente aconteceu. E não há mérito melhor do que fazer as pessoas pensarem num filme mesmo dias depois dele ter sido visto.

Obs: Se quiserem saber minha opinião sobre o que aconteceu realmente, escrevi os spoilers na área desse filme no Filmow. Vá lá ou visite o meu perfil.

[rating:4]


Ficha Técnica

Elenco:
Melissa George
Michael Dorman
Rachael Carpani
Emma Lung
Liam Hemsworth
Henry Nixon

Direção:
Christopher Smith

Produção:
Julie Baines
Chris Brown
Jason Newmark

Fotografia:
Robert Humphreys

Trilha Sonora:
Christian Henson

 

7 Comments

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  • Ícaro Guimarães
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    Intrigante e Curioso.Realmente divide opiniões e a minha é diferente da sua apresentada no Filmow.Não creio que ela esteja morta e sim que tenha um certo nível de autismo como seu filho,repare que em vários momentos é reprisado a fala do personagem Greg onde ele diz que Jess vive em um mundo próprio.Mas enfim é um filme feito para dividir opiniões,e foi triunfante nesse aspecto.

  • Daniel BZ
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    Descordo dos dois. O roterista e diretor usou a mesma formula de sucesso de Donnie Darko, um filme sobre uma realidade alternativa no qual não tem intenção algum de ter uma explicação e sim deixa cada um ter o seu parecer. Ate hoje existe sites descutindo qual a verdadeira explicação para o filme, e a resposta é simples não há um explicação. Ambos diretores só quizeram fazer um filme com uma excelente historia que si encaixam de acordo com os acontecimentos.

    Si não assistiu esse filme nao leia essa parte.

    Creio que ela entrou numa realidade alternativa no qual tenta a todo custo salvar o filho. Não necessariamente um purgatorio para si purifica. Pois no dialogo com o taxista diz que não tem como salvar o filho e si ela mesmo assim queria continuar nessa “realidade alternativa” vamos dizer assim. E no último dialogo ele pergunta si ela iria voltar e ela diz que sim. Ou seja ela decidiu ficar nessa “realidade alternativa” ate encontra uma maneira de salvar o filho. Mas como eu falei antes o diretor não tem interesse nenhum de mostra de como JESS chegou nela ou o que é essa “realidade alternativa”.

  • Marcia
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    Eu entendi que ela era uma mãe cruel (esbofeteou, gritou e assustou o filho autista) que morreu naquele acidente de carro que passa no final. Seu castigo seria ficar revivendo aquela história (dizem que o inferno é a repetição) para sempre ou até terminar a “pena”. Acompanhando a trama ve-se que conforme a história se repete ela vai se tornando uma pessoa melhor que se horroriza com o modo que ela própria tratava o filho (a ponto de matar a “si própria”) e decidindo continuar a iniciar tudo de novo na esperança de que o filho não morra no final. No início ela só queria sobreviver mas depois passou a querer mudar o final em favor do filho, para que ele vivesse com uma mãe melhor e que o amasse e compreendesse. O que tira um pouco a esperança (mas acho que a personagem não tem noção de mitologia grega) é que o trabalho de Sísifo era inútil, estando condenado a empurrar a pedra de mármore morro acima durante todo o dia só para ve-la rolar morro abaixo ao anoitecer. Acho que o trabalho de Jesse tb é inútil pois aquela hitória é uma punição, um castigo que ela vai ter que viver para sempre.

  • Clayton
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    Marcia realmente arrebentou na resenha e mostrou o quanto a pesquisa do nome Sísifo esclareceria a história, embora todos nós tenhamos muita pena do destino da pobre criança.

  • Joanas
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    O filme pode ser resumido na cena do acidente:
    1. A Less verdadeira é a de saia, que é má, maltrata o filho e que morre no acidente.
    2. A Less de short é a alma dela que percebe o erro cometido com o filho e que tenta voltar a origem através do navio (fantasma) e tentar salvar a vida do filho.
    3. O taxista é um mensageiro do além, que diz que não há como salvar o garoto e que até dá uma oportunidade a ela de escolher outro destino, mas ela prefere voltar ao barco.
    Pode-se dizer que a Less foi condenada ao inferno, e que o taxista pode muito bem ser o diabo, já que ele diz que vai deixar o taximetro rodando com a certeza de que ela vai voltar. De resto, todas as situações do navio são redundâncias produzidas pela situação vivida pela personagem, que explicam-se por si só.

  • Guilherme
    on

    Será que só fui eu que achei esse filme uma bosta?

  • francisdavis08
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    SPOILER DO FILME: Aqui vai a minha teoria que é a correta! Hehehe: A Jess nada mais é do que uma alma penada. Todo o filme é um purgatório onde ela tem que sofrer por ter enganado a morte (taxista). Pois a alma dela não aceita seu caminho. Algumas cenas desse purgatório são semelhantes à vida real dela, como no acidente, onde ela e o filho morreram. O garoto era mto maltratado por ela. Depois da morte, foi mostrada a ela na forma de punição repetitiva, o quanto foi uma péssima mãe com seu filho autista.

    A alma culpada de Jess não pode descansar em paz até que ela aceite seu erro e siga. Assim como na lenda de Sísifo citada no filme, o castigo dela no purgatório (semelhante a realidade) será repetir eternamente seu pecado, sempre achando que poderá salvar o filho, e sendo obrigada a matar como conseqüência disso. Mas o taxista disse não há nada que ela possa fazer. Coitadinha…

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