Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos (“Warcraft”)

Raríssimos são os casos de uma bem sucedida adaptação de um jogo de vídeo game para o cinema. “Warcraft” chega para quebrar esses e outros paradigmas.

Para os mais desavisados, o universo de Warcraft parece ser uma parte da Terra Média de “O Senhor dos Anéis”. Inclusive com as criaturas: elfos, anões, orcs, humanos, magos, aves que carregam humanos (só faltaram os hobbits), todos estão presentes na aventura. Mas não torçam o nariz, pois não foi o autor J.R.R. Tolkien que inventou essas entidades, visto que já estavam presentes em várias mitologias. Portanto, o filme não é uma imitação de “O Hobbit”, apesar de apresentar elementos da mesma mitologia.

O mundo dos Orcs está acabando, então o vilanesco Gul’dan guia hordas dessas criaturas para o mundo onde vivem nossos heróis e então o reino dos humanos deve deter a ameaça. Só que a produção é muito mais do que apenas uma luta bidimensional ou um confronto entre conquistadores e conquistados como em “Avatar”. O Aragorn de “Warcraft” é Lothar (Travis Fimmel de “Os Fora da Lei” mais conhecido pela série de sucesso “Vikings”) e junto com o jovem mago Khadgar (Ben Schnetzer de “A Menina que Roubava Livros”), uma espécie de aprendiz de Gandalf tentam desvendar o mistério da invasão dos Orcs e do portal pelo qual eles passam e contam com a ajuda do misterioso Guardião (Ben Foster de “Horas Decisivas”) – e daí deixo pra vocês adivinharem que personagem de “O Senhor dos Anéis” ele seria.

Só que o melhor do roteiro é que o espectador consegue ver os dois lados da moeda, pois alguns orcs começam a se questionar se a destruição de um novo mundo e as intermináveis guerras que acabam por exterminar com o meio ambiente são mesmo a saída e liderados por Durotan (Toby Kebbell de “O Sistema”), eles podem se revoltar contra Gul’dan.

ortanto, sob a batuta do diretor espertíssimo diretor Duncan Jones (“Contra o Tempo”) os personagens são explorados profundamente o que cria uma conexão com o público, mesmo sabendo que estamos partindo de um mundo fantástico onde as próprias interações entre humanos, orcs e afins poderiam ultrapassar a barreira do aceitável, mas acabam sempre encontrando soluções coerentes que nunca forçam a barra. E olha que o casting não foi dos melhores, pois traz o inexpressivel Fimmel como protagonista e tem a presença da bela porém insossa – pelo menos aqui – Paula Patton (“Dose Dupla“) como uma orquisa mestiça (sim, o feminino de orc) que vai se tornar o interesse amoroso de Lothar.

Se tem algo que emparelha com a história em si é o próprio espetáculo visual criado como um mundo mapeado (tal qual a Terra Média) no qual conhecidas arquiteturas e leis da física inimagináveis convivem entre magia e criaturas do outro mundo resultando num design de produção irrepreensível. Os personagens em CGI criados a partir da captura de movimentos são de uma perfeição singular indo desde um olhar carismático até a própria interação entre estes e aqueles de carne e osso como se estivessem no mesmo lugar. A trilha sonora de Ramin Djawadi (“Círculo de Fogo”) e retumbante, sendo praticamente a primeira coisa que se nota na projeção e quase viciante quando ela adere à história num uníssono e harmonia.

O diretor dá espaço para tudo, do drama à pura ação com batalhas épicas e sem poupar personagens de grande relevância na narrativa, além de deixar muitas perguntas para os próximos capítulos da saga, ainda que fechando de forma coesa esse primeiro arco de história.

Talvez a comparação com “O Senhor dos Anéis” venha a calhar quando entendemos que são poucos filmes de fantasia em épocas de magia medieval que logram um êxito tão grande quanto esses dois e maior ainda é esse sucesso ter vindo de um game, até para que nunca o jogou. Agora é esperar ansiosamente o próximo capítulo.

Ficha Técnica

Elenco:
Travis Fimmel
Paula Patton
Ben Foster
Dominic Cooper
Toby Kebbell
Ben Schnetzer
Robert Kazinsky
Clancy Brown
Daniel Wu
Ruth Negga
Anna Galvin
Callum Keith Rennie
Burkely Duffield
Ryan Robbins

Direção:
Duncan Jones

Produção:
Stuart Fenegan
Alex Gartner
Jon Jashni
Charles Roven
Thomas Tull

Fotografia:
Simon Duggan

Trilha Sonora:
Ramin Djawadi

 

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