Tropa de Elite 2 (Brasil, 2010) ***NOS CINEMAS***

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Se existe algum receio de que “Tropa de Elite 2” possa ser pior de que o primeiro, regozijem, pois não só é tão bom quanto, como leva a história a outro patamar. E prova de uma vez por todas que mais do que os milhões de Hollywood, para se fazer um excelente filme, basta um minucioso planejamento, o equilíbrio de todos os fatores técnicos e competência na direção e atuação. E isso, o diretor José Padilha e Wagner Moura, nosso Samuel L. Jackson tupiniquim, têm de sobra.

Baseado num argumento de José Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani, acompanhamos a trajetória do agora Tenente Coronel Nascimento (Moura) que continuou no comando do BOPE até uma operação mal sucedida e que teve uma repercussão ruim na mídia por conta do defensor dos direitos humanos, Fraga (Irandhir Santos). Ele então é exonrado do cargo para ser “promovido” a Subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e fica a um passo de descobrir uma enorme conspiração que envolve até o governo.

Primeiro que o roteiro é impecável em dispor de uma cadeia de acontecimentos minuciosamente escritos para compor uma das narrativas de ação mais brilhantes do cinema nacional. Isso aliado a uma direção genial de Padilha que tem uma iluminação logo na primeira cena em que o carro de Nascimento é metralhado para só depois sabermos o que realmente aconteceu. A veia cômica presente em tantos momentos jamais denigre a seriedade da trama e também tem tiradas perfeitas como na cena em que sabemos o destino da ex-mulher de nascimento ou da recriação de um programa de TV policial na ótima e cômica interpretação de André Mattos. A maneira como a vida pessoal e profissional do protagonista se cruzam na história não deve nada a nenhuma condução no cinema mundial.

Todos os atores se comprometeram ao máximo, desde o óbvio show de Wagner Moura passando pelo dramático caveira André (André Ramiro) até o eterno corrupto Capitão Fábio incorporado pelo preciso Milhem Cortaz. Outro ponto que poderia ser negativo, mas que aqui funciona perfeitamente é a manipulação de Padilha com a própria opinião pública. Ele coloca o filme numa posição ímpar de sustentar que a violência é errada, mas que na situação atual, ela é necessária. Isso se dá através do comportamento humano e animal de Nascimento. Se de um lado a platéia vai ao delírio quando vê nosso herói espancando um político corrupto (a salva de palmas é inevitável) por outro confessa que não sabe responder por que seu trabalho é matar. E finalmente a conspiração em si é um retrato fictício tão próximo da realidade que ao seu desfecho, o espectador deve sair boquiaberto e sobressaltado.

“Tropa de Elite 2” é um dos mais eficientes filmes nacionais e que tem caráter universal, sendo uma escolha fácil para uma indicação ao Oscar de Filme Estrangeiro. Inegavelmente todos os seus elementos são irrepreensíveis, inaugurando uma nova maneira de se fazer cinema no Brasil: a correta. Perfeito.

[rating:5]


Ficha Técnica

Elenco:
Wagner Moura
André Ramiro
Maria Ribeiro
Milhem Cortaz
Pedro Van Held
Seu Jorge
Irandhir Santos
Tainá Müller
Sandro Rocha
André Mattos

Direção:
José Padilha

Produção:
Marcos Prado

Fotografia:
Lula Carvalho

Trilha Sonora:
Pedro Bromfman

 

4 Comments

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  • Ricardo Alexandre Fernandes
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    Simplesmente fantástico esse filme! José Padilha, Wagner Moura & Cia. “colocaram no bolso” todos os filmes policiais e de ação feitos em Hollywood que eu assisti. Ação, suspense e tensão prendem o público do início ao fim, isso sem deixar de lado o drama pessoal e/ou familiar vivido pelos personagens.
    É normal logo após o término de uma sessão de cinema, quando as luzes acendem, o público começar a bater palmas quando o filme é bom ou começar a fazer reclamações, através daqueles típicos burburinhos de insatisfação.
    Dessa vez, surpreendentemente, pelo menos para mim, houve um silêncio “ensurdecedor”, isso em uma sala com aproximadamente 200 pessoas. Minha explicação para esse silêncio é simples: SEM PALAVRAS!!!
    Falar alguma coisa após o fim do filme foi quase tão difícil quanto dizer “eu te amo” ou “quer casar comigo” para a pessoa amada. A garganta seca e faltam palavras.
    Foi isso que eu vi e senti naquela sala. EXPERIÊNCIA ÚNICA!
    Concordo, Alves, é perfeito!

  • Clayton
    on

    “Tropa de Elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você”. A música composta muito antes da realização do filme, casa com todas as felizes coincidências do filme, culminando com o fato, segundo o próprio Padilha, de que o personagem principal do Tropa 1 seria o caveira André, na pele do próprio Wagner, porém este ao ler o roteiro disse “eu quero fazer esse tal de capitão Nascimento”. Casamento perfeito. O personagem passou ser símbolo da paz a qualquer custo, e Tropa de Elite passou a ser orgulho do cinema nacional, devidamente consagrado com sua segunda parte. A definição é muito feliz, o filme foi levado a outro patamar, sem que isso tenha interferido em qualidade, em ação ou dificuldade no entendimento do público. Aliás, sabiamente, e sem subestimar a inteligência do espectador, Padilha faz questão de filmar os pensamentos de Nascimento e o que ocorre na realidade, assim nos tornamos cumplices do raciocínio e das frustrações do eterno “capitão”. Wagner Moura, perfeitamento identificado por seus papéis cômicos, mais do interpreta, na verdade, rege, o personagem, dando-lhe todo o grau de transtorno que somente o ônus da função, aliado a incorruptibilidade de Nascimento poderiam gerar. De todas as cenas, duas demonstram o show de Wagner, a cena do Hospital ao entregar o gravado a Fraga, vemos o capitão prestes a explodir com todo o ódio do mundo, e na cena em que está prestes a depor, vemos a total frustração do sub-secretário de segurança com o que acreditava ser a proteção ao cidadão. Sem dizer uma palavra, Moura mostra toda a dor, decepção e falta de esperança do capitão, cuja única vontade naquele momento é o de revelar a verdade na qual ele mesmo demorou a acreditar. Tropa 2 arranca risos, lágrimas e indignação. É o cinema político no seu mais alto expoente de qualidade, e mais, orgulhosamente nacional.

  • Victor Rabelo
    on

    Esse filme é perfeito, sem mais….

  • Hercules
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    É o melhor filme nacional ja produzido. merece o OSCAR.

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