Uma Dobra no Tempo (“A Wrinkle in Time”)

Quando vi o trailer de “Uma Dobra no Tempo”, minha primeira preocupação foi na própria premissa desses épicos de ação / ficção infanto-juvenis onde uma criança (no caso uma pré-adolescente) é a “única” que pode salvar o mundo. Para que uma ou mais crianças consigam tamanho feito, a trama tem que ser muito bem amarrada. Bons exemplos: “Os Goonies”, “Conta Comigo”, “IT – A Coisa” e por aí vai. Só que não só o problema não é sanado, como existem desastres estruturais que afundam o filme numa colcha de retalhos malfadada.

Vamos lá: a chatíssima Storm Reid (“12 Anos de Escravidão”) é Meg, uma menina enjoada e problemática por causa do desaparecimento do pai (Chris Pine de “Stretch”) há quatro anos. Um belo dia seu irmão mais novo e mega-nerd apresenta três… digamos… fadas madrinhas… ou sei lá que nome se dá pra elas. Ah, também no meio da história entra um moleque que é o interesse amoroso de Meg que entra mudo, sai calado e quando abre a boca é pior do que figurante de Malhação. As fadas (vamos chama-las assim na falta de qualquer definição) disseram que o pai de Meg está numa outra dimensão ou planeta e aprisionado por uma força do mal que nem o filme consegue explicar o que é. E mais: só Meg teria a força para buscar seu pai. Então vejamos: três fadas super poderosas não conseguem, mas uma pré-adolescente vai conseguir. E é bem isso.

A diretora Ava DuVernay (“Selma: Uma Luta Pela Igualdade”) apostou que um espetáculo visual seria mais do que suficiente para atrair e prender o público em detrimento da história. Errou feio. Primeiro que a cenografia e efeitos especiais estão longe de produzir o feito de encantar os olhos. Tudo é muito plano e igual com pouquíssimas criações realmente relevantes. O figurino é tão ruim que não dá pra deixar de comparar as tais fadas à MC Loma e as Gêmeas Lacração:

E voltamos ao roteiro: não tem pé nem cabeça. É tão sem noção que contradiz o próprio título, pois a teoria de viagem no espaço-tempo se refere a uma dobra no espaço e não no tempo (também conhecido como “buraco de minhoca”). No final o espectador nem vai entender o que aconteceu, se o mal foi derrotado ou se foi retardado ou se apenas resgataram o pai de lá. E nem pergunte como, pois a resposta vai decepcionar até os menos exigentes. Sem contar que a mãe dos meninos e esposa do cientista perdido (Gugu Mbatha-Raw de “O Paradoxo Cloverfield”) é uma péssima mãe, pois não dá falta dos filhos enquanto eles viajam pelo universo.

Nem vamos entrar no mérito do elenco, pois todos estão de mal a pior. As fadas madrinhas interpretadas por Oprah Winfrey (“O Mordomo da Casa Branca”), Reese Witherspoon (“De Volta Para Casa”) e Mindy Kaling (“É o Fim”) parecem não saber o que fazer em cena, principalmente Kailing que pegou o pior papel que se contradiz a todo momento. E o que dizer do pai, interpretado por Pine que que vê o perigo quer até sacrificar o próprio filhos pra se safar??? E depois que escapou fedendo, só faz pedir desculpas e tá tudo bem.

Uma Dobra no Tempo” é um dos grandes desastres da Disney que deveria ter vergonha alheia de apresentar um produto que não só é de péssima qualidade em todos os sentidos, mas chega até a ser antiético e de má fé.

Curiosidade:

– No livro a família de Meg é caucasiana, mas para ampliar o público-alvo em tempos atuais, foi tomada a decisão de uma família multirracial.
– No livro Meg tem irmãos gêmeos, enquanto no filme, eles não existem.

Ficha Técnica

Elenco:
Storm Reid
Oprah Winfrey
Reese Witherspoon
Mindy Kaling
Levi Miller
Deric McCabe
Chris Pine
Gugu Mbatha-Raw
Zach Galifianakis
Michael Peña
André Holland
Rowan Blanchard
Bellamy Young
David Oyelowo
Conrad Roberts

Direção:
Ava DuVernay

Produção:
Catherine Hand
Jim Whitaker

Fotografia:
Tobias A. Schliessler

Trilha Sonora:V
Ramin Djawadi

 

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